Capítulo 24

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A noite era jovial para qualquer vampiro, uma velha amiga para as criaturas da noite. Beirava a uma amante para o sobrenatural, onde o Além conseguia acessar a outra realidade completamente. Uma dança entre o inacreditável e as assombrações mais profundas da humanidade.

Delilah era uma dessas criaturas que acreditavam que a relação do sobrenatural com a noite era um amor intenso e milenar. Sendo uma vampira, diria que é o mínimo de sua visão desde o dia que voltou a vida. Bebericando sangue de uma xícara de chá, com a porcelana pintada por flores e gravetos, refletia sobre como poderia aproveitar a escuridão naquele dia.

Sua pele pálida ganhava o mínimo de cor com o contraste do fogo e o bege de sua pele. Os seus olhos escuros, no entanto, absorviam todo tipo de luz, eram opacos e sem vida, observando a solidão de Delilah desde o primeiro dia. Seu cabelos castanhos escuros também não fugiam da estética morta. Não era uma vampira descuidada, mas era difícil enganar vivos por muito tempo. Afinal, por baixo do belíssimo vestido que utilizava, sua pele ainda era fria.

Em meio às luzes fracas de velas, uma nova sombra emergia de um dos diversos corredores do lugar. Com um vestido triunfante, de adornos azulados em torno do tecido branco, a figura majoritariamente conhecida como Manon Le Sueur limpava o sangue que escorria de seus lábios com suas luvas. Estava com a aparência impecável, os cabelos loiros presos em um coque e nenhum arranhão em sua pele, exceto por dois pequenos buracos, já cicatrizados e tão antigos quanto a própria vampira, em seu pescoço.

— Como estão? - Delilah perguntou, um sorriso fino aparecendo em seus lábios.

— Como o esperado. - Manon respondeu, retirando as luvas de seus braços. — Ainda humanos demais para serem vampiros, mas lentamente acreditando no que está acontecendo.

— Soube do acontecimento com o Ruína, Ekatarina? - Por alguns momentos, a outra mulher não respondeu, mas após lembrar-se do próprio nome revirou os olhos e encarou Delilah.

— Ainda penso que carrego aquele estúpido nome, desculpe-me. - Manon, ou como realmente é chamada, Ekatarina Kriemhild Demoke respondeu. — Sinceramente, não tenho o mínimo interesse em ir atrás dele. Passei meses e meses com aqueles bastardos da Ordem de Crowley sem ser pega, enquanto aquele incapaz não conseguiu semanas!

— Você não tem medo do...

— Ele não é meu chefe, apenas meu sócio. Como eu e você. - Ekatariana interrompeu. — Por sinal, eu ainda acho que Ruína e aquele amiguinho dele são traidores imundos. Querem proteger a humanidade de alguma forma...

Oh, que surpresa! - Delilah disse, sarcástica. Riu fraco antes de tomar mais um gole de sangue. — A propósito, como Arthur está?

— Adaptando-se, mas é tão patético quanto um humano. Um desperdício, Delilah!

— Eu imaginei, querida. Mas é melhor um vampiro no mundo do que mais um saco de sangue ignorante.

Ekatarina ficou em silêncio por um breve momento, apática, seu rosto era tão frio quanto sua pele morta há anos. Logo após, soltou uma gargalhada melódica, mas que era capaz de assombrar qualquer um que a ouvisse. Delilah sorriu enquanto bebericava o último gole de sua xícara, aquele sopro de vida indo ajudá-la a sobreviver por mais alguns dias.

— Devo admitir que sua visão de mundo está lado a lado com a minha, não esperaria por isso quando cheguei por aqui... - Ekatarina admitiu.

— Nem mesmo eu imaginei estar nessa... loucura!

— É algo temporário, isso eu garanto. Uma curta aliança com objetivos similares...

— O fim da humanidade e da Ordem de Crowley? Isso realmente parece loucura. - Delilah continuou, com o certo deboche em suas palavras.

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