33. A Verdade que Eu Nunca Quis Contar

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                          O som das sirenes da ambulância zunia nos meus ouvidos como um eco distante

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                          O som das sirenes da ambulância zunia nos meus ouvidos como um eco distante.

Meu corpo tremia. O ar parecia rarefeito. Cada respiração que eu tentava puxar vinha curta, instável.

Eu não posso perder esse bebê.

Meus dedos apertavam o tecido da maca enquanto a movimentação ao meu redor parecia acontecer em câmera lenta. Luzes piscavam acima de mim, vozes falavam rápido, mas eu não conseguia focar em nenhuma delas.

O gosto metálico do medo estava na minha boca.

— Scar! Fica comigo, por favor!

A voz desesperada de Charlie soou próxima, e então senti sua mão apertar a minha.

Meu olhar se moveu lentamente para ele. Ele estava ali. Ele estava aqui comigo.

— Charlie... — minha voz saiu fraca, quase um sussurro.

— Você tá bem, Scar! Você vai ficar bem! — Ele tentava soar firme, mas seus olhos estavam vermelhos de pânico.

Eu queria acreditar nele. Queria acreditar que aquilo não estava acontecendo de novo.

Mas então, senti mais sangue escorrer.

Uma nova onda de desespero tomou conta de mim, e meus olhos se encheram de lágrimas.

— O bebê... Charlie, eu não posso... — minha respiração ficou mais irregular, e um soluço escapou antes que eu pudesse segurar.

Charlie apertou ainda mais minha mão.

— Ei, ei, olha pra mim! Respira, Scarlet! Você tá indo pro hospital, os médicos vão cuidar de você!

Mas e se fosse tarde demais?

E se eu já estivesse perdendo a única coisa que me restava de Ian?

Meu corpo começou a tremer. O suor frio cobriu minha pele. O terror, o desamparo... era como reviver o passado.

A dor física era suportável. A dor emocional, não.

— Scarlet, eu tô aqui. Eu tô aqui, me escuta!

Charlie segurava meu rosto com as duas mãos agora, tentando me manter acordada.

— Aguenta firme, tá me ouvindo? O hospital já tá perto!

Mas a pressão no meu peito aumentou. Minha visão ficou turva.

E antes que tudo escurecesse, um nome escapou dos meus lábios sem que eu conseguisse impedir.

— Ian...

E então, tudo ficou preto.

                                      🏈🏈🏈🏈

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