29. Verdades Entre Taças de Champanhe

727 38 1
                                        

                                            IAN

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.


IAN

O som da música eletrônica reverberava pelas paredes de vidro da cobertura, enquanto luzes suaves iluminavam o espaço, refletindo nas taças de champanhe e nos rostos de jogadores, modelos e celebridades espalhados pelo salão.

Megan havia se superado.

A festa estava impecável, luxuosa, do jeito que ela gostava. Do jeito que eu não me importava.

Meus olhos passearam pelo ambiente. Meus companheiros de time estavam lá, rindo alto, conversando com agentes e empresários que provavelmente estavam ali apenas para se aproximar de alguém influente. Alguns rostos famosos do esporte e da mídia também circulavam pelo salão, suas vozes se misturando ao som da música e ao tilintar dos copos sendo erguidos em brindes sem significado.

Mas não importava quantas pessoas estivessem ali.

A única pessoa que eu queria ver não estava.

Soltei um suspiro e tomei um gole do uísque na minha mão, sentindo o líquido quente deslizar pela garganta.

Scarlet.

Desde aquela noite no estádio, eu não a vi mais.

Eu tentei ligar, mas não tive resposta. Pensei em procurá-la, mas algo dentro de mim dizia que ela não queria me ver.

E, no fundo, eu sabia por quê.

Ela achava que eu tinha escolhido Megan.

E, por mais que eu não quisesse admitir... eu deixei que ela pensasse isso.

Me recostei no balcão do bar e massageei as têmporas, tentando ignorar a sensação sufocante no peito.

— Você tá parecendo um merda, Wright.

Levantei o olhar e vi Ryan se aproximando. Ele segurava uma cerveja e me olhava com aquele ar de superioridade que só um amigo de longa data consegue ter.

— Ótima festa, não acha? — ironizei, levantando meu copo.

Ryan soltou uma risada curta e se encostou ao balcão ao meu lado.

— Ah, sim. Nada melhor do que ver um monte de gente interesseira fingindo que se importa com você.

Revirei os olhos, e ele riu de novo.

— Agora falando sério, cara. Você tá um desastre. — Ele tomou um gole da cerveja e me analisou. — Por que tá aqui?

Soltei um suspiro longo.

— Porque Megan organizou essa festa, e aparentemente, eu sou o cara que deveria estar comemorando a paternidade.

Ryan ficou em silêncio por um momento antes de inclinar a cabeça para o lado.

— E por que parece que você tá no velório de alguém?

Fiquei em silêncio.

Ele bufou e passou a mão pelos cabelos.

— É sobre Scarlet, não é?

Minha mandíbula ficou tensa.

— Sempre foi sobre Scarlet.

Ryan suspirou, cruzando os braços.

— Então por que caralhos você ainda tá aqui?

Olhei para ele, confuso.

— O que quer dizer?

Ele virou a cerveja e bateu o copo no balcão.

— Quero dizer que você está preso em uma festa que não quer, rodeado de pessoas que não se importam com você, ao lado de uma mulher que, sejamos sinceros, não te ama de verdade.

O peso das palavras dele bateu forte.

Ryan não estava sendo cruel. Ele estava sendo honesto.

— E enquanto isso, a mulher que realmente ama você está do outro lado da cidade, sozinha, achando que você não a escolheu.

Engoli seco.

— Ryan...

— Escuta, cara. Eu conheço você desde antes da NFL. Sei o que você sente por Scarlet. Você pode tentar esconder, mas nunca conseguiu. Então me responde... — Ele se inclinou para frente, os olhos firmes nos meus. — O que você tá esperando para lutar por ela?

Minhas mãos apertaram o copo de uísque.

— Megan tá grávida, Ryan. Eu não posso simplesmente...

— Tem certeza?

Fiquei imóvel.

— O quê?

Ele deu um sorriso sarcástico.

— Só acho interessante que seus pais não estão aqui. Eles nunca gostaram da Megan, certo?

Assenti, franzindo a testa.

— Então por que eles simplesmente não apareceram para celebrar um neto?

Meu coração acelerou.

Eles também desconfiam.

Ryan deu um tapa no meu ombro.

— Você sempre soube a resposta, Ian. Só tava se recusando a enxergar.

Fiquei em silêncio.

Ryan se afastou um pouco, terminando a cerveja.

— Vai atrás dela, cara. Antes que seja tarde demais.

Olhei ao redor da festa, sentindo o peso de cada palavra dele.

Scarlet.

Eu precisava ir atrás dela.

Eu precisava tentar de novo.

Empurrei o copo para o lado e me levantei, decidido a sair dali. Mas então, no momento em que passei por um dos corredores da cobertura, ouvi a voz de Megan.

— Você não pode estar falando sério.

Fiquei imóvel.

A voz dela vinha de um dos cômodos ao lado, baixa, irritada. Dei um passo à frente e olhei pela fresta da porta. Megan segurava uma taça de champanhe, conversando com uma amiga loira que eu reconhecia vagamente de outros eventos.

— E quanto tempo você acha que vai conseguir esconder? — A amiga perguntou, cruzando os braços.

Megan soltou um riso debochado.

— Esconder? Não preciso esconder nada. Ian nunca vai pedir um exame de DNA. Ele é burro demais para isso.

Meu coração parou.

— Você tem certeza que isso vai dar certo? — A amiga perguntou.

Megan girou a taça na mão, seu olhar fixo no líquido dourado.

— Ele me deve essa vida. Você tem ideia do que eu teria que abrir mão se ele me chutasse? Eu nunca vou aceitar perder tudo que Ian tem a oferecer.

Senti o mundo girar.

Minha respiração ficou presa no peito.

Ela estava mentindo.

Ela nunca esteve grávida.

O copo de uísque caiu da minha mão e bateu no chão com um estrondo alto.

Megan congelou, sua cabeça virando lentamente na minha direção.

E então, nossos olhares se encontraram.

Eu vi o exato momento em que ela percebeu que tudo estava acabado.

E eu soube naquele instante que minha próxima parada não era mais um hospital para assumir um filho que nunca existiu.

Minha próxima parada era Scarlet.

The Quaterback Onde histórias criam vida. Descubra agora