Capítulo 25- Prisioneira

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Lura

A chuva começou a cair assim que demos partida, furiosa. O silêncio no carro era insurdecedor, conseguia ouvir os batimentos acelerados do meu coração e a respiração profunda de nós os três. Beatriz no lugar de frente estava aborrecida, Nwando estava tenso ao volante e eu encolhida no banco de trás.

Beatriz mexia o pé freneticamente enquanto digitava no celular sem parar e olhava para Nwando de tempos em tempos mas ele estava focado na condução. Não se dando por vencida decidiu iniciar a conversa:— Nwando, por quê não vamos deixar Lura e vamos ao Clube Naval? Alguns amigos estão lá, lembras do Paulo?

— Não me apetece hoje Bia.— disse sem sequer olhar para ela. Bia virou-se para ele incrédula e berrou:— Posso saber o porquê de estares a ser tão escroto comigo?

— Beatriz...— ele parecia não ter vontade nenhuma para aquilo mas Beatriz continuou:— Nwando há três dias que tu me vens ignorando, eu vou para a tua casa e tu nunca estás lá, eu mando mensagens e tu não respondes, não atendes as minhas chamadas. O que se passa?

— Eu não me sinto confortável de ter essa conversa contigo na frente de outras pessoas.— disse Nwando mas Beatriz sorriu virando para mim.

— Com outras pessoas, referes-te a ela?— e apontou para mim.— Ela é só uma empregada Nwando, porquê te importas?— olhou para mim com desdém e Nwando não respondeu.

— Responde-me Nwando, o que se está a passar?— questionou novamente ignorando o pedido dele.

— Queres mesmo saber?— ele já estava exaltado e virando para ela pela primeira vez disse:—Eu não gosto de ti Bia, o que nós tivemos foi coisa de adolescente, nós éramos novos e curiosos, apenas isso e nada mais.— Bia o encarou surpresa e ficou em silêncio um segundo antes de levantar o nariz novamente.

— Então se tu não gostas de mim, porquê decidiste namorar comigo agora?— sua voz falhou ameaçando o choro, meu coração ia sair pela boca, eu não deveria estar ali.

— Eu nunca decidi nada, tu é que inventaste essa farsa sozinha na tua cabeça.— Nwando voltou a olhar para frente como se não tivesse dito nada, vi uma fina lágrima escapar dos olhos dela que ela rapidamente limpou.

— Tu deves estar nervoso com a faculdade e a pressão do teu pai, acho melhor nós falarmos amanhã, quando estiveres mais calmo.— soltou um sorriso amarelo, Nwando não respondeu e não voltou a olhar para ela nem uma vez durante a viagem, não sabia como reagir àquilo, estava feliz por ela ter levado o maior fora da história mas ao mesmo tempo estava agitada com toda aquela nova informação. Quando chegamos à casa dos Mutemba, Beatriz demorou a sair do carro, ela continuou a olhar para frente  como que organizando as palavras, Nwando aguardou pacientemente  sem dizer nada, Beatriz olhou para ele mais uma vez e insistindo perguntou:— Falamos amanhã, sim?

Nwando retrucou sem olhar para ela:—Boa noite Beatriz.— então ela saiu do carro irritada, fechando a porta com certa violência e antes que ela entrasse pelo portão Nwando deu partida.

Àquela altura eu já não sabia respirar, Nwando pisava o acelerador e eu não sabia se ficava feliz por ele tê-la descartado ou se ficava com medo daquela postura sombria que ele emanava.

— Nwando não é esse o caminho para a minha casa.— disse incerta vendo que estava a ir para o lado contrário.

— Isso é porque não vamos para a sua casa.— disse olhando para mim do retrovisor, estremeci.

— Nwando...— remexi-me na cadeira sem saber o que fazer.

— Eu preciso conversar contigo num lugar privado.— disse com um tom indecifrável, começava a ficar nervosa com aquele suspense pelo que respondi:— Não vejo mais ninguém aqui no carro. Podes falar.

LuraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora