Emma Swan
Essa mulher é estranha. Chegou ontem na porta da minha casa e depois sumiu quando entrei para pegar uns lenços para ajudá-la. Ela também não desvia do meu olhar quando estamos tão perto uma do outra... e Henry que até ontem à noite se mostrava avesso a qualquer contato humano que não o meu, ficou mais de cinco minutos segurando a mão dela. Regina. Uma moça muito peculiar e estranha e que roubou minha atenção.
— Vamos levar as formigas para casa, filho? Pergunto após ajudar Regina a limpar o chão e colocar açúcar e formigas dentro de uma pequena caixa. Henry faz que sim e segura bem firme em minha perna ao me ver pegar a caixa.
— Ela. Ele aponta para Regina.
— Você quer que a Regina leve as formigas de volta para nosso jardim? Me agacho e fico bem perto do rosto dele.
— Regina. Ele diz.
— Estou feliz que agora ele fala até o meu nome! Regina acena para Henry que a assiste, sem emitir emoção alguma, e assim que eu entrego a caixa nas mãos dela, ele sai na frente. A cada passo ele se curva, examina o chão com a lupa e diz para as formigas:
— Casa! E aponta para fora. E assim, em marcha lenta e contando os passos, retornamos para a mansão. O que me dá mais tempo para conversar com a vizinha.
— Você está bem mesmo? Não se machucou sério ontem? A pergunto.
— Ontem não. Mas hoje... Ela diz bem humorada e mostra o dedo que cortou, pelo visto, há pouco.
— Não deve ser tão grave. Paramos e eu seguro em seu dedo.
—Assim que chegarmos em minha casa eu higienizo e coloco um curativo.
— Não precisa se preocupar.
— É o mínimo que eu posso fazer. Regina e eu novamente não paramos de nos encarar. Ela parece querer dizer algo e eu estou bastante ansiosa do que pode sair da mulher que enfeitiçou meu filho e até segurou na mão dele por mais de cinco minutos. Nem eu mesma consigo tal proeza quando ele está acordado, dois minutos é o meu recorde.
— Casa! Henry puxa minha calça e aponta ferozmente para onde deveríamos ir.
— Desculpa aí, campeão, paramos só por um segundo, já íamos te alcançar! Respondo de bom humor. Henry vai na frente, a cada três passos ele olha para trás para garantir que o estamos seguindo.
— Sequer poderia imaginar que você teria um filho... Regina se diverte.
— E eu não poderia imaginar que teria uma vizinha tão encantadora. Retruco.
— Mas, por que a surpresa? Ela fica ruborizada e abaixa o rosto.
— Você é tão... jovem, para ser mãe...
— Ah, tem uma idade mínima agora? Devolvo, com bom humor.
— É, você está certa. Na vida é assim, as coisas acontecem e a gente precisa se virar. Regina sorri.
— Você é das minhas — concordo com tudo o que ela diz.
— E como é ter um filho autista? Em outra época eu pensaria por minutos para poder responder aquela pergunta. Mas a verdade era só uma:
— Incrível. A reação de Regina foi impagável. E diferente da de todas as outras pessoas que me ouviram dar essa resposta. Afinal de contas, não é todo dia que uma promissora CEO que dirige a empresa bilionária da família decide largar absolutamente tudo para não perder um segundo sequer do filho, dos primeiros passos e primeiras palavras, até vê-lo segurar a mão de uma completa estranha em tempo recorde.
— Que lindo! Você é uma caixinha de surpresas, Emma.
— Eu sou? Tive de rir.
— Devo ser, sim... mas é realmente incrível. A outra mãe do Henry morreu no parto e eu sou tudo o que ele tem. Então decidi que ele também seria tudo o que eu tenho. E assim vivemos bem, os dois juntos. A reação de Regina me surpreendeu de fato. Ouvi sermões, cansei de ser repreendida porque estava “jogando fora minha vida e carreira. E a Forbes? E o meu nome nos 100 nomes mais influentes dos Estados Unidos da América? E o meu legado?” Estava ali, ó, o meu legado. E depois de estar no topo, sentar com os grandes e conhecer as grandes maravilhas do mundo, posso dizer sem pestanejar: não há nada mais precioso do que aquele garotinho. Ele significa o mundo para mim.
— Casa — Henry nos vigia passar pela cerca e nos indica onde devemos deixar a caixa. Regina cuidadosamente a coloca no chão e o meu pequeno encara a vizinha com os olhos bem grandes e chamativos, não diz absolutamente nada, não sorri, não acena. Mas a olha sem piscar por cinco segundos inteiros, porque ela se tornou digna de sua atenção. E devo confessar, se tornou digna da minha atenção também. Então ele se senta e devolve as formigas para o lugar certo: o formigueiro. Ah, ele também tem um aquário realmente grande de formigas no quarto, na sala de brinquedos e biblioteca. Mas o jardim é a sua parte favorita. Ele não gosta muito de se sujar, detesta areia, lama, a grama ..., mas pelas formigas, esse herói faz qualquer coisa.
