09. SEM EXPLICAÇÃO

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                                           Ian

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Ian

Quando ela fechou a porta, sem explicação, sem por quê, deixando lágrimas caírem, apenas dizendo um breve "acabou... não dá mais", eu entendi que não foi verdadeiro. Entendi que tudo não passou de uma encenação. Chorei como um bebê naquele dia, e todos os outros depois daquele. Ela foi a única que amei... talvez realmente, na vida toda. Meu primeiro amor. Um amor desses a gente não deixa escapar assim, não é?

Eu faria de tudo por Scar, minha Scar.

Eu amava seu cheiro. Amava seu sorriso. Amava sua voz. Sua risada... ah, sua risada. A risada de Scar tirava qualquer um do sério.

Scar era como a lua, ela iluminava qualquer coisa. Quando conheci Scar, anos antes de finalmente ter a coragem de falar com ela, percebi que éramos diferentes, mas mesmo assim, bastante iguais. Ela era do grupo de teatro, gostava de poesia, eu era do futebol americano, mas amava filmes clássicos e frases de efeito. Eu amava esportes, Scar amava assisti-los, não perdia um jogo no colégio e eu duvidava muito que perdia algum da NFL. Dava pra ouvi-la conversando com Charlie quando ela ia no vestiário tirar fotos do anuário e ela sempre dizia o que havia acontecido no jogo anterior. Parecia um pouco perdida, o que depois de um tempo percebi ser algo comum em Scar, ela estava sempre tentando se encontrar, em tudo que fazia, em tudo que via, mas ela sempre fazia os outros se encontrarem ao mesmo tempo que fazia eles se perderem.

Ela foi minha perdição.

Eu odiava romance, ela amava, eu amava os beijos dela, estar pertinho dela, fazer coisas só para vê-la sorrir.
Eu deixaria tudo por Scar.

Mas no final, foi ela quem me deixou.

E eu nunca poderei saber por quê.

- Ela trocou de número - falei para Ryan, meu melhor amigo. Eu olhava para as garrafas de bebida vazias encima da mesa, achei que todo aquele álcool fosse me anestesiar... que idiota eu fui. Mais uma vez. A dor ainda estava ali, porque agora as memórias voltavam sem ao menos eu poder controlá-las.

Fechei os olhos com dor, com medo de deixar mais lágrimas caírem. Ryan já havia me visto chorar o suficiente.

- Você já está nisso há semanas. Já tentou ir na casa dela? - perguntou Ryan, afastando as garrafas vazias de mim.

- Já. Sempre que eu vou lá não tem ninguém. Ou pelo menos é o que parece.

Levantei a mão fazendo sinal para que o garçom trouxesse mais uma bebida.

- Ian... não acha que já ta bom? Porra... cara... eu não sei o que houve... eu... sério... não sou o cara que acredita em amor, ou nessas porras assim, mas eu achei que você e ela, sabe...? Fossem...?

- Valeu, Ryan, ta ajudando demais...

- Não, cara, calma! - ele disse, exasperado, passando a mão pelo cabelo. - Você não entendeu. Eu nunca te vi assim. E... eu já te disse, naquele dia, quando a vi, quando ela perguntou onde você tava, não era ela, sabe? Ela parecia nervosa, quase como se tivesse que tomar uma decisão. Ian... algumas coisas precisam acontecer... porque, não sei... talvez tenham que ser assim. Mas se você a ama tanto quanto eu to vendo que a ama... pode acreditar, mano, não acabou ainda.

- Ah, não? Ela se foi do nada...

- Ela deve ter um motivo... Ian, ela olhava pra você como se você fosse um Deus, cara...

Olhei para meu amigo sentindo meus olhos arderem.

- De novo, não ta ajudando.

Ele bufou e passou a mão pelos cabelos.

- Não acho que a forma que acabou foi certa. Mas acho que tudo tem um começo, meio e fim. E vocês dois mal começaram.

- Tenho medo de perdê-la... de nunca mais vê-la.

- Porra... eu odeio clichês... mas vou ter que ser agora... "se for seu, vai voltar".

Se eu tivesse que esperar 30, 40 anos pela Scar, eu esperaria.

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