19. Confronto

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                         O nome ecoava na minha cabeça como um trovão prestes a romper o céu

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                         O nome ecoava na minha cabeça como um trovão prestes a romper o céu. Megan.

Minhas costas ainda estavam pressionadas contra a parede fria do quarto, meu corpo arfava com a lembrança do que tínhamos acabado de fazer. O gosto de Ian ainda estava nos meus lábios, seu cheiro ainda impregnava minha pele, e agora... agora nada daquilo significava nada.

Porque ele estava noivo.

Minhas pernas cederam um pouco, e eu precisei me segurar na borda da cômoda para não cair. Eu queria rir. Queria chorar. Queria gritar. Mas tudo que consegui foi olhar para ele, esperando uma explicação que, no fundo, eu sabia que nunca seria boa o suficiente.

Ian estava ali, parado no meio do quarto, os cabelos bagunçados pelos meus dedos minutos atrás, a camisa ainda meio aberta, como se o tempo tivesse congelado no momento exato em que minha ilusão desmoronou. Ele não disse nada. Nem precisava.

— Você tá noivo, Ian. — Minha voz saiu baixa, firme, mas carregada de algo que nem eu sabia explicar.

Ele passou a mão pelo rosto, respirando fundo antes de dar um passo na minha direção.

— Scar...

Ouvir meu nome daquele jeito, com aquele tom que sempre me fez fraquejar, só serviu para acender ainda mais a raiva dentro de mim.

— Não me chama assim — retruquei rápido, dando um passo para trás. Eu não confiava em mim mesma para ficar tão perto dele. — Há quanto tempo?

Ele hesitou.

— Alguns meses.

Minha garganta secou.

— Então, todo esse tempo... todo esse maldito tempo, você já estava comprometido com outra pessoa? E ainda assim você me procurou, Ian?

Ele fechou os olhos por um instante antes de me encarar de novo.

— Eu não planejei que isso acontecesse.

— Mas aconteceu — soltei uma risada amarga, cruzando os braços para me proteger do frio que parecia vir de dentro de mim. — Você me fez acreditar que ainda éramos nós dois. Que ainda existia nós dois. Mas tudo isso foi o quê? Um erro?

Ele balançou a cabeça imediatamente.

— Nunca foi um erro. Você nunca foi um erro.

As palavras dele fizeram meu peito se apertar. Porque por mais que eu quisesse odiá-lo agora, por mais que eu quisesse gritar que ele não tinha o direito de fazer isso comigo... uma parte de mim ainda queria acreditar nele.

Só que não dava.

— E Megan? — perguntei, sentindo um gosto amargo na boca.

Ele desviou o olhar, como se não quisesse dizer em voz alta.

— Eu ia te contar.

Eu ri, sem humor.

— Antes ou depois de me jogar contra a parede e me fazer esquecer por um momento o quanto você já me machucou?

Ele não respondeu. Porque nós dois sabíamos a verdade.

Eu passei a mão pelo rosto, sentindo o peso de tudo me atingir de uma vez.

— Eu não sou essa pessoa, Ian. — Minha voz saiu mais fraca agora. — Eu não sou alguém que destrói relacionamentos. Eu já perdi demais nessa vida pra me sujeitar a isso.

Ele ficou em silêncio, os olhos queimando de algo que eu não queria decifrar agora.

— Scar...

— Para — murmurei, me afastando mais uma vez. — Só me deixa ir.

Eu vi quando ele apertou os punhos ao lado do corpo, como se estivesse lutando contra algo dentro de si. Mas ele não tentou me impedir.

E foi assim que eu soube que, pela primeira vez, Ian me deixou ir.

Mas será que eu conseguiria fazer o mesmo?

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