Regina Mills
Algumas semanas depois.
Assim que o despertador toca eu já me coloco de pé e vou ao banheiro tirar a cara amassada e fazer minhas higienes. Ao retornar para o quarto, escancaro as cortinas e vejo, na janela da mansão ao lado, Emma Swan. Ela está com seu roupão azul marinho, os cabelos assanhados e os seios à mostra.
— Isso aqui é uma vizinhança de família! A repreendo assim que ela atende o celular.
— Estou sentindo calor. Ela se abafa e afasta o roupão dos ombros, deixando-o descer pela sua cintura.
— Quer vir aqui? Tomar um café, umas palmadas na bunda, um banho?
— Aceito tudo. É o que respondo porque não sou nem doida. Quero dizer, doida eu sou, só não perdi o juízo.
— Chego aí em um minuto! Me visto adequadamente para encontrar a minha show de vizinha, ou
seja, coloco um short jeans bem surrado e uma camisa larga por cima, amarro os cabelos e um calço all stars antigo.
— Que linda a minha amiga! Para onde vai? Zel me interpela
antes de sair.
— Emma e eu vamos acompanhar o Henry hoje em uma pedagoga.
— Ah! Que legal! Ele está melhor?
— Cada dia melhor. E você, Zel, o que vai fazer?
— Eu não sei. Ela suspira.
— Há tanto tempo que não sei o que é tirar férias... só consigo pensar em números, quando na verdade deveria estar deitada relaxando...
— Você vai ter muito tempo para pensar em números, contratos, novos eventos... e tudo vai ser maior e melhor a partir de agora!
— Deus te ouça, Regina Maria! Ela pousa a xícara na mesa.
— Ah! A Emma pediu para te avisar que amanhã sem falta iremos conferir os novos locais da Sweet Show, ok?
— Pode deixar! Me despeço e saio de casa, em direção à mansão ao lado. Passo pela cerca branca, toda animada e chego na porta o mais rápido que posso. Pelo caminho não deixo de notar que o jardim está impecável e pelo visto as formigas estão a todo vapor por ali.
— Você não é o Vincent. Henry abre a porta e fita meus pés.
— Graças a Deus. Dizemos juntos. Eu segurando o riso e ele espantado.
— Você está esperando o Vincent?
Henry afasta os dedos livres da porta, o outro braço está engessado e devidamente decorado com formiguinhas, eu mesma as desenhei. Antes ele parecia desconfortável e queria tirar a todo custo o gesso, então pensei rápido nisso e pintei com uma canetinha. Ele dá meia volta e entra quase que dando saltinhos no chão. Fecho a porta quando entro e antes que eu me sento à mesa, vejo Emma descer as escadas. Está com uma camisa branca de mangas longas e uma calça azul marinho, o cinto e os sapatos são de uma caramelo escuro muito bonito.
— Que bom vê-la tão cedo! Ela passa por mim e me dá um beijo na testa, depois nos lábios.
— Dormiu bem?
— Depois que você saiu de madrugada, sim. Emma coloca uma leiteira com água no fogo e puxa o termômetro do armário.
— A propósito, você não apenas desmontou a minha cama. Você a quebrou mesmo! Cruzo os braços. — Ela era uma relíquia, Emma!
— Eu te compro outra.
— Ah, é assim? Você simplesmente vai... comprar outra? Não devem fazer mais camas assim hoje em dia.
— Mando para uma carpintaria. Ela é tão prática que me deixa sem graça.
— Henry? Ela precisa chamar o filho pelo menos umas quatro vezes, até que o pequeno aparece com seus abafadores de ouvido, o ajudo a sentar na cadeira.
— O que você vai fazer hoje, Henry? Pergunto.
— Fomigas. Ele pisca os olhos e aguarda o achocolatado.
— Ah, então vai ser um dia incrível! Mostro minha animação para ele.
— Todo dia fica incrível por causa das formigas, não é, Henry?
— Fomigas. Ele diz. Não esperava outra retórica dele. Nós três tomamos café da manhã, Emma e eu conversamos coisas corriqueiras da vida e Henry nos pergunta sobre palavras que usamos e ele não sabe o que significa. Passamos o resto do dia observando como ele se adapta às suas novas professoras. No início ele é indiferente, mas depois, quando elas pedem que ele faça atividades relacionadas a aquilo que ele gosta, Henry se ocupa na tarefa. E em alguns momentos não aceita que a tarefa acabe, ele gostou tanto da ideia de pintar ilustrações de formigas que queria continuar a pintar
mesmo sem espaço para qualquer outra cor ou risco. Na volta para casa, Emma para em um parque. Descemos para assistir o crepúsculo e caminhamos pela grama, Henry sai disparado na frente com sua lupa.
— Obrigado por vir comigo.
— É o mínimo que posso fazer, Emma. E é tão divertido ver o Henry em ação, até eu fico fascinada quando algo o interessa e ele se joga de cabeça para fazer as coisas...
— Preciso dizer que isso também acontece comigo. Ela diz e acabamos rindo juntas.
