A residência da família Vanderbilt em Murbrook era razoavelmente pequena, mas era o ideal considerando que o único habitante da casa era o filho da família. Tudo era medido para Edwin sobreviver sozinho, considerando que seu pai queria que ele se tornasse ''um homem de verdade''. Então, além do básico de etiqueta e outros ensinos básicos para alguém da sua idade, também precisava fazer sua própria comida, lavar suas roupas e lidar com um fantasma.
Ed recebia visita de professores e de alguns funcionários de seu pai, que traziam comida e ajudavam na manutenção de certas partes da casa e na faxina. Em meio aos seus suprimentos diários, poderia notar a pequena colaboração de sua mãe, com presentes típicos que ela daria. Discos de vinil, livros, instrumentos musicais e algumas partituras, sempre escondidas em sacolas de pão ou frutas. Apenas fazia bom proveito de tais recursos, eles eram extremamente valiosos para alguém longe de casa.
Agora, estava testemunhando dois homens adultos discutindo qual janela seria melhor quebrar para invadirem sua pacata residência. Não sabia dizer se precisava intervir para não levar uma bronca de seus pais, ou se não quisesse que seus vizinhos chamassem a polícia. Já havia passado da meia-noite, todos deveriam estar dormindo e sua equipe tentava ao máximo evitar muito barulho. Mesmo assim, todo mundo iria ouvir uma janela quebrando.
Roía as unhas enquanto observava Perseu e Benedict moverem a escada que trouxeram de um lado para o outro, assim como ouvia os debates acalorados de Marie-Ange e Louis, Edwin sentia-se completamente aflito. Selina encostou em seu ombro, causando arrepios em um Edwin que estava revivendo memórias ruins. Ao notar que era ela, acalmou-se um pouco, e trocaram sorrisos curtos, porém relaxantes. Guiou sua mão para a dela, entrelaçando seus dedos, sentiu seu coração acelerar um pouco e suas bochechas arderem, mas pela expressão envergonhada de Selina, sentiu-se mais confortável.
— Isso! Coloca a escada em frente a janela! Tropeça e caia! - Maggie gritou, com os braços cruzados, enquanto observava o pai e o tio discutindo.
— Maggie! - Violet, ao seu lado, repreendeu.
— O que eu fiz? Eu apenas falei a verdade! - Estendeu os braços, confusa.
— Você está falando tão alto quanto uma vitrola quebrada! Quer que todos na vizinhança saibam que a casa ao lado está sendo invadida? - Violet disse, rápido, porém de fácil compreensão. Magnolia deu de ombros.
— Limpando. - Winter, ao lado de Violet, corrigiu. — Nós estamos iniciando uma limpeza na casa.
— E invadindo, também. - Maggie completou, recebendo olhares julgadores de ambas as mulheres.
Percy foi o primeiro a subir a escada, tomando cuidado com seus degraus de madeira e sentindo o objeto bambolear debaixo de si conforme dava cada passo. Benedict segurou a escada, dando mais confiança para o rapaz prosseguir com o plano. Entre os lábios e dentes do Hill, ele carregava um grampo de cabelo, considerando que o próprio Edwin havia dito que não tinha a chave para o sótão, precisavam fazer sua própria entrada para o lugar.
Deveria admitir que não era o melhor para aquele trabalho, na verdade, nunca foi o responsável pela parte de resolver mistérios e fechaduras. Por isso, acabou precisando de boas tentativas falhas para conseguir abrir a janela. Louis respirou fundo enquanto olhava para aquela cena, não havia sido feito para isso.
Percy deu uma cotovelada, depois outra, até conseguir abrir a janela. Seu sorriso alargou, indo de orelha a orelha. Então, sinalizou para Benedict que poderia subir, assim, Perseu saltou para dentro da casa, caindo em cima de algumas caixas de papelão e rolando até o chão. Esfregou o braço ao qual utilizou para amenizar sua queda.
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Hermético
HorrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
