Regina Mills
O almoço seguiu tranquilo. Fizemos comida para um batalhão, esse evento estava ficando maior do que eu podia esperar. No breve descanso que tivemos para organizar a cozinha e começar os preparativos do jantar, já que o café da tarde seria servido em breve, Emma precisou deixar a mansão dos Farrah, ela disse que tinha algo a fazer. Quando peguei o meu celular dentro da bolsa para ver se tinha alguma novidade, o aparelho estava pegando fogo. Dezenas de ligações perdidas e uma centena de mensagens. Tomara que não seja... tomara que não seja... é. É ele mesmo.
- Falando no diabo... Resmungo ao ver a ligação. Ficou esse tempo todo sem me ligar e agora não para, Robin ? Que evolução, hein?
- Concentrem-se no jantar, vamos fechar esse dia com chave de ouro! Jogo o celular dentro da bolsa e retorno para as meninas.
- Logo, logo esse pesadelo acaba!
- Tomara! Ouço a voz de Belle.
- Ah, olha quem chegou! Me jogo nos braços dela.
- Espera, o que é isso? Ela ignora o meu abraço e segura direto na minha mão, quase quebra meu dedo anelar e o levanta contra a luz.
-Uau!
- É bom te ver também, Belle. Ela concorda, ainda hipnotizada com o anel.
- Depois você vai me contar tudo sobre isso. Ela solta minha mão e ajeita os cabelos.
- Vim conferir se tudo está em ordem em quesito de ornamentação, luzes e se os violinistas têm tudo o que precisam.
- Violinistas? Cruzo os braços.
- Foi o que eu disse. Eles estão no contrato, não sei se você o leu. Depois das 18 até as 23, o som ambiente fica por conta de violinistas. Belle vigia toda a cozinha.
- Nossa, isso está impecável. Parabéns!
- É só o meu trabalho. Balanço os ombros.
- E a Zel?
- Ficou no escritório para resolver algumas coisas, disse que talvez não chegue aqui hoje. Mas nos vemos em casa, é claro.
- Certo. Não vou te atrapalhar com seus violinistas e tudo mais. A enxoto com as mãos.
- E o projeto de fantasma mal sepultado, onde está?
- Por aí. Boa sorte ao esbarrar com ele. Ajeito o avental e volto a gerenciar o trabalho das minhas habilidosas cozinheiras, dando-lhes suporte em tudo o que precisam.
Emma Swan
A campainha tocou. Saí da biblioteca, o celular em mãos para conferir por quantas andava o novo projeto e abri a porta sem prestar muita atenção.
- Você chegou rápido, Ruby. Entre, temos alguns detalhes a acertar. Retorno para a sala. Mas não sou acompanhada. Viro-me devagar e abaixo o celular. Não é Ruby, definitivamente. É a amiga de Regina, sua colega de casa. Zelena deve ser o seu nome, se não me engano. Aceno para a loira e ela sorri enquanto balança os braços na frente do corpo.
- Estava esperando alguém? Ela levanta a sobrancelha e só depois que entra eu entendo que esse foi o gesto para "eu posso?"
- Na verdade, sim. Ruby, uma amiga. Escoro-me na parede e a assisto fechar a porta e vir até mim. - A que devo a honra? Zelena caminha devagar e assim que chega diante de mim, levanta a mão com o celular. Fico imóvel, vendo a tela do aparelho do lado do meu rosto.
- O que é isso? Jeito novo de fazer tomografia?
- Eu sabia que seu rosto me era familiar. Ela sorri.
- Familiar? A ruiva vira o celular em minha direção e mostra uma foto. Uma foto minha, pelo menos seis ou sete anos atrás, ao lado do meu pai.
- Vocês têm os mesmos olhos. Ela analisa.
- É claro, nessa época você não usava essa cor, nem tinha o cabelo tão comprido. E também não era tão... Ela passa a mão pelo meu ombro.
- musculosa. Ela sacode os ombros. Preciso anuir com cuidado e examinar bem o que ela quer com tudo aquilo. Não irei mentir, não é do meu feitio. E surpreendo-me que não fui descoberta antes.
- Emma Farrah! Ela me chama.
- Eu não uso mais esse nome.
- Mas ainda é o seu nome. Ela me analisa.
- Agora eu entendo tudo. Ou quase tudo. Você ser rica... morar aqui do lado... esse bairro todo
ser praticamente seu... seu interesse em destruir o casamento da sua irmã... Um pouco mais séria do que de costume, mas interessada pelo que Zelena tem a dizer, indico o sofá para que ela se sente. E ela não espera nem mesmo mais um segundo, anda toda rebolativa e senta devagar, ainda me examinando.
- Você está enganando a Regina? Ela pisca os olhos com demora.
- Enganando? Em que sentido?
- Está se aproveitando dela? Ela é bem mais enérgica e seu olhar é desafiador.
- Regina e eu temos interesses em comum. E ela me chamou para destruir esse casamento, independente de quem eu sou ou dos meus interesses pessoais. E aceitei. Isso é tudo. Zelena passa a língua pelos lábios e confere algo no celular.
