Capítulo 12

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A noite começava a assumir o céu, fazendo o lugar ficar ainda mais assustador do que antes. A brisa esfriava a cada segundo que passava, assim como cada sombra parecia se mimetizar em formas ainda mais distorcidas. Mesmo assim, a visão de Barbara ainda não saia de sua cabeça, como se houvesse a tomado por completo.

    Alphie, então, levantou-se de onde estava, encarando os últimos vestígios do sol no horizonte. Colocou o sobretudo pendurado em seu ombro e enganchado em seus dedos, Barbara ainda o observava, ainda confusa, ainda completamente tomada pelas suas visões. Não poderia ser ele, certo?

    — Eu preciso ir. - Alphonse anunciou, com o olhar incapaz de encarar qualquer um dos presentes. — Prometi a Klaus encontrá-lo antes do anoitecer.

    — Pensei que iria nos ajudar durante a caça... - Adam comentou, enquanto ainda ajustava alguns pontos da armadilha.

    — Eu já os ajudei, ora! - Alphie esbravejou. — Qualquer informação que vocês tenham sobre lobisomens é por minha causa!

    — Patético. - Jane sussurrou, apenas recebendo risadas baixas do irmão ao seu lado.

    Antes que Alphonse pudesse dar mais passos em direção ao horizonte, Barbara aproximou-se, em passos rápidos. Encostou em seu ombro, recebendo um olhar mortífero do homem. Com raiva, ele parecia ainda mais a criatura que encontrou em sua visão.

    — Permita-me acompanhá-lo, por favor. - Disse, colocando um sorriso gentil e amarelo no rosto. — Andar pela floresta sozinho nunca é uma boa ideia.

    — Não entendo sua preocupação repentina, senhora Von Ellington. - Respondeu, com seus olhos castanhos enraivecidos como se fossem tomados por brasas.

    — Barbara tem razão. - Cass logo se aproximou, ficando atrás da esposa. — Andar em grupo irá nos prevenir de qualquer tipo de ataque!

    Alphie revirou os olhos e continuou a caminhar. O casal entreolhou-se, em um diálogo mudo. Castiel ergueu as sobrancelhas para Barbara, que indicou com a cabeça para que seguissem Alphonse, fazendo o marido franzir as sobrancelhas e piscar algumas vezes em confusão. A mulher liderou o caminho de ambos, até Castiel voltar imediatamente para o resto do grupo.

    — Você me empresta uma pá? - Perguntou para Delphi, encarando-a profundamente.

    — Claro... - Disse, imediatamente pensando sobre o pedido. — Mas por que você vai precisar disso?

    — Defesa pessoal. - Respondeu, pegando o objeto jogado no chão ao lado de Delphina.

    E então voltou a correr, deixando o resto da equipe em completo estado de confusão. Alcançou os outros dois poucos passos depois, colocando a pá sobre o ombro esquerdo e ficando ao lado da esposa. Barbara deveria admitir que Castiel poderia ser um tanto exagerado às vezes, mas naquele caso, sua super-proteção poderia estar certa.

    A floresta nunca ficou tão quieta como naquele momento. Nem mesmo a brisa, os animais ou as árvores ousavam emitir o mínimo de barulho. Eram somente os passos do trio, seguindo em linha reta, afundando com os calçados na terra.

    Alphie estava notoriamente emburrado, com os olhos agora tomados de tédio e desânimo, mas nada incomum para chamar a atenção dos outros dois. Barbara ainda emanava desconforto e desconfiança, com passos curtos e extremamente cuidadosos, para ela, ouvir um barulho seria uma esperança. Castiel olhava para trás a cada segundo, não conseguia ver o resto da equipe, nem algum resquício de humanidade nas proximidades. Para ele, ouvir um barulho seria sua sentença de morte e a sentença de seus outros colegas.

    O trio parou no momento em que chegaram às margens de um rio. Nunca haviam visto aquele corpo d'água. Cortava a floresta ao meio, provavelmente tratava-se daquele rio que separava a zona burguesa da zona trabalhadora de Murbrook. Era um rio de águas calmas, cristalinas e que refletia os rostos do trio como se zombasse do fato deles terem se perdido. Alphonse resmungou, como se rosnasse para o rio.

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