— Eu não vou tirar os olhos dele, vai lá cuidar da vizinha. Ruby diz. Até havia esquecido que ela estava ali. Viro-me em sua direção e com o dedo indicador e do meio abertos, aponto-os para os meus olhos e direciono-os para o meu filho.
— Não deixa ele sair daí. Rosno.
— Confia em mim, irmã. Qual foi a última vez que falhei contigo?
— Você quer em ordem alfabética ou por ordem de ódio mesmo? Volto a rosnar. Ruby não trancou a porta e por isso Henry saiu, não tem outra explicação. E ela ainda iria ouvir bastante por causa disso!
— Deixa eu ver esse dedo. Seguro na mão de Regina e a direciono para dentro de casa.
— Não parece ter sido nada, mas vamos limpar isso.
Regina Mills
Entramos na mansão de Emma e sinceramente? Nada desses móveis caros ou a arrumação impecável me interessou. Só ela com a mão forte segurando na minha e examinando o meu dedo com atenção.
Tê-la assim, tão perto de mim, foi uma sensação acalentadora e me senti bem especial. Até parece que o muro de desconhecidos ou apenas vizinhas foi derrubado e agora podíamos até nos dar apelidos.
Levei um susto quando percebi que ela ia quase me pegando no colo e me sentando no balcão da cozinha. Me encolhi e me afastei, um tão surpresa.
— Força do hábito. Ela balançou os ombros.
— Henry se machuca bastante e toda vez que pego a mala de primeiros socorros, em seguida o pego no colo e o sento no balcão. Foi mal.
— Ah, tudo bem. Foi o que eu disse. Mas o que eu queria dizer mesmo era: pois o que está esperando para me pegar no colo e me sentar no... Após higienizar e fazer o curativo em meu dedo, Emma escorou os cotovelos no balcão e levantou os olhos penetrantes em direção aos meus.
— Vai me dizer o motivo de ter vindo aqui ontem?
— Hum... não sei... estou um tanto apreensiva e tensa a respeito disso. E ontem eu caí em cima do seu lixo e fiquei cheirando muito mal. Espremi os olhos e pedi a Deus que um buraco se abrisse no chão para eu entrar, de tanta vergonha. Ao abrir os olhos, quase dei um salto para trás. Emma estava
novamente a poucos centímetros de mim. Seu nariz subiu do meu tronco até meus cabelos.
— Está cheirando muito bem agora. Ela concluiu e sorriu. Aqueles malditos dentes brancos enfileirados, caninos afiados, um sorriso que certamente chamaria a atenção em capa de revista. Aliás, Emma me parecia muito familiar, mas eu não conseguia imaginar de onde eu a conhecia... ou se era só coisa da minha imaginação mesmo...
— Você também cheira bem. Balancei a cabeça positivamente. A cretina não apenas sorriu. Ela não apenas fez a cara de “eu sei que você me quer”. Ela veio para cima de mim e deixou o pescoço à minha mercê para que eu sentisse seu cheiro. Que maldita! O que ela estava achando? Que eu era alguma garota barata? Que cairia nesses truquezinhos idiotas? Que eu não me daria ao respeito e iria
cheirá-la?
— Meu Deus, qual é esse perfume? Funguei bem forte no pescoço dela e ainda passei os dedos pela pele. Uma pele macia, quente, tão firme e...
— Não foge do assunto. Ela virou o rosto de supetão, o que parecia ser um hábito que ela gostava.
Nossos narizes novamente se tocaram e trocamos um pouco do ar dos nossos pulmões. Agora acho que somos íntimas o suficiente para tomarmos um banho. Será que ela tira minha roupa ou eu mesma faço?
— Você vai me achar estúpida e vai ter medo de mim. Comprimi o lábio. Tive até a impressão de que ela fez um bico para deixar aquela boca carnuda um pouco mais próxima da minha. É sério, essa mulher está fazendo um jogo comigo...
— Eu gosto das malucas. Me conta. Ah, ela gosta das malucas? Então ela vai me a-m-a-r!
— Quero te convidar para um casamento. Fui curta e direta.
— Nossa, mas nem me pagou um drink primeiro. Ela franziu a sobrancelha, mostrando-se espantada e ofendida.
