Ofegante, mas com um sorriso enorme saltando em seus lábios, Calidora abriu a porta da biblioteca com tudo. Genuinamente não se importou em assustar seus colegas de equipe, havia finalmente conectado os pontos, mesmo que seu conhecimento fosse resumido no que sua mãe lhe disse. Se tivesse entendido direito, lembrando-se dos mínimos detalhes da descrição da visão de Gwendolyn, havia encontrado a chave de tudo.
Quando chegou perto da equipe, com suas conversas de adultos chatos, interrompeu tudo ao bater com aquela bíblia na mesa. Sentia-se como uma missionária maldita com aquele conjunto de ações, não sabendo como os presentes na mesa iriam reagir. É claro, se assustaram, mas não tanto quanto Anita, que sentiu como se seu coração saltasse pela boca.
— Calidora! - Em uma mistura de surpresa e certa irritabilidade, Anita exclamou. — Eu não pedi...
— Olhem! - Callie interrompeu a própria mãe, ligeiramente animada demais.
Foi então que Anita prestou atenção no objeto que foi colocado na mesa, e seus olhos brilharam. O fatídico inseto que tanto lhe atormentava estava marcado visivelmente na capa velha de couro. Queria explorar as páginas amareladas daquele livro, entender tudo o que estava acontecendo em sua vida, isso se não fosse a enorme tira de couro conectado aos dois extremos do objeto. Alexander soltou uma risada nasal, sarcástica e desanimada, enquanto erguia as sobrancelhas.
— Se quiséssemos ler um livro, acredito que teríamos opções melhores por aqui. - Disse, levando um pisão no pé de sua irmã.
— Você encontrou isso aonde? - Gwendolyn parecia tensa.
— No arquivo. Onde mais nesse lugar, além da biblioteca, você acha que teria um livro? - Gwen soltou um olhar mortífero para Callie após essa resposta.
— Não vamos nos exaltar, por favor! - Clark tentou interromper a discussão, mas suas palavras foram completamente em vão.
— Você ao menos sabe no que está mexendo, garota? - Gwen se levantou, se aproximando da adolescente. — Quantas vezes um fantasma te perseguiu? Você sabe a sensação de ter contato com o sobrenatural diariamente? Como se estivesse em uma prisão e não conseguisse sair de maneira alguma?
— Sabe, - Anita respondeu, se levantando e ficando entre sua filha e Gwendolyn. — assim como eu e você.
Alexander simplesmente revirou os olhos com tudo aquilo que estava acontecendo. Inúmeras vezes essa cena já aconteceu em sua presença. Inicialmente, tentava interromper sua irmã ou apaziguar a situação, mas nunca funcionava. Gwen encarava Anita com o semblante fechado, com seus olhos faiscando por uma briga. Já sabia o que aconteceria depois disso, então, não iria ser o idiota da situação para impedir.
No entanto, notava que não tinha a mesma linha de pensamento que Abel e Clark. Ambos se entreolharam em confusão, tentando pensar em um plano mudo de como evitar toda aquela situação. Contudo, não foram rápidos o suficiente como a pessoa que, cautelosamente, abria a porta da biblioteca, olhando para tudo como se soubesse estar atrapalhando algo.
Mas Alexander nunca saberia que quem estava entrando naquele momento era sua esposa, Maude. Sua espinha gelou e o homem ajeitou a postura, levantando-se em um pulo e se aproximando da porta. No entanto, os reflexos de Maude eram infinitamente mais rápidos do que o dele, e isso era óbvio, trabalhar como enfermeira para crianças lhe trazia poderes mais profundos que a mediunidade.
— Alex! Finalmente te encontrei! - Disse, enquanto ajeitava seu coque de cabelos dourados. — Pensei que você estava no escritório, mas é uma agradável surpresa te ver por aqui!
— O que você está fazendo aqui? - Perguntou, nervoso.
— Nada demais, amor. - Ela estava completamente tranquila, o oposto do Hill. Seus grandes olhos castanhos olhando para o marido com certa gentileza. — Estava precisando da sua ajuda, por sinal! Mas é algo envolvendo o trabalho... - Pensou por um momento, desviando o olhar. Não conseguia achar a palavra ideal então gesticulou as mãos no ar, como se isso fosse lhe ajudar. — normal, entende?
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Hermético
HorrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
