37. O Jogo da Vida

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                       O Gillette Stadium estava lotado

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                       O Gillette Stadium estava lotado.

Cada assento preenchido, cada voz misturada em um turbilhão de energia e expectativa. As cores vibrantes do Boston Celtics contrastavam contra o vermelho e branco do time adversário, enquanto a torcida pulsava como um organismo vivo, pronta para testemunhar a final do campeonato.

E eu estava ali, no camarote da família dos jogadores, sentada com as mãos entrelaçadas no colo, sentindo cada fibra do meu corpo vibrar de nervosismo.

Essa não era apenas uma final.

Era o jogo que definiria o nome de Ian na história. Um jogo que poderia solidificar ainda mais seu legado como o melhor quarterback do time.

Meus olhos vagaram pelo campo. Lá estava ele.

Ian Wright, em sua jersey azul escura e prata, com o número 12 estampado nas costas, caminhando pelo gramado com a postura de um líder nato. Seus ombros largos, o olhar determinado, a confiança pulsando em cada movimento.

Respirei fundo, tentando acalmar meu coração acelerado.

Mas então, uma voz feminina e doce me tirou de meus pensamentos.

— Scarlet?

Me virei e, por um segundo, fiquei surpresa.

Diante de mim estava uma mulher linda, de olhos azuis brilhantes e cabelos loiros impecavelmente penteados. Ela vestia um casaco bege elegante e um lenço fino ao redor do pescoço. Ao lado dela, um homem de presença forte, alto, com o mesmo porte atlético de Ian, mas de olhos castanhos escuros e um olhar intenso.

Eu sabia quem eram antes mesmo que precisassem se apresentar.

Jennifer e Eric Wright.

Os pais de Ian.

— Oi... — minha voz saiu um pouco incerta enquanto me levantava.

Mas antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, Jennifer abriu um sorriso caloroso e me puxou para um abraço apertado.

— Finalmente estamos nos revendo, querida!

Minha respiração falhou por um segundo.

Quando ela se afastou, Eric me analisou por um momento antes de estender a mão. Seu aperto era firme, mas seus olhos carregavam um toque de gentileza.

— Scarlet, é um prazer finalmente reve-la.

— O prazer é meu, Sr. Wright.

Ele sorriu de lado.

— Eric. Me chame de Eric.

Assenti, sentindo o calor crescer no meu peito.

Eu não sabia o que esperar dos pais de Ian. Mas eles não pareciam apenas me aceitar, pareciam genuinamente felizes por me rever.

Nos sentamos juntos, e Jennifer logo puxou conversa.

— Ian sempre foi muito reservado quando se tratava da vida pessoal, mas uma coisa que sempre soubemos é que ele nunca superou você.

Minha garganta secou.

— Ele falava de mim?

Eric soltou um riso baixo.

— Scarlet, nosso filho fala pouco. Mas nunca precisamos perguntar para saber. Você sempre foi a exceção dele.

Meus olhos arderam levemente.

Jennifer tocou minha mão suavemente.

— É bom ver que ele finalmente conseguiu te trazer de volta.

Eu sorri, sentindo a emoção me invadir.

E então, os telões do estádio brilharam, indicando o início do jogo.

                                     🏈🏈🏈🏈

O jogo começou com um ritmo frenético.

Os Boston Celtics começaram com a posse de bola, e Ian já mostrava por que era o melhor quarterback do time.

Ele se posicionou, analisando o campo como um mestre estrategista. O relógio contava os segundos. O público prendeu a respiração.

Snap!

A bola foi lançada para as mãos de Ian, e ele recuou alguns passos, esquivando-se dos defensores que vinham em sua direção.

Seus olhos azuis varreram o campo rapidamente, encontrando seu recebedor em meio ao caos.

Lançamento perfeito.

A bola percorreu o ar como se tivesse sido guiada a dedo. Toque!

A recepção foi precisa. O jogador correu pela lateral do campo e...

Touchdown!

O estádio explodiu em gritos e aplausos.

Jennifer apertou minha mão, vibrando com a jogada.

— Ele nasceu para isso.

Eu sorri, meu coração pulsando forte de orgulho.

Mas o jogo estava longe de terminar.

O terceiro quarto do jogo começou e, apesar da vantagem de Boston, o time adversário não estava facilitando.

O placar marcava 24 a 17 para os Celtics, mas uma jogada errada poderia custar a liderança.

Ian se posicionou para mais uma jogada. Os olhos dele estavam afiados, calculando cada detalhe.

— Vamos, amor... — sussurrei para mim mesma.

Snap!

A bola veio para as mãos dele.

Os defensores foram para cima.

Ian tentou escapar, mas um jogador adversário veio com tudo pela lateral, atingindo seu lado direito com uma força brutal.

O impacto foi seco. Forte.

O estádio prendeu a respiração quando Ian caiu no gramado.

E não se levantou.

— Não... — Minha voz saiu fraca, o pânico se espalhando pelo meu corpo.

Lá embaixo, os treinadores e médicos do time correram para o campo, enquanto os jogadores ao redor pareciam incertos. O público estava inquieto.

Jennifer segurou meu braço, os olhos arregalados.

— Ele não tá levantando.

Meu coração disparou.

Os telões focaram na cena, mostrando Ian deitado no chão, segurando o lado direito do corpo, com uma expressão de dor intensa.

— Ian... — murmurei, sentindo o medo tomar conta de mim.

Meu corpo inteiro tremia.

Não podia ser sério.

Não agora.

O jogo parou. O estádio inteiro estava em silêncio.

E então, vi os médicos ajudarem Ian a se sentar. Ele tentou se levantar sozinho, mas cambaleou, segurando as costelas com uma expressão de dor.

Eles o ajudaram a sair do campo, e a torcida o aplaudiu de pé.

Mas para mim, nada parecia certo.

— Preciso ir até ele. — Me levantei de repente, meu coração martelando.

Jennifer assentiu rapidamente.

— Vamos.

E então, tudo o que importava era chegar até Ian.

Eu só precisava ver com meus próprios olhos que ele ficaria bem.

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