Capítulo quarenta e um
Eduardo
Depois que Leandro voltou de Bom Jesus da Lapa, sentamos para conversar.
Os boatos existiam, mas não na gravidade que Joice dizia, mais de dez vezes narrei o que havia acontecido cada dia da semana que passei naquela cidade. Para meus pais, amigos, e por fim, Heitor.
— A Pilar não pode ficar a par dessa merda toda! Não agora — Heitor rugiu como nunca vi. — Quero aquela mulher fora da minha empresa.
— Heitor...
— Não, Eduardo. Eu já estava ciente de todos os comentários, já me inteirei do que foi possível. E tenho só uma coisa para te falar: você me decepcionou. Não estou falando apenas como meu genro. Mas também como o profissional que está a caminho de dirigir a empresa da própria família.
Heitor saiu do escritório me deixando ali, plantado.
Antes de sair de seu apartamento perguntei para Zenaide onde ele estava.
— Saiu, passou aqui igual um raio, fui atrás saber se ele não precisava de nada, só ouvi a porta batendo.
— Merda! Estou indo embora. Por favor quando ele chegar me avisa. Ele não precisa saber.
A tarefa de demitir Joice ficou para mim, tínhamos motivos profissionais para isso. Só o fato de ter que um engenheiro se deslocar de São Paulo para Bahia, mais de uma vez ao mês, com uma profissional lá, já era um bom motivo. Mais o atraso e custo excedente decorrentes de decisões mal tomadas ou não tomadas seria o foco principal do meu discurso.
Catarine conversou com ela por telefone e marcou uma reunião presencial na Construtora em São Paulo. Achei melhor que fosse tratado o mais profissional e breve possível.
No dia seguinte, às 15h, Joice adentrou a sala da diretora. "Minha sala". Estava linda, sorridente, salto altíssimo, parecia que estava indo para uma festa.
— Que saudade... — sussurrou ao fechar a porta. — Como é bom te ver!
— Senta, Joice. Tudo bem? Como foi de viagem?
— Horrível, sabe como é cansativo vir de lá. Até quero conversar com você sobre isso. Quero deixar a obra de Bom Jesus da Lapa. Quero ficar mais perto de... — Ela sorriu charmosa. — Da minha família, dos meus amigos. — Piscou. Continuei olhando sério para ela e senti tanta raiva. Ela com certeza era louca.
— Joice, acredito que isso não será mais um problema. Infelizmente teremos que te desligar da Arete. O custo da obra está estrondosamente maior do que o previsto e tivemos que alterar o prazo mais uma vez. O cliente não está nada satisfeito, e pediu mudanças.
— Okay. Mas temos muitas outras obras, obras grandes. Tenho certeza que pode me alocar em alguma delas.
— Não tenho como, Joice, teremos que dispensar outros também, estamos com o quadro de funcionários maior do que precisamos...— Ela levantou indignada.
— Você pode reverter isso, por nós, você é o chefe, pode fazer alguma coisa. Depois de tudo...
— Joice, eu sou só um funcionário, recebo ordens, não sou melhor que você. Se eu pudesse, faria. — Minha vontade era gritar, mandá-la se foder.
— Minhas coisas estão todas lá, por que não falou? Por que me fez vir até aqui?
— Você não está sendo escorraçada, tem seu tempo para preparar sua saída. Passar o cargo para um novo engenheiro.
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Uma chance
Roman d'amour🔥 Uma chance UMA CEO PODEROSA, MULHER FATAL MUITOS A QUEREM, MAS SÓ UM PODERÁ TÊ-LA
