Capítulo 33

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A força que Ekatarina utilizava mordendo o próprio lábio inferior era uma maneira de extravasar seus rancores. Se não fosse esse maldito acordo para que seu plano desse continuidade, já teria descontado todo o seu ódio em sua mandíbula no pescoço da diretora do manicômio. Ela e sua laia humana inútil possuíam somente um único objetivo, e ainda assim, conseguiram falhar.

Delilah possuía uma expressão falsamente séria. Certamente, estava se divertindo com o acontecimento, mas não queria arrumar uma briga com Ekatarina. Então, abaixo de seu guarda-sol, poderia tranquilamente deixar seus lábios se curvarem gentilmente em um sorriso debochado. Ekatarina se contentava somente com a proteção de suas luvas grandes, seu chapéu e seu vestido longo.

Esperaram as explicações acabarem, mas sinceramente, Ekatarina já estava exausta de ouvir desculpas e não encontrar uma maneira de consertar aquilo. Quando encontrou uma brecha para tal, estendeu a mão, em um sinal para que Octávia ficasse em silêncio e adentrou no manicômio, marchando até o templo localizado no local. Delilah seguiu-a, alguns passos de distância atrasada, apenas para garantir aonde a outra vampira estava indo.

Ao chegar no lugar, estava exatamente como a MacNèill havia lhe dito. O buraco aberto no chão onde Babadook costumava perambular pelo hospital psiquiátrico, o ritual no chão lhe recepcionando e mostrando a incompetência daqueles cultistas, e o enfermeiro ainda preso, entediado e com a cabeça apoiada nas grades. Ela genuinamente não ligou para ele, Delilah foi quem lhe soltou, com um sorriso cínico nos lábios. Levantou-se, engoliu em seco e marchou de cabeça baixa até sair do lugar, não queria ver a fúria de uma vampira milenar tão cedo.

Voltando ao seu trajeto original, Delilah fechou a sombrinha, balançando casualmente o molho de chaves em mãos. Ekatarina estava de pé ao redor do buraco, com os braços cruzados, olhando para aquele abismo esperando que a observasse de volta. Delilah direcionou o olhar para o mesmo lugar que a colega, ficando ao seu lado.

— O que você pretende fazer agora? - Delilah questionou, ligeiramente cantarolando. Ekatarina continuava com os olhos fixos naquele abismo.

— Eles já me deram tudo o que eu precisava, não preciso continuar com ele. - Resmungou em resposta.

— Os rituais?

— E a ajuda com os corpos... - Ligeiramente pensativa, Ekatarina continuou, levantando um novo ponto: — Pedirei para Vigia ou Ruína resolverem isso, não tenho tempo o suficiente para esse trabalho irrelevante!

— Pensei que iria desistir...

— Infelizmente, nós temos um inimigo em comum, lembrei-me neste instante. - Ficaria lisonjeada em poder transformar esses cultistas podres em uma raça de verdade, com um cérebro funcional. Humanos não funcionam e nunca irão funcionar da mesma maneira que um vampiro.

— Já estou familiarizada com seu discurso, Ekatarina. Não precisa repeti-lo. - Delilah revirou os olhos, mas a outra não pareceu se importar.

— Estou apenas falando a verdade, e você sabe muito bem disso. - Ditou, direcionando o olhar para a vampira, que encarou-a de volta. — Juntamos os corpos e os cultistas, melhorados, vampirescos, e uma decepção como essa nunca mais irá acontecer!

— E você consegue mais membros para o seu clã...

— Exatamente! Você não está tão distoante quanto eu pensei... - Debochou.

— Nós compartilhamos a mesma falta de apreço pela humanidade, creio que nossa diferença esteja há alguns passos de distância.

— Agradeço pela sua ajuda. Creio que, em breve, até mesmo a Ordem de Crowley estará sob os nossos pés. - E soltou um curto sorriso de lado, como se ganhasse um presente.

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