Capítulo 05 - Realidade

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Camila Cabello  |  Point of View




— Lauren...

— Camila... – Foi à primeira vez na vida que Lauren me chamou pelo nome.

— O quê você está fazendo? – Falei tirando a vassoura da mão dela e achando um absurdo o que acontecia.

— Estou trabalhando. – Eu estava mais perdida que pijama em lua de mel.

— Como assim trabalhando?

— Trabalhando Camila. Para receber no fim do mês e pagar minhas contas.

— Mas você é rica. Seus pais são ricos. – Ela pegou a vassoura da minha mão. — Não você não pode fazer isso. – Falei tirando a vassoura de sua mão novamente.

— Para Camila! Faz tempo que eu trabalho com isso.

— Não. Isso é brincadeira. Cadê todo mundo?

— Não é. Realmente eu trabalho e faz tempo. Não pude terminar o ensino médio.

— Como não?

— Porque você quer saber de mim? Você fugiu e me deixou sozinha.

— Não fugi. Queria ter ficado com você, mas você me odeia e depois do que aconteceu... eu rastejaria aos seus pés se ficasse. Não foi planejado, você escolheu a noite errada.

— Não te odeio Camila. Nunca te odiei. – Me aproximei dela, mesmo com medo da reação dela, eu a abracei, mas para minha surpresa ela retribuiu. — Eu te esperei, Camila. Todo fim de semana.

— E eu não parei de pensar em você nenhum segundo, Lauren.

— Cabello, por favor! Você já foi mais seletiva, vai sair agarrando qualquer faxineira agora? – Liam disse com desprezo.

— Pegue isso. – Falei alcançando a vassoura para ele. — Pegue isso agora e varra isso aqui já.

— Algum problema bebê? – Dinah chegou e perguntou. Lauren a analisou por um tempo, mas não falou nada.

— Eu não vou...

— Meu pai é motorista e minha mãe cozinheira. – Esse idiota escolheu a pessoa errada para ser preconceituoso. Ou você faz todo o serviço dela ou você está na rua. Pegue isso e limpe esse lugar. – Ele pegou a vassoura. — Desculpe por isso, Lauren.

— Não precisa me defender Camila. Já estou acostumada com isso. – Pegou a vassoura da mão do Liam. — Agora me deixe fazer o meu trabalho.

— Mas o que seus pais acham disso? – Ela gargalhou.

— Meus pais não se importam. Eles nem sabem que estou viva.

— Você precisa me contar o que aconteceu.

— Eu não preciso nada. Vá curtir sua vida. – Falou olhando para Dinah. — Só me deixe aqui.

— Não... você tem que me falar... – Sinto meu braço ser puxado.

— Vem Camila. Ela não quer conversar. Para de se humilhar. – Fiquei encarando ela com uma carinha de “por favor”, mas ela apenas seguiu varrendo.

Chegamos a minha casa e fiquei matando a saudade dos meus pais. Eles adoraram Dinah, também quem não adora,.ela tem um carisma incrível. Só consegui pensar em Lauren e quando entrei no meu quarto isso piorou. Tudo ali me lembrava ela.

— Filha, a Clara quer falar com você.

— Já vou papa. – Fui até a mansão, nada havia mudado. Chris e Tay foram os primeiros que vi, me cumprimentaram, tiram selfie para postar no Instagram e me indicaram onde Clara e Mike estavam. Quando entrei na sala, eles me abraçaram calorosamente. — Obrigado por tudo. Se não fossem vocês.

— Para com isso Camila. Seu talento é genial. – Mike disse.

— Se não fosse ele de nada adiantaria, mas antes de decolar você se formou? – Clara perguntou.

— Sim. Claro. Foi muito difícil ficar sem minha família, não poderia ter sido tudo em vão. – Ficamos conversando sobre várias coisas, mas eu só queria saber de uma. — E a Lauren? – Eles se olharam.

— Depois de muitas discussões, decidimos expulsá-la de casa. – Mike contou.

— Como assim?

— A Lauren sempre foi difícil Camila. – Clara disse. Mas depois que você foi embora ela ficou pior. Não conversava muito, vivia
mal humorada e se estranho com todos.

— E em uma noite, no meio do jantar, ela disse que estava grávida. – Senti um soco na boca do estômago. — E não sabia quem era o pai. Ela não nos deu outra alternativa. – Procurei os olhos de Clara. Ela nada falou. Não esboçou reação, nem de negação e nem de concordância.

— Não tenho nada com isso, mas não concordo. Ela precisou do apoio de vocês. – Clara me encarou e vi que ela não se sentia bem com a situação.

— Sabemos disso, mas no nosso meio, uma jovem grávida e nem saber quem é o pai da criança é ultrajante.

— Desculpem me meter. Vou ficar um pouco com meus pais.

— Sim, mas não se esqueça de nós. Volte sempre e talvez você possa jantar conosco hoje.

— Vamos ver. – Clara me acompanhou até a saída. Quando estávamos na parte externa. — Como você concordou com isso dona Clara?

— Não pude fazer nada, Camila. Ela só precisava dar um nome a ele e ela não fez. Ela disse que não queria estragar o futuro do rapaz. Isso ela disse para mim. Para o pai ela disse que não sabia e isso despertou a fúria dele. Eu venho ajudando ela em segredo. Pago aluguel e mando o porteiro dar desculpas a ela. Como infestações, goteiras. Compro roupas e mando a amiga dar a criança como se fosse presente dela.

— Deve ser difícil...

— É horrível, minha filha varrendo chão e atendendo mesas... – Lágrimas caíram por seu rosto. — Não queria que fosse assim.

— E a criança? A senhora conhece?

— Não. Não quero conhecer para me apegar e não poder conviver com ele. Já sofro demais sem a Lauren. Agora ela nem quer me ver e ela está certa, não me impus e tenho que pagar por isso.

— Ele? É um garoto?

— Sim.

— Você pode me passar o endereço dela?

— Posso, mas... não me lembro de vocês serem amigas.

— Só quero ver como ela está e não precisa ser amiga para se sensibilizar com uma história como essa.

— Claro, você está certa. – Entrou em casa e depois saiu com o endereço anotado em um papel.

— Muito obrigado. – Sai e fui para o meu quarto. Precisava tomar um banho e trocar de roupa, para visitar Lauren.

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