"Eu havia imaginado aquele momento diversas vezes, tantas que eu mal pude contar depois que todos os dedos dos pés e das mãos já haviam marcado o número necessário e provavelmente o número aceitável para alguém sonhar com o homem que já fora tudo pa...
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IAN
A noite caía sobre Boston, e a cidade brilhava do lado de fora da janela do hospital. As luzes piscavam no horizonte, mas eu mal conseguia notá-las.
Porque tudo que importava estava aqui, nesse quarto.
Eu estava deitado na cama ao lado de Scarlet, minha esposa, minha vida, minha Scar. Ela segurava nosso filho nos braços, aninhado contra seu peito com um amor que eu nunca tinha visto antes.
Ele era pequeno, frágil, uma cópia perfeita dela. A pele macia, os olhos ainda fechados, a respiração tranquila.
Meu filho.
Nosso filho.
Meu peito se apertou com tanta emoção que eu mal conseguia respirar.
— Você acredita nisso? — Scarlet perguntou, a voz ainda rouca de cansaço, mas cheia de doçura.
Olhei para ela, para seus lindos olhos castanhos que eu amava mais do que qualquer coisa nesse mundo.
— Acredito. Mas ainda parece surreal.
Ela sorriu, deslizando o dedo pela bochecha macia do bebê.
— Ele é perfeito.
Passei a mão suavemente pela cabeça minúscula dele.
— Porque ele é nosso.
Scarlet sorriu e encostou a cabeça no meu ombro, suspirando.
— Temos que escolher um nome.
Assenti, observando o pequeno pacotinho enrolado na manta azul-clara.
— Ok. Vamos pensar em algo forte. Algo que faça sentido para ele.
Scarlet sorriu, empolgada.
— E quais são as suas sugestões, papai Wright?
— Bem... — Fingi estar pensativo, coçando o queixo. — Que tal Caleb?
Ela franziu o cenho.
— Hmm... gosto, mas não sei.
— E então, Ethan?
— Muito comum.
— James?
— Ian, você quer mesmo que nosso filho tenha um nome que soa como um banqueiro de Wall Street?
Revirei os olhos, rindo.
— Ok, ok. Sua vez.
Scarlet mordeu o lábio, olhando para o bebê.
— E se for Oliver?
Fiz uma careta.
— Não. Parece nome de escritor britânico do século XVIII.
Ela riu, balançando a cabeça.
— Ah, qual é. Oliver é um nome forte!
— É um nome de alguém que bebe chá com leite e usa colete o tempo todo.
Ela me bateu de leve no braço, rindo.
— Tá bom, então... que tal Noah?
Fiz uma pausa.
— Gosto. Mas falta alguma coisa.
Ela suspirou, apoiando a cabeça na minha.
— A gente nunca vai decidir.
Então, olhei para nosso bebê mais uma vez.
E, como se uma luz se acendesse na minha cabeça, falei:
— E se for Henry?
Scarlet piscou algumas vezes, processando o nome.
E então, algo aconteceu.
Nosso filho, tão pequenininho, abriu uma expressão quase sorridente, como se ele mesmo tivesse escolhido o nome.
Scarlet riu baixinho, seus olhos brilhando.
— Ele gostou.
Meu peito se aqueceu de amor puro.
— Então é isso. — Passei os dedos suavemente pela testa dele. — Henry Wright.
Scarlet sorriu, sua cabeça caindo no travesseiro.
— Eu adorei.
— Eu também.
Ela soltou um suspiro pesado.
— Você pode segurá-lo um pouco? Eu só... preciso descansar por alguns minutos.
Sorri e assenti.
— Claro.
Com todo o cuidado do mundo, peguei Henry em meus braços. Ele se encaixou perfeitamente contra meu peito, seu corpinho pequeno e quente.
Scarlet sorriu, seu olhar cheio de amor antes de se ajeitar na cama.
— Se ele chorar, me acorde.
— Não se preocupe, amor. Eu cuido dele.
Ela fechou os olhos, e eu fiquei ali, segurando a melhor coisa que já me aconteceu.
Olhei para Henry e senti uma onda absurda de amor e proteção.
— Sabe, carinha... você ainda não entende nada do que estou dizendo, mas um dia, eu vou te contar tudo.
Ele se mexeu um pouco, aconchegando-se melhor nos meus braços.
— Vou te contar como eu conheci sua mãe. Como eu me apaixonei por ela.
Passei um dedo pelo rostinho dele, sorrindo.
— Como ela era teimosa e fugiu de mim. Como eu fui atrás dela. Como eu sempre a amei, mesmo quando ela achava que não.
Henry resmungou baixinho, e meu coração derreteu.
— E também vou te contar sobre você. Sobre o quanto você foi desejado, o quanto nós te amamos.
Eu ri baixinho, balançando a cabeça.
— E vou te amar mesmo que um dia você bata meu carro, tire notas ruins na escola, ou risque todas as paredes da casa.
Scarlet, que parecia estar quase dormindo, sorriu de lado.
— Ele pode até bater o carro, Ian. Mas riscar minhas paredes? Isso não.
Eu gargalhei, beijando a testa do nosso filho.
— Ouviu isso, Henry? Sem arte na parede da mamãe.
Henry deu um suspiro profundo e relaxou ainda mais no meu colo.
E ali, sentado no hospital mais caro de Boston, segurando meu filho nos braços e com a mulher da minha vida ao meu lado...