28. O Dia em Que Tudo Desmoronou

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                 O mundo ao meu redor estava embaçado

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                 O mundo ao meu redor estava embaçado.

O cheiro forte de desinfetante invadia minhas narinas, a luz fluorescente do hospital queimava meus olhos, e o som abafado de vozes distantes parecia tão longe quanto eu me sentia naquele momento.

Eu estava deitada em uma cama fria, os lençóis brancos cobrindo meu corpo exausto.

E meu ventre...

Meu ventre estava vazio.

Meus dedos trêmulos deslizaram lentamente pela pele lisa abaixo do meu umbigo, tentando encontrar algum vestígio do que antes esteve ali.

Mas não havia mais nada.

Só o silêncio.

Só o vazio.

Fechei os olhos com força, tentando sufocar o soluço que ameaçava escapar da minha garganta. Mas a dor era maior do que eu. Maior do que qualquer coisa que eu já tivesse sentido antes.

A dor de perder meu bebê.

Aquela noite ainda estava fresca na minha mente, como um pesadelo do qual eu nunca acordaria.

Eu estava morando na casa da minha tia Cathy há algumas semanas. Desde que contei para o meu pai que estava grávida e vi sua expressão se transformar em algo que eu nunca esqueceria. Decepção.

Ele não gritou. Não quebrou nada.

Ele simplesmente parou de me olhar como sua filha.

Então, eu fui embora.

Minha mãe já não estava mais viva para me proteger da frieza dele, e eu não suportava dormir em um lugar onde eu era tratada como um erro.

Tia Cathy me acolheu. Não me olhava como se eu fosse um problema que precisava ser apagado.

E então, naquela noite, tudo aconteceu rápido demais.

Uma dor insuportável tomou conta do meu corpo.

Primeiro uma pontada leve, como se fosse um incômodo passageiro. Depois, outra, mais forte. E então...

Sangue.

Tanto sangue.

Eu gritei. Minha tia veio correndo, seu rosto pálido ao ver o estado em que eu estava. Ela pegou as chaves do carro e me levou às pressas para o hospital, enquanto eu tremia no banco do passageiro, segurando minha barriga como se pudesse impedir o inevitável.

Mas eu sabia.

No fundo, eu sabia.

Eu estava perdendo meu bebê.

O resto da noite passou como um borrão.

Os médicos, as enfermeiras, as perguntas que eu mal conseguia responder. O momento exato em que uma delas segurou minha mão e me disse, com a voz cheia de cuidado, que não havia mais nada que pudessem fazer.

The Quaterback Histórias para pegar e não largar. Descubra agora