"Eu havia imaginado aquele momento diversas vezes, tantas que eu mal pude contar depois que todos os dedos dos pés e das mãos já haviam marcado o número necessário e provavelmente o número aceitável para alguém sonhar com o homem que já fora tudo pa...
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O estádio estava lotado. O barulho ensurdecedor dos torcedores vibrava no ar, criando uma atmosfera eletrizante que fazia cada célula do meu corpo se arrepiar. A adrenalina era palpável, e mesmo atrás das lentes da minha câmera, eu podia sentir a tensão do jogo.
Boston Celtics contra New York Giants.
Era um jogo crucial. O vencedor garantiria um lugar na grande final da temporada.
E Ian estava ali, no centro do campo, carregando o peso desse jogo nos ombros.
A partida começou intensa. Os Giants vieram com uma defesa agressiva, pressionando Ian a cada jogada. Ele estava sendo sacado mais vezes do que deveria, os bloqueios da linha ofensiva não estavam funcionando bem, e o time inteiro parecia um pouco desorganizado.
No placar, 14 a 0 para os Giants.
Meu coração apertou.
Eu não deveria sentir isso. Eu estava ali para trabalhar, para tirar fotos, mas eu não conseguia evitar torcer por ele. Por nós.
Ian se afastou para o banco por um momento, tirando o capacete, e pude ver a frustração estampada em seu rosto. Ele conversava rapidamente com o técnico, absorvendo instruções, mas algo em seu olhar mudou.
Eu conhecia aquele olhar.
Ele não ia deixar essa derrota acontecer.
Quando voltou ao campo, algo mudou no ritmo do jogo. Ele começou a se movimentar melhor no pocket, desviando da defesa, lançando passes rápidos e precisos. Aos poucos, os Celtics começaram a avançar no campo, cada jogada ganhando mais jardas.
Então, aconteceu.
Ian pegou a bola, fingiu um passe para a direita e correu ele mesmo com ela. Ele atravessou a linha defensiva, desviou de dois adversários e correu 40 jardas antes de mergulhar para dentro da end zone.
TOUCHDOWN!
O estádio explodiu em gritos.
Eu mal consegui segurar a câmera de tão rápido que meu coração batia. Ele fez aquilo parecer fácil. Mas eu sabia que não era. Ele estava jogando como um rei.
O time começou a ganhar confiança. A defesa dos Celtics se fortaleceu, impedindo os Giants de pontuarem novamente. Ian continuou liderando jogadas impecáveis, lançando passes certeiros, executando estratégias perfeitas.
No último quarto, faltando menos de cinco minutos para o fim, o placar estava 28 a 28. O jogo estava empatado.
A posse de bola era dos Celtics.
Ian pegou o snap, recuou rapidamente e analisou o campo. Ele viu um de seus wide receivers desmarcado na end zone e lançou um passe perfeito. A bola cortou o ar como um míssil e caiu diretamente nas mãos do recebedor.
TOUCHDOWN!
O estádio inteiro entrou em delírio.
O relógio zerou, o jogo acabou, e os Boston Celtics estavam na final da temporada.
Os jogadores correram para abraçar Ian, a torcida gritava seu nome, e eu não conseguia parar de sorrir enquanto registrava cada momento com minha câmera. Ele fez isso. Ele virou o jogo.
Enquanto os repórteres invadiam o campo, corri para pegar mais ângulos. Ian estava no centro da comemoração, mas logo um jornalista se aproximou dele com um microfone. O telão do estádio focou na entrevista, e todo mundo parou para assistir.
— Ian, uma vitória espetacular! Como se sente depois de levar os Celtics para a final?
Ele ainda respirava pesado, suado, os olhos brilhando de excitação.
— Estou muito feliz. Foi um jogo difícil, mas nunca desistimos. Esse time é uma família, e hoje mostramos do que somos capazes.
O jornalista sorriu.
— E agora, depois dessa vitória, como pretende comemorar?
Ian passou a mão pelos cabelos, um sorriso surgindo lentamente em seu rosto.
— Agora eu posso finalmente comemorar com a pessoa que eu amo.
Meu coração disparou.
Ninguém sabia de nós.
Para qualquer um, ele poderia estar falando de qualquer pessoa. Mas eu sabia que era de mim.
Meu peito se aqueceu, e um sorriso involuntário tomou meu rosto.
Mas então... tudo mudou.
Porque ela apareceu.
Megan.
Linda, impecável, como se soubesse que todas as câmeras estavam nela.
Ela surgiu do nada, deslizando até Ian como se aquela fosse sua posição natural. Ele arregalou os olhos ao vê-la ali, claramente surpreso.
E antes que ele pudesse reagir, ela pegou o microfone da mão do jornalista e, com um sorriso ensaiado, soltou a bomba.
— Bom, antes que Ian possa responder sobre os planos dele... acho que devo compartilhar essa notícia maravilhosa.
O estádio ficou em silêncio.
— Estamos esperando um bebê! — A voz dela ecoou pelo estádio.
O mundo parou.
Senti o sangue escoar do meu rosto.
Meu coração parou de bater por um instante.
O estádio explodiu em gritos e aplausos. O jornalista se virou, chocado, enquanto Ian ficou completamente imóvel.
Ele não sabia.
Estava claro no rosto dele.
Ele não fazia ideia.
E eu?
Eu senti tudo dentro de mim desmoronar.
A dor veio como uma lâmina afiada cortando meu peito. A câmera pesou em minhas mãos, e eu precisei morder o lábio para não deixar as lágrimas caírem ali mesmo, na frente de todo mundo.
O homem que eu amava.
O homem que, dias atrás, me prometeu um novo começo...
Ia ser pai de um filho que não era meu.
E, naquele momento, percebi a verdade mais cruel de todas.
Talvez eu nunca tivesse sido parte da história dele. Talvez eu tivesse sido apenas um capítulo... enquanto Megan sempre foi o final.