Ezra mantinha o olhar gélido para o horizonte, sem necessariamente estar olhando para um ponto específico. Era vago, mas isso não significava que ele não estava pensando. Sua mente sempre estava pensando sobre algo e, agora, esperava para uma emboscada.
Elliot adentrou ao território de Ezra, sentindo-se uma criatura inferior conforme o atravessava até chegar no representante da família Sanderson. Haviam diversas estantes de livros, um globo terrestre, desenhos do corpo humano e um crânio extremamente bem esculpido em cima da mesa ao qual o mais velho apoiava os cotovelos e cruzava seus dedos. No entanto, no momento que viu a poltrona luxuosa em frente ao Sanderson, imediatamente foi em direção à ela, tomando-a como seu lugar.
Um sorriso de canto assumiu o rosto de Quinn, estando confortável e se sentindo o rei do mundo. Mas, ao notar as íris azuladas lhe encarando como se soubesse de todos os seus pecados, qualquer animação sumiu de seu ser. Então, Elliot ajeitou a postura, enquanto assumia um semblante sério.
— Confortável, senhor Quinn? - Ezra perguntou, em uma falsa recepção. Sua voz era ligeiramente maldosa, Elliot conseguia perceber isso.
— Agora, não. - Confessou, esfregando as mãos em um claro sinal de ansiedade. — Por que você me chamou aqui?
— Apenas por precaução... - Ezra disse, levantando-se da sua cadeira e se aproximando do arquivista.
Nesse caminho, ao passar pela sua mesa, cautelosamente pegou uma lupa. Conforme via o Sanderson se aproximar, Elliot afundava ainda mais o corpo no estofado em que estava sentado, principalmente após Ezra aproximar seus rostos. Ele estava com um olhar típico de um doutor insano.
Então, em um movimento rápido, ele segurou o queixo do rapaz, abrindo a sua boca à força. De começo, Elliot estranhou, sentindo o coração pulsar forte o suficiente para explodir sua caixa torácica. No entanto, quando ele aproximou a lente de seus caninos, imediatamente entendeu o que estava acontecendo.
Relaxou os ombros no mesmo momento, bufando de incredibilidade. Ezra continuava a observar seus dentes, puxando sua pele como se fosse argila. Não disse uma palavra durante aquele evento inteiro, apenas esperando Ezra se frustrar por conta própria. O que estava acontecendo rápido demais, Elliot até possuía presas gastas demais para rasgar pele e carne como um vampiro. Então, retirou a mão do rosto do rapaz, jogando a lupa de volta para cima de sua mesa.
— Se você estivesse desconfiando de que eu era um vampiro, poderia ter simplesmente me perguntado... - Resmungou, esfregando a mão direita no queixo, ainda sentindo o aperto de Ezra em seu rosto.
— Então, me diga o que você é! - Ezra gritou. — Um lobisomem? Um morto-vivo que seja?
— Eu sou um humano como você, Ezra. Não entendi sua pergunta...
— Foi você o responsável por quebrar a janela da igreja naquela noite, não foi? - Ezra novamente encarou Elliot, profundamente. — Você era o único do grupo que não estava conosco naquela hora!
— Eu só estava ajudando aquele gatinho que mora no cemitério. - Deu de ombros. — Nada para se preocupar!
— Você, então, é o assassino por trás das cartas?
— O que? A responsabilidade subiu na sua cabeça, Ezra? - Elliot parecia genuinamente confuso com tudo o que estava acontecendo. — Não, filho de uma prostituta! Você acha mesmo que eu faria uma atrocidade dessa? Você acha que eu ia conseguir afogar e arranhar um homem adulto? Olha, sinceramente...
Levantou-se, não estava irritado como parecia, estava indignado, e consequentemente mais estabanado. Limpou as calças de qualquer vestígio de poeira, ainda encontrando alguns pelos de gato da noite anterior. Então, levantou o dedo indicador da mão direita, prestes a desabafar.
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Hermético
HorrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
