Dizem que ações valem mais que mil palavras. Mas será que valem mesmo?
Talvez ás vezes, por maior que tenham sido suas ações, por maior que seja o sentimento, talvez ás vezes as palavras sejam mesmo necessárias.
Infelizmente para alguns, lidar com...
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Segurava entre minhas mãos trêmulas o convite de casamento dela.
Completamente estático, por um tempo parecia até mesmo que minha mente havia se desligado totalmente, era como se eu estivesse petrificado, paralisado, sem conseguir raciocinar direito, pensar direito, até mesmo respirar direito.
Era um envelope trabalhado que continha em seu interior um convite delicado com letras douradas num papel bonito, com desenhos e traços finos que davam um ar artístico deixando tão claro o quanto ela havia participado de sua escolha, diria eu até mesmo da escolha das cores, do formato do traço, das ondas que cada desenho fazia...até mesmo nas rasuras parecia haver seu toque, seu bom gosto, a veia artística que naturalmente ela possuía...o conjunto como um todo o davam um ar de leveza, mas entre meus dedos se tornava o maior peso que já tive em minhas mãos.
E como podia algo tão fino e delicado trazer tanto peso assim para mim? Trazia...porque apesar de já saber, segurando este convite em minhas mãos, esse casamento agora se tornava real.
Abaixei minha cabeça respirando fundo, tentando voltar a minha realidade, tentando retomar meus pensamentos, a sanidade de minha mente...e após o susto agora me perguntava: como pôde ela me enviar tal convite?
Isso só corroborava com o que sua mãe havia dito: para ela eu não passava de um amigo, uma paixão do passado, alguém que fez parte de sua vida, um mero convidado.
E com o buraco que havia se expandido em meu peito, a primeira coisa que pensei foi em me livrar desse "maldito" convite...desse papel que para sempre seria a lembrança de que a perdi...para sempre.
E sem nem ao menos retirá-lo por completo, assim como estava, puxado apenas pela metade, o rasgaria juntamente com o envelope pelo qual havia sido enviado...me livrando, portanto, daquele que hoje me remetia ao meu pior momento.
Segurei junto ao meio, o belo papel que aos poucos perdia sua forma, agora com diversos amassados pela força de minha mão que deformavam sua estrutura, descontando junto com toda a dor que sentia, minha raiva e frustração. Fitando-o fixamente, o perdi por alguns segundos das minhas vistas, quando uma lágrima brotou em meus olhos, embaçando meu campo de visão. Cerrei os olhos para que tal lágrima saísse e assim ela fez, escorrendo pelo meu rosto...retomando então a imagem do convite com suas bordas amassadas, o envelope quase por cair e a bela folha de vergê por um triz de se desintegrar...e assim que decidi...rasgá-lo...visualizando, antes mesmo de realizar tal ato, o tal convite em pedaços...a porta se abriu.
Rapidamente cessei meu movimento, interrompendo minha ação, abaixando minhas mãos e mantendo o convite junto a mim, agora seguro apenas por uma mão junto ao meu corpo. Olho para a porta, a qual havia chamado minha atenção, vendo novamente meu companheiro o qual não esperava vê-lo tão cedo adentrar meu apartamento.