Assim que chegamos em casa, Carina guardou suas coisas e enquanto ela colocava as roupas sujas para lavar eu observava de braços cruzados, encostada perto da porta.
Maya: - o que ia me contar? - Mesmo que eu estivesse com medo do que era, eu tinha direito de saber.
Carina: - quero que saiba, que não é por causa disso que meus sentimentos por você iriam mudar- ela termina de colocar as roupas para lavar e vem até mim, enquanto sinto suas mãos segurar meu rosto enquanto o acariciava- eu te amo e sempre vou amar e não importa o que aconteça.
Maya: - tá bom...- não consegui esconder medo em minha voz, senti seus lábios tocarem os meus, com um beijo calmo e delicado.
Carina: - vem, vamos conversar na área de lazer- seguimos para a área de lazer, nos sentamos em uma das cadeiras confortável dali e eu me aconcheguei em seus braços, ficando deitada entra suas pernas, enquanto seus braços me envolviam em um abraço, tinha medo que depois daquela conversa eu a perdesse para sempre.
Maya: - fala o que é, estou ficando preocupada já- sua mão estava na minha barriga a acariciava
Carina: - Tá bom...- respirei fundo, tentando arrumar coragem para falar- lembra de quando eu apresentei aquela menina para meus pais e suas mães, naquele almoço de sábado? - Senti meu estômago revirar.
Maya: - lembro, eu chorei feito uma criança quando voltei para casa e durante dias eu não olhava na sua cara- o pior era que isso era mais que a pura verdade.
Carina: - aquela ligação de mais cedo, foi dela...- o meu corpo congelou, senti meus olhos se encherem de lágrimas, um aperto tomou conta do meu coração, não sai uma palavra se quer da minha boca- dizendo que estava de volta e que queria conversar.
Maya: - você ainda sente alguma coisa por ela? - Não dava para esconder a dor e o medo no meu tom de voz.
Carina: - não! - Suas palavras saiam com uma certa firmeza- eu não sinto mais nada por ela, porém, ela uma pessoa muito inesperada e tenho medo do que ela é capaz de fazer com você.
Maya: - eu quase não saio de casa amor, só vou para o colégio e as vezes passo na minha mãe- não consigo andar muito, me canso muito rápido.
Carina: - eu sei meu amor, mais eu tenho medo, não sei do que ela capaz e posso parecer chata ou protetora demais, porém, quero que entenda- esse espírito de cuidado dela viu.
Maya: - o que vai fazer? - Para mim, não precisava disso tudo, porém né.
Carina: - não posso te proibir de fazer suas coisas, mais precioso que entenda, eu saio da academia primeiro que você sai da escola, então eu vou te deixar lá e depois te buscar, se quiser pode ficar nas suas mães ou ir em outros lugares, mais não quero que você fique andando por aí sozinha, entende? - Por um lado isso é ruim, por outro isso é ótimo, eu amo a companhia dela.
Maya: - tudo bem, vamos fazer assim então- olho para ela e vejo um pequeno sorriso tomar conta do seu rosto- tenho médico segunda-feira, já faz quase cinco meses, acho que está na hora de pensarmos no nome- ainda não sabíamos qual era o sexo do bebê, porém segunda-feira, já faz cinco meses de gestação, está perto de descobrimos.
Carina: - ansiosa para ver você brigando com ele ou ela- essa Carina viu, ela acaba conseguindo me tirar um sorriso besta- passou tão rápido... alguns meses atrás éramos só duas garotas ficando e tentando compreender nossos sentimentos, hoje moramos juntas e mesmo com nossas brigas no damos bem e daqui alguns meses, vai ter uma cópia sua dando trabalho, eu nunca imaginei que iríamos acabar assim... Eu tenho tanta sorte- para falar a verdade, a sortuda aqui sou eu.
Maya: - a sortuda sou eu, olha a mulher que tenho ao meu lado- Carina dá um sorriso tímido e seu rosto fica um pouco vermelho- e agora, eu espero uma mini cópia nossa, eu literalmente ganhei na loteria.
Carina: - besta- eu senti tanta falta dessas nossas conversas, enquanto eu estava estressada, Carina só fica longe, as vezes me acariciava mais logo eu perdi a paciência e ela desisti, ficamos meses sem nos tocar e as vezes até mesmo sem nos falar, eu já estava sentindo falta das nossas conversas e não tinha liberdade para conversar com alguém, igual eu tinha liberdade com ela, sentia falta dos seus carinhos, da sua atenção, mais eu estava totalmente fora de controle, tanto que Carina passou noites dormindo no sofá, as vezes pensava em ir e ficar com ela, matar minha saudade, porém meu orgulho e raiva falavam mais alto e então ficávamos dias sem nos falar ou sem nos tocar.
Maya: - obrigada por não desisti da gente...- senti sua mão segurar meu queijo e com cuidado o levanta, me fazendo olhar para ela.
Carina: - desculpa por ter ido embora, no momento que você mais precisava de mim, tive medo... eu não sabia o que fazer, tive medo de te machucar, eu não sabia o que fazer, minha única reação foi sai e tenta esfriar a cabeça, mais meu erro, foi te deixar sozinha, te abandonar no momento que você mais precisava de mim, isso não era o certo a se fazer, me perdoa...- seus olhos transmitiam culpa.
Maya: - tudo bem... nós duas erramos, não somos perfeitas, o importante é que você voltou...- Trocamos alguns selinhos, mais logo voltamos a observar o quintal.
Carina: - lembra quando você falou que devíamos conversar antes de tomar uma decisão? - Lá vem.
Maya: - lembro, por quê?
Carina: - quero que fique sabendo de tudo, as contas que devem ser pagas, o dinheiro que guardo para emergência, o dinheiro que separo apenas para os seus médicos, não quero que fiquemos separando as coisas ou escondendo, daqui a pouco o bebê nasce e temos que passar a conversar melhor, ter uma convivência melhor, vamos acabar gastando um pouco a mais por causa do quarto e dos móveis que temos que comprar e por isso quero que fique por dentro de tudo- tá até parecendo que somos casadas- se ficar tudo bem para você, quero que fique com um dos cartões, para comprar o que você quiser, só peço que tenha consciência e responsabilidade, que não podemos ficar gastando demais por ágora.
Maya: - não precisa disso amor...- eu não acho que precisamos disso.
Carina: - Maya...- odeio quando ela me chama pelo nome.
Maya: - tá bom, mais só vou usar para comprar as coisas do bebê- eu não queria ficar com nem um cartão dela, não acho que isso deve estar nas minhas mãos, aliás sou menor de idade e as vezes não tenho responsabilidade para certas coisas.
Carina: - não precisa disso, suas mães não podem ficar te mantendo, daqui alguns dias você é maior de idade e eu não quero que fique vivendo às custas das suas mães, não acho certo isso, você morando comigo e elas ainda pagando suas coisas- odeio quando ela está certa.
Maya: - você tá certa, mais se deixasse eu trabalhar...
Carina: - não quero que faça esforço, você prometeu que iria esperar a gestação e os primeiros meses depois que o neném nascesse, tenha paciência meu amor- ela tem razão.
Maya: - tá bom...- por alguns minutos ficamos caladas, mais logo voltamos a conversar e ficamos trocando carinhos e foi assim que passamos o restante da tarde.
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Uma Segunda Chance De Amar
PoetryGoiânia é uma grande cidade, onde Carina e Maya cresceram como irmãs, porém não com aquela relação de poderem ser bem próximas, e com isso acabou que Maya e Naty viraram melhores amigas. Carina é uma mulher intersexo, tem 21 anos de idade, da aula d...