— Quando ele fica instigado por algo eu fico imediatamente também. Mas o que você acha dele ir para a escola e ficar sem minha supervisão por boa parte do dia? Pergunta difícil...
— Acho que ambos precisam de um espaço de ausência para sentirem saudades um do outro. Faço um bico.
— É um bom ponto. Emma me abraça pelo ombro. Continuamos a andar calmamente enquanto Henry está todo agitado.
— Mas tudo vai acontecer no tempo certo, não? Primeiro ele vai aprender em casa... depois começará a ter aulas particulares na casa das professoras... até que um dia ele irá para uma escola e vai conhecer um monte de Vincents. Não consigo conter as gargalhadas no fim.
— Ele vai passar cola nos abafadores de ouvido e nunca mais vai tirá-los. Emma conclui.
— E como estão a Cora e a Helena?
— Estão ótimas, não veem a hora de voltar para Miami e me ajudar com a nova fase da Sweet Show. Eu já disse que elas não precisam... mas algo me diz que elas não querem ficar longe de mim.
— Você gosta daqui? Ela me pergunta.
— Gosto, é claro.
— Podemos abrir uma filial em Nova York, se você quiser. Isso é verdadeiramente muito tentador... fico até sem palavras para respondê-la... Emma é quem cuida das finanças da Sweet Show agora e ela não precisa surtar igual a Zelena, já que dinheiro não é um problema.
— Eu gosto daqui. E principalmente, gosto muito de estar com você aqui. Pisco os olhos. Emma e eu paramos, ela se vira para mim. Passa as mãos pelos meus ombros, desce para os braços.
— Também gosto muito de estar com você. Em qualquer lugar. Converse com a sua família, se eles quiserem se mudar para cá, eu arranjo um emprego para os seus irmãos... e uma mansão para eles morarem, também. Assim como se você quiser ir para Nova York... bem... talvez eu precise me mudar também.
— Por que não vemos como a Sweet Show fica após todas essas mudanças e quando tudo estiver estabilizado e devolvermos o seu investimento...
— Não tenha pressa...
—... aí pensaremos nisso. Ok?
— Ok! Emma aproxima seu rosto do meu e me beija devagar. Apreciamos o momento do anoitecer uma junto da outra, nossos corpos colados, nossos lábios se tocando e os corações a todo vapor.
— Onde está o Henry? Murmuro.
— Henry! Emma sai correndo atrás do filho. No fim da noite, Henry diz para que eu entre, pois ele tem uma surpresa para mim. Vamos juntos para o seu quarto e vejo que tudo por ali mudou. Já não há mais o grande aquário que ficava nele, em vez disso, o quarto todo foi redecorado para parecer um formigueiro.
— Que bonito, Henry! Olho ao redor. Ele vai até a cama, pega uma caixa e me entrega.
— O que será isso? — Pergunto.
— Fomigas! — Ele diz animado. Como assim? Ao abrir a caixa vejo um pijama de formiga do meu tamanho, e esse tem um rabão igual o que Henry usa.
— Que legal! Eu adorei o presente! Obrigada! Henry vai até o armário e tira o seu pijama e me mostra.
— Sim, eu sei que você tem um também! Que legal! Ao sair do quarto, me deparo com Emma no corredor, usando o mesmo pijama.
— Meu Deus! Que susto! Já pensou se elas fossem tão grandes assim? Levo a mão ao peito. Henry se tranca no quarto pelo tempo necessário para sair devidamente vestido com seu pijama. Ele sai às pressas pelo corredor e depois volta, balançando a traseira do pijama para lá e para cá.
— O que foi? Pergunto quando ele fica olhando para mim.
— Acho que ele está esperando você vestir. Emma sugere.
— Agora? Henry faz que sim. Tudo bem... Entro no banheiro e coloco o pijama por cima da roupa, já que esfriou um pouco mesmo e isso vai me deixar quentinha. E é também bastante confortável, sinto como se estivesse devidamente abraçada ao melhor cobertor do mundo.
— Tcharam! Saio do banheiro e balanço o meu rabo de formiga. Henry começa a pular no lugar, muito animado, a mãe precisa contê-lo para que não caia e machuque o braço.
— Ótimo! Agora que estamos todos devidamente prontos, vamos jantar! Emma nos chama. E é no fim dessa noite que eu percebo que tudo mudou. Não apenas em minha vida ou na vida de Emma, mas em nossas vidas em conjunto. Tola que fui, eu busquei amor em alguém que não queria me oferecer. Daí descobri por acaso que aqui havia amor em excesso para dar e receber.
— Por que esse sorrisão, Henry? Pergunto a ele, nunca o vi tão animado e social. Henry aponta para si, para a mãe e para mim.
— Estamos os três de fomiga, não é? Começo a rir.
— Família! Ele diz.
— Nós três.
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Show de vizinha
HumorRegina Mills sempre corre atrás do que quer. Ela batalhou muito para ter a sua pequena agência de eventos em Miami e um relacionamento de dez anos com Robin Hood, coisas das quais ela se orgulha muito. Até que após um incrível final de semana com se...
