A construção em frente ao grupo era de uma arquitetura opressora. Era como um bloco de concreto, repleto de janelas, porém vazio, vazio o suficiente para o mais cético dos homens acreditar em assombrações. Vanessa era a única no grupo que escondia certa animação ao encarar o hospital psiquiátrico, comprimindo seus lábios enquanto observava o local. Emmeline voltou a se juntar ao resto do grupo após inspetorar os arredores do hospital, parecia vazio, sem movimentação, exceto pela movimentação da brisa noturna nas copas das árvores.
— Todas as possíveis entradas estão livres. - A Nielsen anunciou, em um tom de voz baixo e metódico. — Podemos entrar através de uma janela.
O grupo concordou silenciosamente, usando alguns acenos de cabeça e exclamações silenciosas. Esgueirar-se em meio aos arbustos e florestas ao redor do manicômio, em passos silenciosos e tomando cuidado com qualquer barulho escutado em meio ao horizonte. Aproximaram-se de uma janela semi-aberta, dando entrada para a lavanderia do lugar. Emmeline cutucou Castiel e o chamou, utilizando a cabeça, para que a seguisse.
Line abriu ainda mais a entrada improvisada, empurrando a janela para cima com certa força, escorregando a madeira e causando um barulho baixo, porém audível. Ela olhou para os lados, seus olhos explorando cada canto para saber se foram descobertos. Ninguém apareceu aos arredores, exceto a equipe, então, a mulher continuou.
Colocou a cabeça para dentro do lugar, analisando-o e percebendo que estava completamente vazio. Castiel parecia um tanto disperso, ligeiramente preocupado, ele olhava ao redor constantemente e parecia estar com a guarda levantada, com os braços cruzados e umedecendo os lábios a cada segundo. Não à toa o homem levou um susto ao receber outro cutucão de Emmeline, indicando para que ambos ajudassem o resto da equipe a adentrarem.
Ambos se agacharam no chão e entrelaçaram os dedos das próprias mãos, enquanto o resto da equipe se organizava. Cada um utilizou da ajuda para entrar, pulando a janela e aterrissando no interior do manicômio, então, quando terminaram, Emmeline adentrou e, logo em seguida, Castiel a seguiu.
O lugar possuía um cheiro de mofo característico, o ar espesso e difícil de respirar. Evelyn franziu o cenho, aquele lugar parecia genuinamente horroroso. Ainda assim, a mulher não perdeu tempo e acendeu o lampião que trouxe para aquela caça, iluminando o local e servindo como o principal guia para a equipe. A visão, sinceramente, fazia jus ao cheiro. Era um lugar naturalmente escuro, com as paredes desgastadas e com rachaduras e bolas de mofo em meio a pintura. Pelo menos, era um lugar arrumado. As cestas com lençóis e outras roupas estavam perfeitamente alinhadas, fora isso, havia estantes quebradas, teias de aranha e certamente havia ratos.
— Qual desgraça ocorreu nesse lugar? - Kang pensou alto, iluminando o local com sua lanterna.
— Atenção! Precisamos ser cautelosos! - Reyna repreendeu-a, em um tom baixo, porém firme. Evelyn assentiu e voltou a iluminar o grupo. — Devemos nos dividir?
— Não, isso com certeza vai dar errado e podemos ser capturados. - Vanessa sussurrou. — Vamos todos juntos, e voltamos assim que notarmos que alguém pode estar perdido.
— Alguma ideia por onde devemos começar? - Reyna perguntou.
— Na verdade... - Van pensou um pouco, desviando o olhar para o teto por alguns segundos. — Um escritório ou biblioteca sempre terá algo útil para nós, especialmente lidando com uma seita.
— Ótimo. Vamos procurar por aqui. Lembrando, sempre juntos e escondidos, entendido? - Emmeline reafirmou. O grupo assentiu, imediatamente saindo para fora da lavanderia.
Vanessa sentia um certo orgulho de si mesma, principalmente pela confiança que a equipe transmitiu em suas palavras. Mas, definitivamente, essa não era a melhor parte de estar ali. Seu coração batia rápido e animado, finalmente poderia ver uma seita fora dos livros! Na verdade, acredita já ter participado de uma caça semelhante, mas não algo com essa dimensão. Não era somente uma seita, era uma seita com uma criatura cósmica mortal, isso definitivamente a interessava.
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Hermético
TerrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
