8- Avanços

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     Por algum motivo, Max antes não teve vontade alguma de sair por aí desbravando a cidade, andando sem destino aparente. Não por falta de atrativos. o lugar é lindo, e isso ele não podia negar. Mas sim por falta de interesse. Sabe o tipo de gente que não gosta de lugares muito cheios ou movimentados, ou simplesmente de andar sozinho? Esse era ele. Não o entenda mal adorava ter meu tempo de solidão e isso é algo de que ele não abre mão.
Caminhando ao lado de Uriel por essas ruas movimentadas, os Barulhos e a agitação de uma cidade recém desperta, não o incomodam tanto. A sua presença alheia ao seu lado, andando a passos lentos, parece  conforta-lo.
Desde que chegou ali, não saiu da sua cabeça que tinha que aprender a usar os seus poderes se quisesse que o mundo não fosse destruído.

— para onde vamos? — Max se dispôs a perguntar.

— para falar a verdade, ainda não sei —  balbuciou me olhando pelo canto dos olhos.

— como assim não sabe?, Não ia me mostrar as Maraviiilhas de Washington?— disse esbarrando de leve em seu ombro.

— ainda vou— respondeu com um sorriso leve. — É uma cidade legal, confia em mim.

— Nunca disse que não é...

— já sei! vamos fazer um mini tour!— disse ele com empolgação .

    E assim saiu o puxado pelas ruas de Boston, mostrando cada detalhe que conseguia, passando pelos grandes prédios e pessoas que andavam pelas ruas indo para seus trabalhos, ou simplesmente correndo pela pressa do início de um dia cheio.
Pegaram um metrô na Foggy Bottom até o Smithsonian e andaram até o Washington Monument. Uma sequência de famosos parques onde as pessoas vão para caminhar, fazer piqueniques ou simplesmente ficar de bobeira, que era o caso deles.
   Uriel comprou picolés, então eles se sentaram em qualquer parte do parque e ficaram jogando conversa fora. Ele é um cara bem calado, embora hoje estivesse empenhado em manter suas conversas vivas. Falavam sobre tudo, Uriel comentou que esses tipos de coisas o fascinam. "Os prazeres da Humanidade" como disse.
Mas tinha algo invadindo a cabeça de Max e não saia.

— então quer dizer que você é um anjo...—  As palavras do menino flutuaram no ar. Uriel concordou com um leve aceno de cabeça, sem tirar a atenção do picolé.

— todos todos temos um fardo que devemos carregar— falou ele dando de ombros.

— mas você gostava do céu?, Digo você morava no céu não é, sente falta?

— O "céu" ele não é... como as pessoas imaginam. Cheio de paz e tranquilidade— ele encarou Max logo soltando um leve suspiro — Apesar disso sinto falta as vezes.

— Como você veio parar aqui?— Max novamente perguntou curioso— sabe... na terra— Uriel era tão misterioso e fechado a maior parte do tempo, que essa repentina vontade de saber mais, o invadiu.

Ele exitou por um tempo, Max pôde ver a careta que fez antes de falar.

— vamos fazer o seguinte— disse ele. — eu te respondo a sua pergunta e você responde a minha.

— tudo bem.

— eu fui expulso. Por isso eu tô aqui e tenho a impressão que se eu voltar um dia, sangue será derramado e eu não quero que isso aconteça— revelou o anjo.

— nossa eu sinto muito, quem te expulsou?

— nana nina não, agora você vai responder a minha pergunta— Uriel o olhou sério — porque você tá aqui?

— porque não tinha para onde ir.

— estavamos indo tão bem— indagou Uriel  com um sorriso debochado— não tem porque mentir pra mim.

A Resistência: Legados Onde histórias criam vida. Descubra agora