— Olá? - A voz de Kostya ecoou ao lado de fora da residência de Alphie, fazendo o homem bufar com raiva. — Tem alguém em casa?
— Como ele ao menos sabe que eu estou aqui? - Alphonse resmungou, ainda jogado na poltrona de sua sala.
— Talvez pelo fato de você não estar na enfermaria agora, a melhor alternativa seria procurar em sua casa... - Klaus respondeu, cautelosamente adentrando na sala com uma xícara de chá.
Olhou pela janela, fazendo o máximo para ser sorrateiro, mas Kostya já estava em seu caminho em direção a porta da frente. Ao ouvirem as batidas estridentes na porta, Alphie resmungou novamente, afundando-se em sua cadeira. Klaus soltou uma risadinha baixa com a cena, enquanto tomava um pouco de seu chá.
Alphonse não queria atender a porta, mesmo que isso significasse agir como uma criança mimada. Mas, não tinha para onde fugir, Konstantin bateu novamente na porta. Levantou-se, dando passos lentos e tentando encontrar qualquer mínima abertura para se atrasar. Seu caminho foi pleno, infelizmente.
Destrancou a porta e a abriu de súbito, assustando o rapaz por trás dela, que estava pronto para bater novamente. Kostya deu alguns passos para trás, até aparecer um fino sorriso em seu rosto ao deparar com o rosto emburrado e claramente irritado de Alphie. Voltou a sua posição inicial ao conseguir compreender a situação.
— Ah, senhor Vallancourt! - Exclamou, alargando o sorriso receptivo em seu rosto.
— O que você quer aqui? - Como sempre, Alphie estava sem paciência, almejando para que aquilo acabasse logo.
— É sobre o incidente, você já deve saber o que é... - Coçou a nuca.
Alphonse bufou, retirando o olhar do rapaz enquanto analisava o que estava acontecendo. Era algo ruim, só poderia ser algo ruim. Mas, não tinha para onde correr naquele momento, afinal, os problemas vieram pessoalmente em sua porta.
— Entre e seja rápido. - Ordenou, dando espaço para Kostya entrar.
Konstantin engoliu em seco, mas ainda sim adentrou na casa, anotando mentalmente para ir direto ao ponto. A residência de Vallancourt em Murbrook era uma das poucas heranças inglesas que o homem possuía, onde ele em algum dia de sua vida já conviveu com sua mãe. Era um lugar glamouroso, feito pela demanda do atual proprietário. Kostya nunca pensou que algo glamouroso também conseguiria ser aconchegante como aquele lugar conseguia equilibrar.
— Bom dia, Kostya! - Klaus o cumprimentou, equilibrando a xícara no pires em sua mão. O mais novo saiu de seus pensamentos e baixou ligeiramente a aba de sua boina, em reciprocidade. — Aceitaria uma xícara de chá?
— Sim, por favor! - Respondeu, fazendo o mais velho prontamente se direcionar para a cozinha novamente.
Antes que pudesse pensar em analisar o lugar com mais cautela, os passos de Alphie marchando em direção a sala eram mais imperativos do que qualquer ordem que dissesse. E o russo não era louco em contrariar aquelas palavras não ditas. Mesmo que ainda encarasse o lugar de maneira encantada, precisava ser curto e direto.
Alphonse sentou novamente em sua poltrona, indicando com a cabeça para que Kostya sentasse no sofá ao lado. Obedece, como havia feito desde o início daquela interação. O sofá de couro era confortável, assim como as enormes estantes de livros ao redor do lugar e a iluminação não muito forte que a grande janela em sua frente proporcionava.
— Novamente eu lhe pergunto: o que você quer? - Alphie retirou novamente o rapaz do seu mundo de pensamentos, com a voz severa causando calafrios em sua espinha.
— Primeiramente, queria dizer que você tem uma casa muito bonita! - Alphie arqueou uma sobrancelha, fazendo Kostya engolir em seco novamente. — Segundo, você conhece o senhor e a senhora Von Ellington, certo?
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Hermético
HorrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
