Capítulo 28

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Após alguns segundos cogitando os possíveis motivos que levaram Johnny a vir até minha casa, permiti-o que entrasse e, antes de sequer oferecer, ele se sentou no sofá de uma maneira relaxada, porém com uma expressão angustiada. Me juntei a ele em seguida.

— Como encontrou meu apartamento? — Indaguei.

— Eu encontrei aquele cara, como é mesmo o nome dele? — Olhou para cima tentando se lembrar. — Acho que... Fernando? Ou algo assim.

Pensei nos meus vizinhos que tinham um nome parecido, e me lembrei da única pessoa que Johnny conhecia além de Daniel.

— Ah, Freddy. O nome dele é Freddy.

— Isso, tanto faz. — Disse indiferente. — Eu ia bater de porta em porta, mas aí esbarrei nele e perguntei onde você morava.

— Certo, isso explica. Pelo menos agora eu sei que você não estava me espionando todo esse tempo. — Brinquei fingindo estar aliviada, mas ele permaneceu sério.

Pigarreei e me recompus. Ele olhou em volta, curioso.

— Está sozinha? — Perguntou ainda reparando em cada canto da casa.

— Sim, minha tia está trabalhando. — Respondi e ele assentiu. — Vai me dizer por que veio aqui?

— Preciso de motivo?

— Bem, não, mas achei estranho. — Dei de ombros. — Você parece mentalmente exausto. Aconteceu alguma coisa?

Ele riu fraco, pendendo sua cabeça pra trás, apoiando no encosto do sofá.

— Eu discuti com meu padrasto. — Suspirou. — De novo.

— Parece que foi sério.

— Essa foi a única briga de verdade que tivemos em anos. Normalmente, quando ele dizia algo que me irritava eu optava por ignorar, essa era minha tática pra suportar a convivência com ele. Mas hoje, eu cheguei ao meu limite.

— O que ele fez?

— Nada muito sério, essa foi meio que... a gota d'água.

Ele parecia inseguro sobre contar o que se passava em sua cabeça. Eu fiquei em silêncio, me aproximei dele e o olhei atenciosamente. Ainda com um certo receio, respirou fundo e disse:

— Todos os dias, Sid procura um motivo pra me humilhar, algo que o incentive a me chamar de "inútil sem futuro". Esse não é o tipo de coisa que você se acostuma, mas eu aprendi a conviver. Porém depois do campeonato, ele tá mais insuportável do que nunca. Minha cabeça já está explodindo por conta de tudo quem vem acontecendo, pra completar ele vem encher minha paciência.

— E isso levou vocês a brigarem?

— É. Eu procuro ignorar por causa da minha mãe, e também porque a opinião dele é inválida pra mim. Mas, ouvir todos os dias que você é um fracassado... chega um momento que cansa.

— Você não pode considerar nada do que ele disser. Você não é um fracassado, e se ele não é capaz de enxergar isso, eu sou. Que se dane o que ele pensa.

Johnny me olhou com o cenho franzido e os olhos semicerrados, me analisou por um segundo e riu seco.

— Será mesmo, Emma? — Perguntou ao se levantar e me olhar de cima. — Se isso não é verdade então por que eu perdi tudo que eu tinha?

— Do que está falando?

Foi a minha vez de levantar, nos deixando frente a frente na mesma altura.

You're still the one - Daniel LarussoOnde histórias criam vida. Descubra agora