Ophélia interrompeu o barulho estratégico e coordenado de uma caneta escrevendo, com o som distorcido do ranger da porta se abrindo ao abrir-la. Isso imediatamente chamou a atenção de Octávia, fazendo a mulher levantar a cabeça em direção a visitante. Ophélia nunca entendeu o motivo dela trabalhar em tanto silêncio, era uma sensação completamente sufocante em sua percepção.
Entrou na sala, cautelosamente, caminhando em direção a mesa da diretora. Seus passos ecoavam cada vez mais alto conforme se aproximava da proprietária do manicômio, com o olhar gélido da mais velha parecendo engolir a Birdwhistle por completo, era uma sensação horrorosa, caso Ophélia pudesse definir com palavras em seu vocabulário que se assemelha com a sensação. Mesmo assim, caminhou até a mesa, parando em sua frente e juntando as mãos, a vista da sua superior, sentia seu coração querer sair pela boca, mas precisava continuar.
— Os membros da Ordem de Crowley terminaram o serviço de limpeza! - Anunciou, com um pequeno sorriso no rosto. — Não encontraram vestígios sobrenaturais por aqui, apenas acabaram encontrando teias de aranha, alguns cantos com infiltração...
— Eu já lhe disse para me contar as notícias ruins primeiro, minha querida Ophélia. - O tom de Octávia era brincalhão, mas de alguma forma, suas palavras desceram a espinha da garota causando calafrios por todo o seu corpo. — Me diga, o que nossos visitantes querem agora?
— Olha, não querendo julgar suas decisões ou deixar a entender isso, sei que meus pais confiam em você para cuidar desse lugar... - Os olhos azuis de Octávia continuavam a encarar Ophélia, com um sorriso cínico e a mesma profundidade sinistra de antes. Ela engoliu em seco antes de continuar. — Mas... era ligeiramente esperado que, depois de tudo o que aconteceu, eles estejam um tanto revoltados por você não ter liberado o exorcismo antes.
— Então, eles querem iniciar o exorcismo?
— Resumindo, sim.
Octávia abaixou a cabeça novamente, voltando a escrever na folha de papel. O local foi tomado pelo silêncio, como estava anteriormente, apenas com o som da caneta dando um suspiro no meio daquele ambiente asfixiante. Ophélia conseguia ouvir o som do seu coração batendo, da saliva preenchendo sua boca e descendo pela sua garganta, enquanto sua ansiedade parecia deixar tudo cada vez pior.
— Avise-os para esperarem, pelo menos por hoje. Estou muito ocupada para ajudá-los. - Octávia disse, em um tom monótono e ainda fixada no que estava fazendo. Ophélia, no mesmo instante, franziu as sobrancelhas e tombou ligeiramente a cabeça para o lado, não escondendo o que estava pensando perante a situação.
— Não acha que eu poderia ajudá-los com isso, então? Sei que você é a única que sabe o que está acontecendo naquele quarto e possui a chave do mesmo, mas...
— Deixe isso para depois. - Octávia disse cada palavra separadamente, interrompendo o pensamento de Ophélia.
— Você...
— Ophélia, por favor, retire-se do meu escritório. - Octávia declarou, levantando-se de sua cadeira e dando a volta em sua mesa, segurando a outra pelo braço, afundando suas unhas em sua pele pálida de medo. — Eu tenho trabalho para fazer agora.
Puxando-a até a porta de entrada do cômodo e, basicamente, jogando-a para fora da sala. Após ouvir o som da porta batendo atrás de si, Ophélia ainda se sentia confusa com a situação que acabava de presenciar. No entanto, sua confusão foi logo substituída por raiva e imediatamente foi trocada por curiosidade, tudo em meados de segundos enquanto ainda absorvia o diálogo.
— Deixe-me adivinhar... - Finn iniciou, fazendo uma careta fingindo estar se esforçando para imaginar o que ocorreu lá dentro. — Ela agiu de forma estranha, evitou o pedido e te expulsou?
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Hermético
TerrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
