Alphonse disse para si mesmo que precisava de um descanso, um momento para se conectar novamente com a criatura que habitava dentro de si e aprender como lidar, como se estivesse voltado para o início novamente. Ele apenas não iria imaginar o caos que estaria quando ele voltasse. Passou os dias conversando com Niklaus, estabelecendo um relacionamento e, até mesmo, convencendo seu cônjuge a se mudar para sua casa, um momento notoriamente tranquilo em sua vida que simplesmente não refletia a realidade dos restos de seus colegas.
O que Alphie não esperava era aquela imensidão de pessoas aglomeradas na sala de pesquisa da Ordem de Crowley. Um burburinho intenso se formando no lugar, tornando o ambiente ainda mais sufocante, com pessoas se movimentando de um lado para o outro, discussões em cada canto da sala. Alphonse apenas respirou fundo, tentando não se estressar com o que estava acontecendo. Lentamente, caminhou em direção a mesa ao centro do lugar e puxou a cadeira da ponta mais próxima, sentando-se e cruzando as pernas.
A mesa estava mais ocupada pelos pertences dos membros da Ordem do que pelos próprios. A bancada, no entanto, estava lotada de membros discutindo. A lousa estava repleta de desenhos e anotações, com desenhos, escrituras, setas indicando uma teia de explicações que Alphie não tinha ideia do que se tratava. Apenas conseguiu ler ao canto superior à direita do quadro negro a palavra ''entidade''. Sem contexto, era o equivalente a nada.
Demoraram mais alguns segundos, lentamente se tornando minutos, então Alphie decidiu chamar a atenção para si. Afinal, ainda precisava saber o que estava acontecendo. Direcionando seu olhar fixo para o grupo a frente da lousa, ele pigarreou, audivelmente, fazendo Aster D'Auvergne se assustar e olhar para a sua pessoa no mesmo instante, com os olhos arregalados e uma mão sobre o peitoral, como se estivesse controlando a respiração desbalanceada.
— Ah! Olá, Alphie! - Aster disse, soltando um suspiro aliviado misturado com uma risada sem jeito. Emmeline, então, virou-se para o recém-chegado.
— Bem-vindo de volta, senhor Vallancourt. - Recepcionou-o, em um tom sério e ligeiramente monótono. — Em que podemos ajudá-lo?
— Irei direto ao assunto, senhora Nielsen... - Iniciou, deixando sua postura na cadeira ainda mais ereta. Em seguida, enfatizando cada palavra em sua pergunta: — O que infernos está acontecendo aqui?
No mesmo instante, Emmeline e Aster se entreolharam e, em seguida, olharam para Vanessa, que discutia fervorosamente com Jesper de que Babadook não era um demônio, e sim, uma entidade. Demoraram alguns segundos até Van perceber o silêncio atrás de si e notar a presença de mais um interessado. Limpou a garganta quando notou a situação, tentando esconder a vergonha que lhe consumia por ter tantas pessoas focadas em si.
— Poderia repetir a sua pergunta, por favor? - Ainda um tanto sem jeito, perguntou, em um tom ligeiramente baixo. Mesmo assim, Alphonse ainda escutou seu pedido.
— O que infernos está acontecendo aqui? - Ele repetiu, mais lento e enfatizando ainda mais suas palavras. Vanessa concordou lentamente, tentando recuperar mentalmente toda a trajetória que essas últimas horas escalaram.
— Certo, certo... - Van juntou suas mãos à frente de seu corpo, entrelaçando seus dedos. Qual era a melhor forma de começar aquela conversa? — Nós capturamos Babadook...
— Vocês o que? - Alphie interrompeu-a, em um tom ríspido e chocado.
— Capturamos Babadook. Deixe-me continuar, por favor. - Pediu, educadamente. Alphonse cruzou os braços e permaneceu em silêncio, indicando para que ela continuasse. — Começamos um interrogatório, mas ele não está colaborando. No entanto, eu acredito que esse tenha sido um equívoco nosso, pois começamos com as perguntas erradas.
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Hermético
HorrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
