A família Hill carrega traumas e segredos por entre as paredes de seu lar. Os cinco irmãos estavam presos a si mesmos por uma corda metafísica em seus pescoços. Era uma maldição de sangue, carregada desde antes da morte de Daphne, praticamente deixando os irmãos por si sós. Afinal, a melancolia de Magnus e o fantasma que perseguia a família iria, eventualmente, afetar os filhos do homem viúvo.
Na infinidade de tempo que se passou até os dias de hoje, Gwendolyn Hill sentiu-se abandonada. Não entendendo o saudosismo dos irmãos com a figura de Daphne, afinal, a primeira que lhe abandonou foi sua própria mãe. Esse sentimento é sufocante sim, caso pergunte. E a única forma que Gwen encontrou de desatar esse nó em seu pescoço é encontrado no fundo de uma garrafa ou nas cinzas de um cigarro.
Deveria admitir que era seu único alívio e, consequentemente, seu próprio veneno. Quando acordou na manhã seguinte, apenas lembrava que havia adentrado em um bar, aquela casa de apostas da irmã do prefeito. Mas tinha certeza que não havia chegado em casa naquela noite. O que era estranho, já que agora estava deitada em uma cama confortável, em um quarto idealmente escuro e ouvindo vozes vindo do lado de fora.
Sentou-se na cama, um tanto tonta. Sua cabeça parecia se movimentar em círculos. Fechou os olhos novamente, em busca de equilibrar o próprio corpo. E então veio a dor de cabeça, a pior parte de passar a noite inteira bebendo. Soltou uma risada sarcástica, principalmente com o pensamento de que poderia ser pior.
Levantou-se cautelosamente, reconhecendo aos poucos o ambiente ao seu redor e deixando suas mãos entenderem o ambiente ao qual estava. Alguém de sua confiança (é claro, nem mesmo bêbada deixaria um qualquer encostar as mãos nela) havia a levado para lá, para o conforto de uma casa, mas ainda estava incerto em sua cabeça. Mesmo utilizando de sua mediunidade para ler o ambiente, o rosto da pessoa em questão estava borrado. Era um homem, bastante alto e de cabelos escuros, assim como era um rapaz branco.
Deixou suas dúvidas de lado, iria conhecer o sujeito de qualquer maneira ao sair por aquela porta. Descalça e com o mesmo traje da noite anterior, caminhou vagarosamente até a porta e a abriu, encontrando com as vozes tagarelas que havia ouvido ao acordar. Sabia que elas realmente tinham um tom familiar, afinal, eram as suas sobrinhas.
Violet e Magnolia Hill-Montpelier eram filhas de Benedict Montpelier, o lorde de Murbrook, e Marie-Ange, irmã mais velha de Gwen. Violet não puxou o mínimo dos traços do pai, sendo uma Hill perfeita da cabeça aos pés. Enquanto Maggie, puxou traços de Benedict até demais, mesmo com seus cabelos ruivos herdados de seus avós paternos, era possível notar a semelhança dos dois por algo além da aparência.
A mais velha da dupla, Violet, levou um susto com a aparição repentina da tia. Enquanto a mais nova, mantinha o mesmo sorriso cínico, como se estivesse tramando alguma coisa. Violet se recompôs e colocou a mão no ombro de Maggie, mas Gwen foi mais rápida do que a garota de cabelos loiros escuros.
— O que vocês estão fazendo aqui? - Perguntou, ríspida.
— Bom dia para você também, tia Gwen! - Maggie respondeu, com a voz notavelmente sarcástica. Violet repreendeu a irmã com um tapa fraco em seu ombro.
— Bom dia, tia! - Violet recepcionou-a, com mais formalidade. — Viemos te chamar para o café da manhã!
— O que vocês estão falando? - Gwen esfregou os olhos, em uma mistura de confusão e afastar a dor de cabeça insuportável. — Que horas são?
— Meio-dia. - Maggie respondeu inicialmente, brincando.
— Nove horas. - Violet corrigiu. — A Ordem chamou para uma caça de emergência, estamos atrasados.
— O azar é de vocês... - Gwen sussurrou, pensando alto. Maggie soltou uma risada baixa, enquanto Violet suspirou fundo.
— Nos acompanhe, por favor. - Violet terminou o diálogo, começando sua caminhada pelo corredor da mansão.
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Hermético
KorkuEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
