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Leonor Neves

Chegou do dia do jogo, o derby de Lisboa, Benfica contra Sporting e eu não podia estar mais ansiosa e nervosa.
É sempre um jogo difícil e sempre importante, e neste caso, pode nos levar ao primeiro lugar se sairmos da luz com a vitória.
Ao contrário de mim, Musa parecia tranquilo e bastante focado. Ele sabe perfeitamente que o Sporting é dos maiores rivais do Benfica em Portugal e o maior rival de Lisboa e obviamente todas as vitórias contra eles são mais saborosas.

— Vais no teu carro? — perguntou Petar pegando na sua pequena nécessaire pondo por baixo do braço direito.

— Vou sim, a Maryna vai no do Trubin e depois vão juntos embora depois do jogo. — Eu respondi pondo tudo o que necessitava dentro da minha pequena bolsa.

— Vais já? — perguntou.

— Vou, a Marina também vai deixar o Trubin no Campus e vai ter comigo à luz. — respondi agora olhando para ele.

— Podias ser uma querida, fazer o mesmo que a Maryna e deixar-me no Campus. — ele disse fazendo bico.

— Mas tu vieste no teu carro. — Eu disse e ele continuou com o seu bico nos lábios e aqueles olhos pedinchões. — Tá, já entendi.

— Inteligente a minha Nônô. — ele disse pondo um dos seus braços por cima dos meus ombros e baixando-se para deixar um beijo no topo da minha cabeça.

— Vá,vamos que eu não quero reclamações do Mister Roger por chegares atrasado. — Eu disse empurrando o croata para fora da minha casa. — Em vez de ir no meu carro podias deixar-me conduzir o teu.

— Tudo o que a princesa quiser. — ele disse tirando a chave do carro do bolso  das suas calças de fato de treino do Benfica.

Assim que recebi a chave dei uns pulinhos de felicidade e entrei no lugar do condutor esperando que o Petar entrasse no outro lado.
Um Mercedes, adoro Mercedes, sempre quis ter um.

...

Deixei o Musa no Campus e logo segui para o estádio da luz. Não me canso de dizer que é a coisa mais bonita que já vi, a minha casa, e de todos os benfiquistas como é óbvio.
Adoro vir aqui e ver o estádio cheio de gente a gritar e a cantar pelo Benfica, sou completamente obcecada pelo meu clube e não tenho problema nenhum em admitir tal coisa.

Assim que dei o meu nome eles forneceram-me um crachá que eu logo pendurei ao pescoço e fui até ao elevador que me levaria ao piso onde Maryna já me esperava de acordo com a sua mensagem.
Não eu não deixei a Celeste, a Marta e a Jorgelina de lado, elas estarão igualmente presentes mas admito que tenho andado mais com a Maryna pois ela ainda não se integrou a cem por cento por aqui e não tem conhecimentos quase nenhuns então eu tento ajudá-la a não ficar sozinha quando o Trubin não está e também quando tenho um tempo livre e ele está no treino.

Assim que saí do elevador avistei Maryna que estava atenta ao seu telemóvel e logo me aproximei.

— Finalmente chegaste! — ela sorriu e cumprimentou-me com dois beijinhos nas bochechas e um abraço curto.

— Já está uma confusão danada a esta hora. — Eu disse e ela concordou. — Acho que preciso de comer alguma coisa.

— Vamos, tem aperitivos ali. — ela apontou para onde se podia ver bastante gente conhecida nacional e alguns mundialmente.

Seguimos até ás mesas onde tinha bastantes coisas prontas para serem degustadas e começamos a comer algumas coisinhas.

— Então, como vão as coisas com o Petar? — perguntou a ucraniana.

— Depois de alguma infantilidade por parte dos dois, estamos bem e ele tem passado mais tempo na minha casa do que na própria. — Eu disse e ela sorriu largo.

Maryna é muito bonita, talvez das mulheres mais bonitas que já vi, ela parece uma boneca.

— A Mathylde vai estar cá. — ela disse concentrada no seu copo de sumo.

Eu sei que a filha do Treinador não tem os mesmos gostos que eu mas desde que me senti trocada naquele jantar em que Petar não a largou, fiquei um pouco de pé atrás com ela e eu não sei porquê mas não me sinto confortável ao seu lado.
Sinto os seus olhares pesar em mim cada vez que estamos no mesmo ambiente e levo isso um pouco como uma provocação dando por mim a pensar também se é mesmo verdade sobre a sua orientação sexual.
As vezes parecia que estávamos numa competição para ver quem ficaria com o Musa, mas posso só estar a ser paranóica e ver coisas que não existem.

— Tenta ignorar como tens feito até agora, eu não acho que ela seja má pessoa. — disse Maryna e eu apenas concordei.

Mis bebés. — ouvimos a voz de Celeste e logo nos viramos para a mesma que nos abraçou ás duas ao mesmo tempo. — Já estão a comer suas esfomeadas?

— Claro, tínhamos de aproveitar enquanto esta gente toda não come tudo. — disse Maryna.

— Ansiosas para este derby? — perguntou Marta.

— Ansiosa e super nervosa também. — respondi sorrindo fraco.

— Vai correr tudo bem, o Benfica tem todo o potencial para ganhar este jogo. — disse Jorgelina. — Já viram o onze inicial?

— Não ainda não tínhamos visto. — respondeu Maryna.

— O teu menino é titular. — disse Celeste direcionada a mim.

— O meu menino tem muito potencial e merece ser titular. — Eu sorri timidamente. — Ele está muito focado.

— Ela já nem nega. — disse Celeste sorrindo.

— Negar oquê? Ele é o meu menino, meu melhor amigo... — Eu respondi.

— Sim, sim, conta-me mais histórias. — ela disse revirando os olhos.

Ficamos ali mais um pouco até começar o aquecimento dos rapazes e aí fomos para os nossos lugares onde encontramos Mathylde sozinha e atenta ao seu telemóvel.
Assim que a loira me viu logo se levantou e veio na minha direção.

— Olá Leonor, podemos falar? — perguntou a alemã e eu apenas assenti e ambas fomos até uns lugares vagos e mais afastados do resto das mulheres. — Eu queria esclarecer algumas coisas, não nos conhecemos muito ou nada praticamente mas eu sei bastante sobre ti. — fiquei um pouco sem saber o que dizer. — O Petar falou muito de ti, naquele jantar ele não se calava só falava de ti, só sabia elogiar-te e numerar todas as tuas qualidades, confesso que a paixão, o amor que ele sente por ti são admiráveis e eu sei que sentes o mesmo por ele e sei também que fui um pouco a razão pelo vosso desentendimento e por isso queria esclarecer tudo e dizer que não tens com o que te preocupar, mais fácil tentava algo contigo do que com ele.

— Desculpa, não costumo julgar assim as pessoas sem conhecer mas algo dentro de mim me fazia querer manter-te afastada. — Eu suspirei.

— Como disse, não tens de te preocupar comigo ou com a minha proximidade com o Petar, não passa de amizade e não tarda muito já vou ter de voltar para a Alemanha e não queria ir sem resolver as coisas. — ela disse sorridente e eu retribui. — Espero que quando eu voltar vocês já tenham dado vários passos na vossa relação, já está na hora.

Sorri timidamente e assenti.

Até Te Encontrar || Petar MusaOnde histórias criam vida. Descubra agora