Algo de errado estava acontecendo naquele dia, pelo menos era o que Léonie pressentia. Ou apenas tenha dormido mal naquela noite e estivesse sofrendo as consequências agora. Mas não podia continuar se distraindo com um sentimento tão superficial, precisava continuar com seus afazeres.
Aaron havia lhe dito para ir à biblioteca quando acordou naquele dia, hospedando-se mais uma vez em um dos quartos da mansão Cornell ao invés de ir em alguma hospedagem melhor. Sinceramente, poderia até gostar dos ares rurais e britânicos de Murbrook, mas já estava sentindo falta da Suíça. Até mesmo as criaturas germânicas que caçava estavam lhe gerando saudade.
Caminhou em passos apressados para a biblioteca, casualmente mexendo na saia de seu vestido enquanto seguia o seu percurso. Poderia jurar que deixou cair um pouco de chá nas vestes bege, mas decidiu ignorar, já deveria estar atrasada. Quando abriu a porta para adentrar ao cômodo, foi recebida por uma gargalhada pomposa de Reyna, que claramente se divertia com os comentários de Finnian.
Além da dupla, também havia Murdina, sentada em cima de uma das mesas para leitura, com seu típico sorriso de canto e os cabelos ruivos presos em um coque. Ao lado dela, havia uma outra mulher, a qual Leo tinha a vaga impressão que a conhecia. Seu cabelo castanho escuro e olhos vibrantes como diamantes certamente eram fatores a serem lembrados, assim como sua expressão entediante.
— Ah, minha querida Leo! Chegou bem a tempo! - Reyna chamou novamente sua atenção com sua recepção. — Venha! Vamos começar logo com isso!
A suíça assentiu de imediato, aproximando-se da outra mulher. Dina afastou-se da mesa e também se uniu ao grupo, os caçadores formavam um círculo. Gwendolyn certamente estranhou um pouco a proximidade da recém-chegada com ela, recolhendo o seu corpo e cruzando os braços. Reyna bateu algumas curtas e melódicas palmas antes de voltar a falar, em um sinal de entusiasmo e para o grupo continuar mantendo a atenção em si.
— Como vocês devem saber, Babadook nos enviou uma nova carta. Creio que não é preciso falar o que havia como conteúdo, mas certamente, ele não ficou contente em termos capturado um de seus servos. A tarefa de vocês é bem simples, na verdade: vocês serão os vigias do nosso prisioneiro. Entendido?
— Nós iremos ficar o dia inteiro vigiando ele? - Finn perguntou e Reyna deu de ombros como resposta.
— Vejam como acham melhor, vocês são uma equipe agora!
— Podemos ter acesso liberado às armas? - Foi a vez da Dina perguntar.
— Como quiserem, queridos. - Reyna disse, dando curtos passos para atrás. — Agora, com licença. Preciso ajudar Vanessa com as investigações dela!
E saiu do recinto às pressas, deixando o quarteto a sós. Um silêncio ensurdecedor assumiu a biblioteca naquele momento, o que seria bom caso algum deles quisesse ler, o que não era o caso. Dina soltou uma risada nasal e voltou a se sentar em cima da mesa.
— Com as armas liberadas, pelo menos não vamos morrer! - Comentou, com um certo deboche em sua voz.
— Precisamos nos organizar antes de nos armar. - Leo tomou as rédeas da situação, assumindo o lugar que Reyna estava no pequeno círculo. Ela olhou para Gwen naquele instante. — A senhora reconhece a caça ou...
— A princípio, pode me chamar de Gwendolyn, senhora. - Interrompeu a pergunta de Hoss. — E sim, creio que qualquer membro da Ordem de Crowley saiba o que está acontecendo.
— Apenas estava levantando informações, Gwendolyn. Um movimento em falso seria a ruína de diversas coisas ao qual conhecemos. — Leo completou. — E pode me chamar de Léonie.
— Que dupla mais carismática, viu? - Finn comentou, um leve tom sarcástico em sua voz.
— Creio que nenhuma de nós está aqui para gracinhas, Finn. Somos uma equipe agora e devemos agir como tal!
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Hermético
HorrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
