No dia seguinte quando acordei Matheus não estava na barraca.
Não sei exatamente que horas são, mas com certeza é cedo.
- Tá fazendo o que aí? - perguntei vendo Matheus sentado do lado de fora.
- Só pensando. - respondeu.
- Você já comeu pelo menos? - perguntei me sentando do seu lado.
- Só uma fruta, mas você pode comer o que quiser, depois vamos continuar pela trilha.
- Tá bom então. - Falei.
[...]
Era final de tarde, e nós já tínhamos andando bem mais.
Só paramos para beber água, e descansar por uns 5 minutos, depois continuávamos.
Não tava gostando disso, de nada disso.
Principalmente porque Matheus estava estranho.
Ele já é estranho no dia à dia, mas agora esse retardado está realmente me preocupando.
- Podemos parar agora? - perguntei pra ele que estava mais na frente.
Não respondeu.
- Matheus, é sério, precisamos de comunicação tá bom? - falei.
E mais uma vez ele não disse absolutamente nada.
Santo senhor, como é difícil entender esse garoto.
Noite passada ele estava agarrado na minha cintura dormindo literalmente junto comigo.
E agora ele simplesmente me ignora.
É pedir um chute, com certeza.
Perdida nos pensamentos acabei batendo o braço em uma árvore, cheia de espinhos.
Ok, isso doeu.
Doeu muito.
Olhei para o meu braço sentindo o arder.
Estava saindo muito sangue.
- Matheus...acho que me machuquei de verdade agora. - falei.
[...]
- Aí caralho! - disse quando Matheus passou o algodão com álcool por cima do machucado.
Ele parou e me encarou, estudando cada detalhezinho do meu rosto por um tempo.
- Elisa, se você xingar à cada vez que eu encostar o algodão na sua pele não vamos acabar nunca.
- Por que tá fazendo isso hein? - perguntei depois dele limpar o ferimento.
- Estou só te ajudando Elisa.
- Agora está. Mas horas atrás estava me ignorando. - falei puxando meu braço, mas ele pegou novamente para terminar de enfaixar.
Me olhando com aqueles olhos intensos.
- Desculpa, está bem? Eu só estava confuso. - disse parecendo ser sincero.
- Confuso com o quê? — pergunto, tentando não parecer muito interessada, mas a verdade é que eu tinha sim muito interesse. Afinal, era o auge da bipolaridade suas atitudes recentes e eu apenas precisava saber.
Matheus me encara, por alguns segundos, posso ver em seus olhos que ele considera responder minha pergunta. Então, leva seus dedos até meu rosto, tocando delicadamente minhas bochechas e depois colocando alguns fios do meu cabelo atrás da orelha.
— Confuso sobre a gente, Elisa.
— Sobre a gente? — pergunto, arqueando uma das sobrancelhas e Matheus suspira, se afastando um pouco.
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O Meu Novo Vizinho
RomanceElisa Hermans, uma garota indepedente, altruísta, e sentimental se muda para uma cobertura com sua mãe. Ela mudou muito depois da morte de seu pai e mesmo com o passar dos anos ainda tem barreiras que precisam ser quebradas. Matheus Bennet, nada ma...
