"Eu havia imaginado aquele momento diversas vezes, tantas que eu mal pude contar depois que todos os dedos dos pés e das mãos já haviam marcado o número necessário e provavelmente o número aceitável para alguém sonhar com o homem que já fora tudo pa...
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O primeiro sinal de que eu estava acordando foi a dor.
Uma dor leve, mas presente. Um desconforto na parte inferior do meu abdômen, um peso estranho nos meus membros. Minha cabeça parecia nublada, pesada, como se estivesse debaixo d'água.
Pisquei algumas vezes, tentando afastar a sensação de tontura. As luzes do quarto de hospital eram fracas, mas ainda assim incomodavam minha visão sensível. O som de uma máquina monitorando meus batimentos cardíacos ecoava suavemente pelo ambiente.
Onde eu estava?
Meu peito se apertou em um reflexo automático. O bebê.
Minha mão se moveu devagar até minha barriga, um medo irracional tomando conta de mim antes mesmo que eu pudesse raciocinar. Meu coração disparou.
Foi então que ouvi uma voz.
— Scar...
Meus olhos foram até a cadeira ao lado da minha cama.
E lá estava ele.
Ian.
Seus cotovelos estavam apoiados nos joelhos, a cabeça baixa, os olhos carregados de algo que eu não conseguia decifrar. Parecia devastado.
E então, ele segurou minha mão.
Minha respiração falhou.
— O que você...? — Minha voz saiu rouca e fraca, minha garganta seca como areia.
Ian me olhou com uma mistura de alívio e culpa.
— Você tá acordada.
Franzi o cenho, confusa.
— O que aconteceu?
Ele apertou minha mão entre as dele, sua pele quente contra a minha fria.
— Você passou por um susto, Scar. Mas agora tá tudo bem.
Tentei me lembrar, mas minha mente estava uma bagunça.
Aeroporto. Megan. Discussão. Um empurrão.
O sangue.
Minha respiração acelerou e minha mão apertou minha barriga com mais força.
— O bebê... Ian, eu... — minha voz começou a falhar, o pânico tomando conta.
— Ei, calma. — Ele passou a outra mão suavemente pelo meu cabelo, tentando me acalmar. — O médico já vem falar com você. Mas agora, você precisa respirar.
Respirei fundo, tentando me forçar a acreditar que eu ainda não sabia de nada. O medo me paralisava, mas antes que eu pudesse dizer algo mais, um movimento do outro lado do quarto chamou minha atenção.
Charlie.
Ele estava em pé, encostado contra a parede, os braços cruzados, apenas observando a cena em silêncio.