Lura
— Termine de arrumar a cozinha, amanhã podes tirar o dia de folga.— disse Antonieta com a mão nas costas com uma expressão dolorida em seu rosto, acenei com a cabeça continuando a limpar o chão da cozinha e ela se foi embora.
Permiti-me expirar o ar contido em meus pulmões, ver Beatriz depois de todo aquele tempo trouxe memórias ácidas, memórias que eu tinha enterrado e as quais me forcei a esquecer, era como se todos os meus demónios tivessem ganho vida e as imagens da minha infância roubada de mim e transformada em escravatura, abuso e violência, eram a única coisa em que conseguia pensar. Sem querer bati com o cabo da esfregona num dos copos que repousava na ilha da cozinha e antes que pudesse evitar a queda, os estilhaços brilharam no chão.
— Merda.— sussurei agachando no chão, Antonieta com certeza iria querer reportar essa falha no dia seguinte para Dona Sílvia, ela não deixava escapar nada, não podia deixar que ela descobrisse.
Tentei recolher os cacos com pressa não me apercebendo de que alguém tinha adentrado na cozinha, o barulho da porta da cozinha se fechando foi o que me chamou à atenção, seguido do aroma amadeirado dele, mesmo assim fingi que não havia notado a sua presença e continuei o meu trabalho.
— Precisa de ajuda? — perguntou e eu levantei caminhando para a lata de lixo sem olhar para ele.
— Não obrigada, o senhor precisa de alguma coisa?— falei sarcástica sacudindo as mãos e indo até a pia para lavar as mãos, virando de costas para ele, limitando o nosso contacto visual.
— Senhor?— ele perguntou surpreso e riu de escárnio se aproximando.
Minha respiração se tornou superficial, ficava tão nervosa quando estivesse sozinha com ele, meus batimentos cardíacos pareciam audíveis pois meu coração acelerava na medida em que Nwando se aproximava do meu corpo, engoli em seco mas não me virei, a ansiedade de sentir seu toque na minha pele me fez arrepiar antes mesmo que me tocasse e sem querer suspirei quando seu corpo colou-se ao meu.
— Sim, eu preciso de...— conseguia sentir a erecção nas suas calças enquanto se roçava à minha bunda, o calor da sua boca ao pé da minha orelha e a sua respiração descontrolada, estremeci. Permaneci estática sem conseguir mover nem uma célula do meu corpo, observei-o fechar a torneira devagar e passar as mãos em meus ombros tensos.— Você.— completou e beijou o meu pescoço.
— Nwando alguém pode...
— Shhhh...— ele passou o polegar sobre o meu lábio inferior, seu membro viril ameaçava rasgar o tecido da minha saia de tão petrificado que estava e o fogo entre as minhas pernas era capaz de incendiar aquela cozinha.— Meus pais estão a dormir e Antonieta já foi embora.
Nwando virou-me devagar e se afastou para me encarar:— Você ficou muito sensual com esse uniforme.— senti-me exposta, desnuda na frente dele.
Eu estava com raiva, uma parte de mim queria gritar com ele e manda-lo embora, depois da última briga que tivemos na area de serviço, nós não tivemos oportunidade de conversar e Nwando havia me ignorado durante todo o jantar com a maldita da Beatriz, mas por outro lado meu ego estava nos céus depois te ter visto ele rejeita-la e vir procurar por mim, me sentia especial, como se mesmo depois de tudo, ainda fosse a sua favorita, a única que ele desejava.
— Tira a calcinha!— ordenou e eu permaneci estática sem ter a certeza do meu passo seguinte, queria recusar e fugir dele, mas meu corpo gritava para que ele me tocasse.— Não me obrigues a falar duas vezes.— obedeci em silêncio, levantei a saia para cima até chegar à barra da minha calcinha e puxei-a para baixo de uma só vez sem tirar os olhos dele. Nwando inspirou fundo como se não aguentasse mais e bruscamente segurou-me pela nuca enquanto nos devoravamos com o olhar, seus lábios se aproximaram dos meus até não restar mais espaço entre nós, seu hálito fresco batia contra a minha boca mas ele não me beijava, com o joelho afastou as minhas pernas e com a outra mão começou a tocar em meu poço encharcado, entreabi os lábios doida para que me beijasse e abafasse os gemidos que queriam sair pela minha boca mas Nwando apenas me encarava com uma expressão indecifrável, implorava com o olhar para que ele me consumisse de uma vez por todas mas apenas seus dedos dançavam entre meus lábios baixos criando ondas electrizantes por todo meu corpo.
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Lura
RomanceLura é uma jovem mulher de grandes ambições, desde pequena seu maior sonho sempre fora abandonar a aldeia em Inhambane e conhecer o mundo e ela fará de tudo para alcançar os seus objetivos... Tudo! Vendida pelos pais como empregada doméstica para um...
