A guerra traz benefícios para aqueles que estão no topo. Para aqueles que estão por baixo, se você não morrer em campo de batalha, você vai morrendo aos poucos, lentamente, com um veneno invisível aos olhos. Seja na economia, no seu próprio psicológico ou na comida em cima da sua mesa, tudo está envenenado.
Pelo menos, era o que Barbara Gisella Von Ellington refletia enquanto seu marido, Castiel, terminava os preparos do almoço. Sua atenção para o mundo real voltou quando Cass serviu-a de um belíssimo prato com chouriços e purê de batata, com uma apresentação digna de restaurante. Deveria admitir que ainda estava desacostumada com a comida inglesa e que sentia um pouco de falta das divisões de pratos da Itália.
O homem estava com um sorriso de orelha a orelha no rosto, seu típico sorriso iluminado na face. Sua pele negra parecia igualmente iluminada como seu sorriso, com um tom de pele quente, assim como seus cabelos crespos e completamente fora do padrão caucasiano dos anos vinte o tornava ainda mais bonito. Castiel havia ensinado o filho do casal, Asriel, a manter um cabelo semelhante ao dele, trazendo momentos divertidos para Barbara. A mulher preferiu deixar seu cabelo um pouco mais curto, com as ondas de cachos perfeitos até o ombro, que ressaltam sua pele negra.
Por sinal, Asriel já saboreava seu almoço, com tranquilidade e um sorriso simpático no rosto. Soltou uma risada curta ao ver seu rostinho feliz e sua incapacidade de usar a faca direito, preferindo comer um dos chouriços de seu prato apenas fincando o garfo nele. Encostou em seu ombro cautelosamente e, assim que recebeu sua atenção, sinalizou para ele utilizar a faca.
— Então, - Castiel quebrou o silêncio, antes de tomar um curto gole d'água. — acha melhor nós diminuirmos o horário de funcionamento da loja?
— Creio que sim. - Barbara concordou, comendo um pouco de purê. — Pelo menos um pouco no período da manhã e da tarde, nós iríamos voltar para casa exaustos!
A loja de roupas Von Ellington sempre foi um negócio de família. Desde quando Cass migrou dos Estados Unidos para a Inglaterra até quando Asriel nasceu, com algumas eventuais adições ao decorrer de sua história. No momento, as principais afiliadas eram Delphina McEasom e Theresa Shennong, ao qual interrompiam o almoço da família Von Ellington, com a companhia do pai de Theresa, Adam. Podiam dar esse benefício, haviam combinado com os outros funcionários da loja a trocarem os horários de trabalho entre si.
Barbara que se levantou para atender a porta, tendo reflexos mais rápidos do que os de Cass para isso, indicando que ele poderia prestar atenção em seu almoço do que as batidas incessantes na porta. E foi basicamente assim que a mulher foi transbordada por informações do trio do lado de fora, ao qual acabou entrando na conversa fervorosa que os três tinham sem entender do que se tratava. Precisou respirar fundo para propriamente recepcioná-los.
— Olá. - Barbara interrompeu, com uma expressão confusa antes dos três notarem ela. — O que está acontecendo aqui?
— Você acha que o Babadook é um lobisomem ou um vampiro? - Delphi perguntou, agitada e curiosa. Barbara arqueou uma sobrancelha.
— Não entendi a pergunta.
— Delphi acredita, fielmente, que o Babadook é um lobisomem, eu acho que é um vampiro. - Theresa contextualizou, até ser interrompida pelo pai.
— E eu acredito que é uma shui gui! - Adam comentou. — Aquele lago perto da ferrovia sempre me deixou desconfiado...
— Por que vocês não entram e discutem propriamente sobre isso? - O trio se entreolhou por alguns segundos, em um diálogo mudo, até assentirem e Bárbara os deixou entrar.
Delphi adentrou com menos receio na casa, considerando que já dormiu no quarto de hóspedes da família durante diversas noites, até mesmo mais vezes do que dormiu em sua casa. Theresa e Adam ainda estavam conhecendo o local, os Von Ellington eram amigos dos Shennong, é claro, desde o dia que a família migrou da China para a Inglaterra, mas ainda assim não tinham o costume de visitas. Castiel levantou-se ao vê-los ali, ajeitando rapidamente a postura por um momento.
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Hermético
TerrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
