Capítulo 15

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^                                       |  As tatuagens da Bru! :*


***

Ela gostava quando, depois de muito tempo calada, ele pegava no seu queixo perguntando ― o que foi, guria? Ele gostava quando ela dizia sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você. Ela gostava quando ele dizia gozado, você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo. E de quando ele falava calma, você tá tensa, vem cá, e a abraçava e a fazia deitar a cabeça no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse, e tudo passava assim desse jeito. Ele gostava tanto quando ela passava as mãos nos cabelos da nuca dele, aqueles meio crespos, e dizia bobo, você não passa de um menino bobo.

***


Um mês depois...


Acho que eu nunca estive tão nervosa quanto agora. Tão nervosa estou que, na hora de passar o delineador, borro tudo, e sou obrigada a começar novamente. Para a ocasião escolhi um vestido preto básico, que comprei hoje mais cedo na hora do meu intervalo do trabalho. Sei que não devia estar tão nervosa assim, mas é que hoje eu e Enzo vamos jantar na casa dos meus pais. E só fiz isso uma vez na vida, e não deu muito certo, já que meus pais não iam com a cara do meu ex. Se eu estou uma pilha de nervos, o Enzo está ainda mais. Por causa do jantar e também porque a Marina, finalmente, assumiu que está namorando e apresentou o cara em um jantar em sua casa. O Enzo está parecendo uma criancinha que não aceita que a mãe esteja namorando, e isso me irrita muito. Porra, a mãe dele merece ser feliz!  E o homem, que se chama Marcos, me pareceu muito gente boa. Então, não tem motivos para ele ficar assim.

E esse caos todo resultou ele dormindo quase a semana inteira aqui em casa. Eu adorei, é claro, mas não quero que ele durma aqui, porque está de birra com a mãe . Enfim, eu estou tentando, mas vai levar muito tempo para ele aceitar esse namoro.

Termino, finalmente, a maquiagem, e ligo para Enzo que, tirou o gesso essa semana, já que graças à Deus a fratura não foi muito grave. Em relação ao nosso relacionamento, está indo muito bem. Havia me esquecido o quanto é bom ter alguém ao lado para cuidar, compartilhar os momentos, as dores, as risadas, e também para... Amar. Bom, não sei se o amo, mas o que sinto é algo muito forte...

Almoçamos quase todos os dias juntos com a companhia de Carol e Cassin. Percebi um clima entre os dois, cheguei até cogitar a ideia do Cassin ser o cara misterioso que minha amiga está saindo. Mas será? Não sei. E a vaca ainda não me contou quem é, só não morri de curiosidade ainda, por causa que esse ciuminho do Enzo com a mãe dele tem me tomado bastante tempo.

— Amiga! — Carol entra no meu quarto.

— Fala, doida — falo enquanto termino de arrumar minha bolsa.

— Eu... Eu preciso conversar.

— Ai, amiga, eu sinto muito, mas... O Enzo acabou de chegar para me buscar — mostro para ela meu celular tocando.

— Ahh, é... Eu havia me esquecido.

— Pois é. Mas, eu juro que amanhã quando você chegar na casa dos meus pais, a gente conversa, pode ser? — proponho e a abraço.

— Sim, pode ser. Agora, vai lá. E fica tranquila que, vai dar tudo certo — sorri e meu coração se acalma um pouco. Só ela para conseguir isso.

Desço, e lá está, Enzo me esperando. Lindo e aposto que cheiroso também. Confirmo assim que chego perto, meu Japa está muito cheiroso!

— Oi — ele fala sem graça. Com certeza arrependido da nossa discussão ridícula de ontem. E adivinhem o motivo? Sim, o namoro da minha sogra.

Tudo Que Ela QuerOnde histórias criam vida. Descubra agora