- Você era o rosto da Farrah. Como fui tola! Pesquisei tudo sobre essa empresa e sua família, mas você me passou despercebida... também... Ela me olha dos pés à cabeça.
- Não tem como não ficar hipnotizada, se é que você me entende. Aceno sutilmente com a cabeça e me sento na poltrona, de frente para ela.
- E o rosto da Farrah... A mulher que erigiu o império... foi destituída. E substituída pelo menos umas quinze vezes nos últimos cincos anos e... ao que tudo indica, chegou a vez do Robin . Foi você quem derrubou todos os anteriores, não foi? Pode dizer para mim, Emma. Sorrio e cruzo as pernas.
- Olha só para você... você é ardilosa. Gosto disso.
- Metade deles não caíram. A informo.
- Saíram de livre vontade, porque não queriam fazer o jogo sujo que o meu pai lhes ordenou. E a outra metade se sujou a ponto de precisar sumir do mapa. É o que digo.
- Não tenho nada a ver com isso. No passado eu estive sim, obcecada pela empresa, porque eu fui responsável pela ascensão dela. Mas hoje...
- Emma... Ela parece desconfiar da minha versão. Mas é a verdade.
- Eu estive em Nova York, a maior parte do tempo. Mas era um lugar muito caótico para o Henry, então resolvi retornar para as minhas origens. Abro os braços e indico a casa.
- O casamento da minha irmã foi um dos motivos que me fez ficar em Miami de vez. E recentemente, quando Regina me pediu para destruir o casamento de Robin e Elsa, eu pensei: espera. Eu conheço esses nomes... Zelena concordou.
- Mas você ainda está omitindo alguma coisa. Ela volta a me analisar.
- Não me entenda mal, Emma. Eu só quero saber se você está aqui para machucar a minha amiga, e... Ela pousa o celular no colo e passa as mãos pelo vestido.
- Eu juro por Deus, se mais uma pessoa ousar fragilizar a Regina Maria, eu sou capaz de mata-la com as próprias mãos. Concordo com ela. Temos algo em comum, pelo visto.
- Não me entenda mal, Zelena. As minhas intenções para com a Regina são as mesmas que as dela para comigo. Eu sou recíproca e verdadeira. O que ela quer, eu quero em dobro.
- É que... Zelena cruza as pernas.
- Você tem muito dinheiro e é bastante misteriosa. Mas eu moro ali do lado e sou louca, o que não tenho em dinheiro, compenso com o ódio que nasce de mim nos dias da TPM.
- O que isso quer dizer? Seguro o riso.
- Não tente nada contra ela e estaremos bem. Só não a machuque e eu não irei aparecer na sua porta com um machado. Ela sorri docemente.
- Já disse que a minha intenção não é machucá-la. Zelena se levanta com o mesmo sorriso que vi quando a conheci em sua casa e anda em direção à porta.
- Desculpe-me por tudo isso... Ela limpa as mãos no vestido.
- É que me disseram que você é perigosa.
- Obrigado por sua sinceridade. Abro a porta para ela.
- Mas a pessoa que te contou isso, estava certa. Encaro-a no fundo dos olhos.
- Eu sou mesma, muito perigosa. Para ela e para a família dela. E por isso ela fez a sua cabeça para que você viesse até mim, é como um recado, e eu recebi. Zelena sabe bem do que estou falando e eu não precisarei explicar mais do que isso. Gabriela acha que pode me enfrentar?
- Ela vai receber o meu recado em breve também. Me despeço da vizinha.
Regina Mills
- Você não vai mesmo atender às minhas ligações? Robin rosna em minhas costas. Não vou mentir, levei um susto. Mas pensei que ficaria arrepiada ou até mesmo apreensiva com a situação..., mas não. Parece só uma mosca chata azucrinando em meu ouvido.
- Vai me ignorar agora pessoalmente também?
- Você não pode entrar na cozinha sem uma touca. É o que digo, sem sequer olhar para trás. Em resposta ele me tira do lugar. Agarra meu braço com força e me arrasta para fora da cozinha, no grande salão de eventos vazio. Quando Robin solta o meu braço, vejo a marca vermelha de suas
mãos nele.
- O que aconteceu com você? Perdeu a cabeça? Eu não vou te dar as respostas, querido. Encontre-as sozinho, você é um homem crescido e já não precisa de alguém para trocar as suas fraldas.
- Não vai me responder? Ele rosna.
- Se você não tirar esses dedinhos de mim, eu irei tirá-los de você. Digo pacientemente, olhando-o no fundo dos olhos. Robin respira fundo, mas seus olhos ainda estão vermelhos. Ainda assim, ele me solta e se afasta um pouco.
- O que você está fazendo aqui? Bufo, estressada.
- Eu já te disse. Estou trabalhando para o casamento! Digo com simplicidade. Ele balança a cabeça de um lado para o outro, desgostoso.
- É assim que me agradece? Ele rosna e avança com o rosto para cima de mim.
- Pelo quê?
