Capítulo 39

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A mansão Cornell amanheceu em completa agitação e caos. Pessoas se locomovendo de um lado para o outro, carregando equipamentos, discutindo, arrumando barreiras provisórias. Ocorria uma pequena hecatombe no recinto, um processo de implosão.

Cyrus respirou fundo, tentando se esvair dos pensamentos que consumiam sua cabeça. As sombras dos céus pareciam estar mais fortes, mais dançantes, como se aqueles terríveis tentáculos estivessem prontos para atravessarem os céus e lhe pegarem. Balançou freneticamente a cabeça e se serviu de uma xícara de chá, suas mãos trêmulas com o terrível pensamento enquanto levava a porcelana para os lábios. Deixou que o líquido descesse sua garganta, relaxando-o.

— Cyrus, você sabe onde Ezra colocou as tintas e os pincéis da última vez que nós emprestamos a ele? - Nancy questionou ao chegar no cômodo, ofegante. Sinceramente, Cyrus não se assustou com a chegada da irmã, virando-se gentilmente para ela com a xícara em mãos. — Aaron está procurando.

— Para o que, exatamente? - Um sorriso escondia suas preocupações anteriores.

Ah! Você conhece ele! - A mulher soltou uma curta risada, também pegando uma xícara para si e despejando chá. — Deve estar atrás de alguma forma de desestressar, também.

— O dia começou agitado, não foi? - Ele fez uma pergunta retórica, em uma pequena piada que fez a irmã rir.

— Estou sentindo a minha cabeça explodindo de dor de cabeça. - Nancy comentou, tomando um gole de chá e se encostando ao lado do irmão. — Lembra do exercício da tigela?

— O primeiro, é claro!

— É como se a minha tigela mental de mediunidade estivesse tentando se esvaziar, mas está debaixo de uma cachoeira enorme. - Cyrus soltou uma alta gargalhada, compreendendo perfeitamente o sentimento.

— Não se preocupe, acredito que todos nós estamos assim. Médiuns e não-médiuns. - Nancy concordou com a cabeça, tomando mais um longo gole de chá. Sempre possuiu maior dificuldade em controlar sua mediunidade sem sentir sua mente se esgotar rapidamente, mas estava tentando, desde quando foi acolhida pelos Cornell.

Antes que os irmãos pudessem continuar a conversar, Dominica atravessou a cozinha como um furacão. Colocou metade do corpo para fora do cômodo, atravessando a porta e encontrando Monica e Lysander, que pareciam completamente perdidos naquele momento. A mulher sinalizou com a mão para que os irmãos mais novos se aproximassem, uma ordem bem clara e que nenhum dos dois eram loucos o suficiente para não cumprirem. Quando todos os irmãos Cornell estavam ali, Dom fechou a porta de acesso para a cozinha com toda a força que possuía.

— Se nós não colocarmos ordem nessa bagunça, não será necessário a noite chegar para esse lugar pegar fogo, eu farei esse trabalho antes! - Dom gritou, iniciando seu período de reclamações. — Eu não consigo mexer em um arquivo sem ser incomodada! Nós ainda precisamos de informações!

— Respira fundo, Dom... - Cyrus tentou apaziguar a situação.

— Todo mundo realizou uma lobotomia antes de chegar aqui? É a única resposta que estou percebendo! Apenas músculos, armas e baboseiras que apenas vão piorar essa situação maldita!

— E gritar está ajudando muito, não acha? - Monica comentou, sarcasticamente, enquanto tapava os ouvidos. Dominica imediatamente fuzilou a irmã mais nova com o olhar, com uma sobrancelha erguida. Lys sentiu o medo pela jovem Monica.

— Creio que todos nós precisamos pensar, não acham? - Cyrus colocou mais água para ferver na chaleira e foi para a dispensa, procurando folhas de camomila para uma nova dosagem de chá. — E um copo de chá sempre ajuda com isso!

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