Jay nunca havia experimentado o sabor de sangue antes da transformação. Nem mesmo mordendo o lábio sem querer ou comendo um pedaço de carne mal cozido, aquela sensação era nova para ele. O gosto de ferro descendo pela sua garganta era viciante, poderia beber litros e mais litros daquilo e não ficaria enjoado do seu sabor.
Afastou-se da carcaça de boi em sua frente, o animal ainda tinha reflexos, mas seu olhar já estava completamente sem vida. Jay conseguia ver seu coração, parado e com somente contrações voluntárias de quando procurava mais veias por mais do líquido avermelhado. Seu rosto estava completamente sujo, assim como suas mãos e seus braços. Sua camisa estava completamente pintada de vermelho, assim como suas calças. O brilho dos seus sapatos havia desaparecido pelas manchas viscosas que caíram sobre eles.
Tentou de alguma forma limpar seu rosto, mas acabava ficando cada vez mais sujo. Algo em seu cérebro dizia para ele ignorar completamente o que estava fazendo e continuar saciando sua fome interminável. Era estranho, não se lembrava de ver outro vampiro com uma fome como a sua. Ekatarina soltou uma risada exagerada, ligeiramente orgulhosa da sua mais nova criação. Jay virou o rosto para ela, em um questionamento por aprovação silencioso.
— Você está indo muito bem, meu querido! - A vampira respondeu, enrolando uma mecha do cabelo cacheado do mais novo em seu dedo indicador. — Logo estará devidamente adaptado com seu novo corpo.
— Mas eu não ficaria com esse corpo eternamente? - Jay perguntou, Ekatarina revirou os olhos.
— Sim, como o esperado. - Respondeu. — Mesmo assim, você precisa entender que você está morto.
O rapaz olhou para a carcaça do boi em sua frente. Aquela frase percorria sua mente como o sangue daquele animal que um dia percorreu suas veias e artérias. No fundo, o que havia de diferença entre ele e sua presa?
Ekatarina deixou um beijo em sua bochecha, assustando ligeiramente Jay e o retirando de seus pensamentos confusos. Ela não olhava com os mesmos pensamentos, não admirava mais o sangue jorrando de um corpo, era mais um dia normal para ela. Ekatarina já estava tomada de apatia fazia anos.
— Mas não se preocupe. - Ela ainda encarava o corpo no chão quando voltou a falar. — Um dia todos estarão mortos, seja pelas nossas mãos ou pelas mãos dos próximos.
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Hermético
HorrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