- Tivemos o melhor final de semana da sua vida! Foi isso o que você disse! E aí você decide simplesmente invadir o meu mundo e a minha privacidade? Você não faz ideia do que está acontecendo aqui!
- Um casamento. Pisco os olhos, devagar.
- É. É um casamento. Ele suspira.
- Mas eu não a amo. Eu amo você! Ele segura nas laterais do meu rosto e me olha com demora.
- Você não entende? Como pode ser tão burra? Estou fazendo isso por nós dois, Regina. Esse é o nosso passaporte para o mundo dos ricos. Depois disso, você nunca mais vai precisar trabalhar!
- Eu gosto de trabalhar. Me desvencilho do toque dele.
- Você acha que mulheres com a Elsa trabalham com isso? Na cozinha? Servindo?
- É o que eu amo fazer.
- E eu te amo, porra! Mesmo assim, não dá para viver de amor. Às vezes é preciso sacrificar o amor para ter sucesso e é isso o que estou fazendo. Por você, por mim, por nós dois, Regina. Depois desse casamento, as nossas vidas não serão mais as mesmas...
- Não mesmo.
- Você vai viver bem, como uma rainha. Sem precisar trabalhar um dia sequer em uma pequena empresa que vive para dar felicidade e satisfação. E a sua felicidade e satisfação? É nisso o que estou pensando. Eu te prometi, você se lembra? Eu vou te dar o mundo.
- Eu não quero o mundo, obrigada. E eu mesma posso me preocupar com a minha felicidade e satisfação, Robin , novamente, obrigada. Agora, se isso é tudo... Me despeço dele. Tipo: "fala aqui com a minha mão, seu babaca".
- Eu entendi. Ele balança a cabeça num gesto positivo.
- Você tem outro. Ele comprime os lábios e no avanço que faz em minha direção, eu dou uma joelhada na virilha dele.
- Eu posso explicar. É a minha vez de dizer. Dou um passinho para o lado e deixo ele se contorcer o quanto quiser de dor.
- Eu não acredito que você é uma puta egoísta que só pensa em você. Não acredito que estou perdendo tempo vindo aqui explicar...
- Se já acabou, a puta egoísta precisa trabalhar. Robin levanta a cabeça, furioso. E, bebê, não importa quantas vezes ele vai se levantar, mas quantas vezes eu irei derrubá-lo. Acho que essa era uma frase de autoajuda, mas acabei de deturpá-la em graus que a vã filosofia não alcança.
- Depois que tudo isso acabar, Regina, você vai entender. E vai voltar para mim. Vai perceber que nada vai mudar, vamos continuar os mesmos e vamos ser os mesmos. Agora ele me assustou com essa ameaça. Não. Não! Mil vezes não! Se nada vai mudar... se vamos continuar e ser os mesmos... eu prefiro é morrer. Se fosse para ser a mesma, sempre, eu tinha nascido estátua de gesso ou pintura em tela. Eu quero é mudar, aprender, quebrar a cara e nunca mais errar.
- Você sabe disso, estou vendo em seus olhos. Ele afirma com alguma serenidade que lhe resta após ter um dos ovos feito de omelete.
- Eu te conheço, Regina. Eu te conheço. Eu estive com você nos bons e nos maus momentos. Eu gostei de você quando ninguém mais gostava, porque você não era bonita. Ele se ergue, tentando uma pose majestosa, mas a dor no saco vai impedi-lo por mais alguns minutos.
- Você é um babaca. Concluo. Não posso esconder de mim mesma que me sinto acuada e até violada ao ouvir ele dizer isso. Mas não darei o gostinho de que ele perceba.
- Não importa se você está com uma roupa bonita ou cabelo diferente... se está com uma maquiagem melhor ou tira foto com caras boa pinta. Ele me julga com o olhar.
- Você ainda é aquela menina que eu conheci. Quase uma caipira, que precisa de ajuda, de alguém para te guiar nesse mundo dos tubarões, onde os maiores comem os pequenos. E você sabe que esse cara sou eu.
- Ok. É o que digo.
- Ok? Ele pergunta, confuso. Já repararam que "ok?" responde basicamente a qualquer pergunta
ou afirmação? Seja uma ofensa ou elogio, seja um comentário ácido ou provocativo. "Ok" responde.
Seria um sim? Seria um não? Seria um talvez? O "ok", na verdade, quando bem usado, e isso depende muito da entonação da voz e do balanço da cabeça, tem um propósito pedagógico muito importante para os tempos atuais. Onde somos absolutamente digitais e vivemos à mercê de comentários que não pedimos, seja em nossas fotos, nossas opiniões ou em qualquer divagação que cause estranheza para pessoas que não aceitam uma visão contrária à delas. O-k-a-y. Também conhecido na vida real como: visualizado e não respondido.
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Show de vizinha
HumorRegina Mills sempre corre atrás do que quer. Ela batalhou muito para ter a sua pequena agência de eventos em Miami e um relacionamento de dez anos com Robin Hood, coisas das quais ela se orgulha muito. Até que após um incrível final de semana com se...
