"Eu havia imaginado aquele momento diversas vezes, tantas que eu mal pude contar depois que todos os dedos dos pés e das mãos já haviam marcado o número necessário e provavelmente o número aceitável para alguém sonhar com o homem que já fora tudo pa...
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- Oi - ele respondeu com sorriso largo e lindo. Exatamente como eu me lembrava. O sorriso que fazia meu mundo entrar nos eixos.
Ele levantou a mão esquerda devagar e eu vi um buquê de rosas vermelhas.
- Para você.
Eu travei. Simplesmente não conseguia sair do lugar, nem levantar a mão, nem sorrir. Eu apenas o encarei.
- Scar? - a voz de Ian me fez voltar aos eixos e eu automaticamente levantei a mão. Rápido demais, para ser exata.
- O-oque... como...? - Como Ian havia me encontrado na tia Cathy?
Escondi por tantos anos o lugar que usei para me esconder dele... como agora? E por quê?
- Seu pai - ele disse, como se explicasse tudo, com seu rosto tomando uma expressão séria. - Evitei sua casa por muitos anos, Scarlet, mas achei que dessa vez eu merecia algumas respostas... então... não pude evitar.
Prendi a respiração e torci para que o lugar onde eu estava, ou melhor dizendo, estive durante todo aquele tempo, tivesse sido a única coisa que meu pai havia dito a Ian.
- Quem está aí, querida? - a voz de tia Cathy veio antes mesmo que eu pudesse dizer algo a Ian. Como de relance, ela rapidamente apareceu ao meu lado, encarando as rosas em minha mão. - Ah, que lindas! Você é amigo de Scarlet?
- Eu... - Ian me encarou e, percebendo que eu ainda estava sem palavras, olhou para tia Cathy e sorriu. Um sorriso calmo e tranquilizador. Assim era Ian, conseguia disfarçar bem demais suas emoções. Gostaria de ser assim. - Sou. Da época da escola.
- O único amigo que conheço de Scarlet é Charlie - respondeu tia Cathy. A expressão de Ian ficou mais carregada, algo que não entendi muito bem. - Mas você é muito bem vindo. Entre, estou fazendo torta, espero que goste, acabei de preparar a massa.
Tia Cathy deu as costas, não sem antes pegar as rosas de minha mão, e seguiu para a cozinha, com Ian logo atrás, sorrindo, como se está fosse a coisa mais comum do planeta.
E poderia ter sido -, disse a voz na minha cabeça.
É, poderia. Mas não foi, porque eu fiz uma escolha... e essa escolha foi a que eu julguei ser melhor na época.
Pode ter me trago sofrimento e dor, mas também trouxe aprendizado.
E para Ian, seu sonho pode se tornar real.
Por isso, eu não podia me arrepender.
Por mais que fizesse isso todos os dias.
Me tirei de meus desvaneios e corri para a cozinha, onde encontrei Ian sentado na bancada da cozinha conversando sobre qualquer coisa com tia Cathy.
- Não me disse que Ian era um jogador famoso, Scarlet. Acabei de passar uma vergonha perguntando para ele o que ele fazia da vida - tia Cathy riu, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo.
- Eu... não tive tempo, tia. Mas... Ian sempre jogou. Sempre foi o melhor quarterback, jogador modelo... era óbvio que chegaria onde chegou.
- Tive muita ajuda - ele disse, um pouco baixo. - Pensei em desistir várias vezes, Senhora Howard, mas em todas essas vezes Scar esteve lá.
Fui pega de surpresa por essa afirmação. Ian e eu sempre dividíamos tudo. Medos, amores, sonhos. E em todas as vezes que ele pensou em desistir não fora por medo de fracassar, mas sim de decepcionar todas as pessoas que acreditavam nele e o amavam.
Quando mostrei, ou pelo menos sempre tentei, que quem o amasse e o admirasse de verdade sentiria o mesmo quer ele fosse o vencedor ou não, Ian pareceu perder o medo e enfrentar tudo, quer qual fosse o resultado.
- Scarlet sempre foi ótima em ajudar as pessoas, ela sempre teve uma luz... não sei... algo forte que parecia iluminar o local em que estava - falou tia Cathy, botando a torta no fogo e voltando a encarar Ian. - Uma pena isso ter sumido logo após a morte do bebê.
Meus olhos arregalaram e eu senti que havia parado de respirar.
Senti meu coração bater mais rápido, como se não fosse aguentar as batidas aceleradas e descompassas, senti meu corpo tombar para trás, mas não cai.
Antes de poder ter qualquer reação, ouvi a voz de Ian um pouco distante demais para quem estava tão perto.