— Não, é que eu preciso de você para... Já fui logo me explicando. Emma sorriu daquele jeito malandra e deu um passo em minha direção. Sem me tocar com as mãos, apenas guiando-me pelo corpo, ela me pressionou contra o balcão da cozinha e eu tive aquela sensação deliciosa... em que por um segundo você se esquece da língua e fica ofegante a ponto de só saber se comunicar através do toque, gemidos e se Deus quiser e a gata colaborar, uns espasmos.
— Você precisa de mim? — ela murmurou, praticamente em cima de mim.
— Preciso. Pro casamento. Mas não vai ser o nosso. Mas se você quiser eu quero. Desatei a falar. Alguém por favor me pare. Emma riu e encostou o braço no balcão e continuou me olhando bem
de perto.
— Me conte sobre esse casamento.
— Resumidamente, Emma, é o seguinte... er... você pode se afastar só um pouquinho? Eu estou começando a suar...
— É, o dia hoje está mais quente que o comum.
— Sim... bem... Tem esse cara babaca e o nome dele é Robin .
— Robin . Porra! Até dizendo o nome do meu ex (do canalha que fingia me namorar, na verdade) ela consegue ser mais sexy e me deixar molhada e ainda me dá a ilusão de que estou prestes a ter um orgasmo. Eu nem me lembrava como era ter um, mas agora, eu lembro. Ô se eu lembro!
— Sim. Ele é um imbecil e brincou com os meus sentimentos. E ainda por cima me convidou para fazer o buffet da festa dele.
— O cara tem culhões. Emma riu e ergueu uma sobrancelha.
— Tinha, porque eu vou lá cortar eu mesma, com os dentes se for preciso.
— Que carnívora você... Emma subiu a mão em meu pescoço e lentamente começou a pressionar o polegar em minha boca. Ok, eu realmente preciso parar de falar. Estou desconcertada, o peito não para de subir e descer e o coração... bem, alguém traga logo os paramédicos, porque eu vou precisar de socorro. Essa mulher é o diabo e ela sabe disso! E ela está brincando comigo!
— Se você quiser, porque eu quero, vou te levar para essa festa e estragar o momento mais importante da vida dele com essa mulher, que se chama Elsa. Emma novamente levantou a sobrancelha, mas não parou de se divertir e seus dedos começaram a subir pelo meu rosto. Fechei os olhos e senti sua respiração se aproximando bem devagar.
— Continua... Ela pediu. Como não obedecer a uma mulher desses murmurando tão perto da sua boca?
— Ela não tem culpa, só quero destruir o psicológico desse babaca e talvez arruinar esse casamento de merda e destruir o meu nome no mundo dos poderosos e nunca mais fazer eventos nem mesmo para formandos. Silêncio. Ela está aqui ainda, diante de mim, meus olhos estão fechados, mas sinto sua respiração, sua mão e algo bem grande firme lá embaixo roçando em mim.
— Você planejou tudo isso antes de saber que eu tinha filho, não é? Ela murmura, a voz bem séria.
— Sim... mas não mudei de ideia. Eu posso te pagar e prometo que você e seu filho ficarão em um bom hotel. Eu já joguei todas as fichas logo de cara. E agora era torcer para ela não me cobrar o valor da cara para entrar nessa loucura comigo. Se é que ela aceitaria uma doideira dessas.
— Não precisa me pagar, Regina. Sua voz voltou a preencher meus ouvidos e ecoar pelo meu corpo. Os pelos que eu não tinha se arrepiando só podia significar isso. E o meu nome. O meu bendito nome saindo da boca dela, tão próxima da minha... essa mulher pode me chamar de Regina Maria, Antônia, até Anastácia se ela quiser. Eu estou muito na dela, não vou mentir.
— Você é muito estranha. E sua proposta é a coisa mais louca que eu ouvi, desde que eu mesma disse que largaria tudo só para cuidar do meu filho...
— Acho que somos duas malucas. Pensei alto.
— Eu tenho certeza disso. Ela disse e senti seu lábio inferior subir do meu queixo até meus lábios.
Emma segurou nas laterais do meu rosto e foi se afastando lentamente. Nada de respiração em meu rosto, nada do seu cheiro invadindo minhas narinas tão de perto, nada de sua voz murmurando para
mim e em mim. Abri os olhos, atônita e levei as mãos para trás para segurar no balcão enquanto o assistia, de braços cruzados diante de mim, sorrir maliciosamente.
— Eu topo.
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Show de vizinha
HumorRegina Mills sempre corre atrás do que quer. Ela batalhou muito para ter a sua pequena agência de eventos em Miami e um relacionamento de dez anos com Robin Hood, coisas das quais ela se orgulha muito. Até que após um incrível final de semana com se...
