Capítulo 35

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Sinceramente, Elliot não estava muito à vontade para conversar naquele dia. Na verdade, ele nunca estava, mas hoje estava pior. Apenas atravessou o arquivo até as mesas ao fundo e se sentou em uma das cadeiras, sem necessariamente estar interessado em estudar algo ou fazer alguma coisa importante, apenas queria descansar um momento.

Odiava dias agitados por conta de suas consequências, seus pesadelos sempre ficavam mais intensos. Acordou durante a madrugada, suando frio e com a respiração acelerada, apenas dormindo durante uma hora, o que já era um bom número considerando outros dias que passou a noite em claro. Consequentemente, está exausto na manhã seguinte.

Era constantemente o mesmo pesadelo, repetidas e repetidas vezes. Ele estava na biblioteca da família, tudo parecia estar desmoronando, uma espécie de fantasma do seu pai assombrava os corredores. As criaturas que seu pai escreveu e criou também costumavam vagar por lá, era um karma que precisava aguentar. Ele fez as pessoas acreditarem no sobrenatural e caírem nas armadilhas de tais criaturas, era justo que seu filho pagasse o preço. E, deveria admitir, que não estava muito determinado em acabar com aquilo. Assim como seu pai, também escrevia seus problemas e traumas em formatos monstruosos. Suas histórias nunca foram terminadas, e ele não sabia se queria o fazer de fato.

William percebeu a passagem de Elliot. Escondido nos corredores das prateleiras, estava verificando novamente se a caixa que Vanessa havia lhe devolvido estava com os arquivos corretos, sem desorganização, enquanto Malcolm procurava a segunda caixa. Quinn passou como um furacão, alertando o Kingston. Ele inclinou o corpo para fora do corredor em que estava, direcionando o olhar para o colega. No momento, Elliot estava completamente largado em uma cadeira, braços que pareciam pendurados em seu próprio corpo e as pernas abertas, a cabeça deitada no encosto (que certamente lhe causaria alguma dor se continuasse naquela posição) e as pálpebras fechadas cobrindo o mínimo de luz que o cômodo possuía, uma estratégia completamente ineficiente.

Lá vamos nós, William pensou, revirando os olhos. Demorou mais um pouco, fazendo seus típicos afazeres de quando chegava no arquivo. Verificou as estantes, tudo estava em perfeita ordem e localizado no devido lugar, exceto aquela uma caixa que pediu para Malcolm trazer, conversaria com Vanessa depois. Precisava arquivar os novos relatórios, escrever algumas conclusões, consequentemente, e esperar pelas atualizações de relatórios diários.

Basicamente, fez tudo o que precisava fazer pela manhã antes de ir conversar com Elliot. Novamente, ao vê-lo largado no fundo da sala de arquivos, suspirou, como se estivesse completamente exausto. Caminhou lentamente, seus passos silenciosos o suficiente para o Quinn não escutá-lo se aproximando. Alguns segundos se passaram, William esperava ser percebido pelo outro, que parecia já estar adormecido. Soltou outro suspiro cansado, arqueando uma sobrancelha de julgamento e cruzando os braços.

— Pretende dormir o dia inteiro? - Indagou, suas palavras ecoando pelas paredes do local e acordando Elliot em um profundo susto. Com a respiração ofegante e percebendo a figura do supervisor, colocou uma mão sobre o peito, acalmando-se. — Caso essa seja sua preferência, eu recomendaria você se levantar e ir embora para bem longe do arquivo.

— Deixe de ser chato, Will! - Elliot protestou, voltando a apoiar a cabeça no encosto de sua cadeira. — Não estamos com tanto trabalho para fazer!

— Mas esse lugar apenas não é uma completa bagunça pois estamos todos trabalhando, e você não será uma exceção. - Elliot bufou, já compreendendo que o tom autoritário de William não iria deixá-lo livre.

Antes que pudesse contra-argumentar, a porta do arquivo foi aberta, trazendo Malcolm McEarchairn com a última caixa de relatórios não-solucionados da Ordem. William levantou as sobrancelhas rapidamente, com um sorriso escondido nos lábios, seus cálculos haviam funcionado novamente.

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