Capítulo 5

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Estar em território inimigo era uma ofensa, seja para os seus antepassados, ao qual lutaram contra esse povo, ou para os seus inimigos, que se sentiriam desrespeitados. Finnian Ó Lennáin sentia ambos esses sentimentos em cada passo que dava, o nojo de estar em território inglês e o deboche por ser um irlandês sendo recebido como um monarca em território britânico. Conn havia recusado o convite de acompanhá-lo, mas ele definitivamente adoraria aquela sensação.

    Carregava uma simples mala consigo, mas pelo visto, não era o único ao qual carregava apenas pertences básicos. Conhecia Léonie Hoss há um bom tempo, já tendo participado de um exorcismo em um manicômio local. Não duvidava da possibilidade de fazerem a mesma coisa, no mesmo lugar, novamente. Também conhecia Félicienne St. Pierre, a caçadora indo-francesa conhecida por trabalhar exclusivamente em cemitérios franceses. Admirava bastante o seu trabalho, para ser honesto.

    A única figura que era anormal para ele era o homem sentado na outra poltrona, de cabelos loiros e olhos imperceptíveis por conta de seus óculos. No entanto, seria certamente alguém ao qual tentaria conhecer melhor, além de atraente, ele parecia interessante. Desviou suas íris claras do homem, para evitar que ele se sinta observado. Então, cautelosamente, se aproximou dos três.

    — Ora, ora, quem está aqui? - Finn exclamou, aproximando-se das poltronas de Leo e do homem misterioso, encostando as mãos em ambos os encostos, mas observando a Hoss. — Já faz tanto tempo que não caçamos juntos!

    — Olá, Finn! - Leo o recepcionou. — Pensei que havia desistido da Inglaterra com seu irmão.

    — E eu o fiz! - Finn contra-argumentou. — Mas não poderia te deixar sozinha nessa aventura!

    — Eu reconheço um fofoqueiro quando conheço um, Finn. - Félicienne disse, dando seu típico sorriso de lado. Sua pele negra e cabelos presos em um coque pareciam ressaltar seu sorriso. — E você está me cheirando a um! - Finn estava prestes a responder, abrindo a boca para falar, até ser interrompido pela mulher loira ao seu lado.

    — E você está certa! - Finn colocou a mão sobre o peito, em indignação. Léo soltou uma curta risada com aquilo. Então, o irlandês virou-se para o americano ao seu lado.

    — Sinto que você é o único ao qual não está me julgando, senhor...

    — Markey. Louis Markey, caso queira saber. - E ele estendeu a mão para cumprimentá-lo.

    — Muito prazer! Pode me chamar de Finn, caso queira! - Leo e Félicienne trocaram olhares entre si, precisando esconder a boca com a mão para não soltarem risadas da situação.

    Contudo, a conversa não conseguiu evoluir muito, mesmo que Finnian estivesse pronto para isso. A atenção de todos na sala, inclusive a de Louis, voltou-se para o barulho de quatro patas saltitando de alegrias enquanto desciam as escadas, trazendo um cachorro pointer inglês, de manchas castanhas escuras, e com uma bolsa carteira na boca. Antes que todos pudessem soltar suas exclamações sobre a adorável criatura, uma mulher, com os cabelos escuros presos rentes à cabeça e cobertos por uma boina, tropeçava em seu caminho inteiro até o animal.

    Ela soltou uma risada envergonhada ao fazer isso, sabia que deveria ficar menos agitada toda vez que sua cadela saía de vista, mas era difícil quando ela simplesmente e aleatoriamente iria decidir quando e onde ela iria. Aproximou-se para perto do animal e conseguiu recolher a bolsa em seus dentes, fazendo um carinho em sua cabeça e entregando uma pata de galinha para ela.

    — Desculpem, a Pipper anda muito agitada nos últimos dias! - Coçou a nuca, olhando para o chão. — Eu sou Velma, de qualquer forma...

    Antes que pudesse continuar sua apresentação devidamente, atrás de si surgiu a figura de Aaron Cornell, acompanhado das outras duas mulheres que estavam falando antes de Pipper sair correndo. Suzi Hamilton e Annabeth Spring-Riordan eram amigas de longa data de Aaron, tendo se mudado para Inverness após decidirem morar juntas. Como não conseguiam se casar legalmente, decidiram se afastar de tudo e todos e viver como se estivessem casadas.

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