"Eu havia imaginado aquele momento diversas vezes, tantas que eu mal pude contar depois que todos os dedos dos pés e das mãos já haviam marcado o número necessário e provavelmente o número aceitável para alguém sonhar com o homem que já fora tudo pa...
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Boston ainda estava fria, o inverno pairando no ar como uma lembrança insistente.
O táxi deslizou suavemente pelas ruas iluminadas enquanto eu olhava pela janela, sentindo meu estômago se apertar a cada quarteirão que passava.
Eu não queria estar aqui.
Mas Charlie não aceitou um "não" como resposta.
Depois de dias ignorando suas mensagens e ligações, depois de evitar seu rosto estampado no visor do meu celular, depois de fingir que não estava em casa quando ele bateu na minha porta, eu finalmente cedi.
Porque, apesar de tudo, apesar de tudo, eu devia isso a ele.
O carro parou em frente ao Grill 23 & Bar, um dos restaurantes mais sofisticados de Boston. Um clássico da cidade, famoso por seus cortes de carne impecáveis e pela atmosfera refinada. O tipo de lugar em que eu jamais escolheria vir sozinha.
Respirei fundo antes de sair do carro. O vento gelado bateu no meu rosto, me fazendo arrepiar. Meu corpo ainda estava mais sensível que o normal.
Outro sintoma.
Outro lembrete do que estava crescendo dentro de mim.
O maître me recebeu na entrada, e assim que entrei, meus olhos encontraram Charlie em uma mesa no canto, próximo a uma grande parede de janelas que ofereciam uma vista incrível da cidade.
Ele me viu imediatamente e se levantou, seu sorriso surgindo rápido, mas hesitante.
— Scar.
Eu caminhei até ele, e, antes que pudesse dizer qualquer coisa, Charlie me puxou para um abraço apertado.
Fechei os olhos por um momento, permitindo-me afundar naquele gesto. Charlie sempre foi isso. Segurança. Constância.
Quando nos afastamos, ele parecia me estudar, como se quisesse decifrar cada pequeno detalhe em meu rosto.
— Obrigado por ter vindo.
— Você não me deu muita escolha. — Respondi, soltando um sorriso fraco.
Ele riu e puxou minha cadeira, um cavalheirismo que nunca deixou de lado.
Sentamos, e ele não perdeu tempo.
— Como você está? De verdade?
Suspirei.
— Sobrevivendo.
Ele ergueu uma sobrancelha, me incentivando a continuar.
Mordi o lábio, hesitante, antes de soltar tudo de uma vez.
— Tenho me sentido exausta. Meu corpo não parece meu. Me sinto doente o tempo todo. Minha mente não para um segundo. Parece que estou sempre prestes a explodir.