"Eu havia imaginado aquele momento diversas vezes, tantas que eu mal pude contar depois que todos os dedos dos pés e das mãos já haviam marcado o número necessário e provavelmente o número aceitável para alguém sonhar com o homem que já fora tudo pa...
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IAN
A dor latejava no meu lado direito, irradiando com cada respiração que eu tentava puxar.
A enfermaria do estádio estava silenciosa, mas dentro da minha cabeça, o som da torcida do lado de fora ainda rugia como um trovão distante.
Eu não estava lá.
Eu não estava em campo.
E isso me matava.
— Você rompeu a cartilagem da costela. — A voz do médico soou firme, mas profissional. — É uma lesão dolorosa, mas sem fraturas ósseas. Você pode continuar jogando, mas... vai doer. Muito.
Minha mandíbula travou.
— Eu consigo voltar? — Minha voz saiu tensa, carregada de esperança.
O treinador, que estava ao meu lado com os braços cruzados, soltou um suspiro cansado.
— Não posso tomar essa decisão por você, Wright. Mas do jeito que você tá, cada passe que tentar lançar vai parecer que sua costela tá pegando fogo.
Minhas mãos se fecharam em punhos.
Esse era o jogo da minha vida.
A final.
O momento que eu sempre sonhei.
E agora... parecia que eu não ia conseguir terminar o que comecei.
Passei a mão pelos cabelos, frustrado.
— Ryan assume o comando do time.
O treinador assentiu, não parecendo surpreso com minha decisão.
— Ele vai dar conta.
Eu sabia que sim. Ryan era um ótimo jogador. Mas eu queria estar lá.
Eu precisava estar lá.
O treinador me deu um último olhar antes de sair, me deixando sozinho com minha derrota.
Fechei os olhos, sentindo a decepção pesar sobre mim como uma maldita âncora.
Eu falhei.
Falhei no que Scarlet sacrificou tanto para que eu conquistasse.
A ironia era sufocante.
Ela não contou sobre nosso primeiro filho porque sabia que eu queria estar exatamente onde estou agora.
E eu falhei.
Minhas mãos apertaram os lençóis da maca. A dor física era forte, mas a dor dentro de mim era pior.