Depois de tantos dias procurando algo e não encontrar ao menos um vestígio do que sabia que existia, Ophélia sentia-se inútil. Como poderia ter visto exatamente o que havia de errado naquele lugar mas, ainda sim, não encontrar o mínimo que seja? Onde estavam escondidas essas marcas e fantasmas que procurava? Naquele ponto, acreditava que tudo era uma grande conspiração da sua cabeça, alimentada por estranhos que pareciam entender de algo.
Mas isso também parecia uma hipótese errada, ela sabe o que viu, as coisas estranhas e temores que tinha antes mesmo do exorcismo de Adrienne. Parecia que Octávia sempre estava a milhões de passos à frente dela, escondendo e manipulando o ambiente ao seu redor para convencer que Ophélia estava enlouquecendo. E talvez estivesse mesmo, viver em um ambiente como aquele derrotaria até mesmo um general do exército.
Não poderia confiar nos seus pais, eles poderiam estar escondendo algo também. Mas, eles poderiam fazer isso? Eles eram seus pais, por que fariam isso? Precisava respirar fundo, descansar, aproveitar a noite por um momento. Sua cabeça estava simplesmente lotada de pensamentos horríveis e já deveria ter adentrado na madrugada.
Jogou o corpo contra o encosto de sua cadeira, jogando a cabeça para trás, seus longos cabelos loiros descendo, quase chegando ao chão. Juanaflippa, caso lembrasse devidamente o nome da cadela, roncava ao lado de sua cama, em um sono profundo. Passou os dedos finos pelos seus fios, massageando sua cabeça e tentando tirar qualquer um desses pensamentos da sua cabeça. Mas antes que pudesse relaxar devidamente, ouviu batidas melódicas em sua porta. Soltou um longo suspiro antes de gritar:
— Pode entrar!
Ninguém respondeu, um período de silêncio se instaurou e as superstições de Ophélia começaram a ser testadas, engoliu em seco, pulando da cadeira. Flippa continuava adormecida. Novamente, outras batidas na porta de madeira, pegou um peso de papel em cima de sua escrivaninha e foi em direção a entrada, qualquer coisa, iria sair correndo daquele lugar. Até abrir a porta, se deparando com a figura de Lenin. Que idiota da sua parte, é óbvio que ele não respondeu, ele não a escutava.
''Olá, Lenin!'' Sinalizou, controlando a respiração.
''Posso entrar? Tenho fofoca!'' Sinalizou de volta, um sorriso divertido em seus lábios.
Ophélia deu um passo para o lado, indicando com o outro braço para que o garoto entrasse. Lennart imediatamente correu até a cama da amiga, pulando em seu colchão e subindo em cima da cama macia, continuando a pular pela estrutura elástica. Ophélia prendeu o riso, sentando-se em sua cadeira novamente.
''Cuidado para não se machucar!'' Alertou, quase de imediato fazendo o garoto se sentar no colchão. Ele estava vestido com um pijama, provavelmente herdado do irmão pelo tamanho que a camisa estava em seu corpo, praticamente um vestido.
''Não sei se você escutou,'' Iniciou a fofoca. ''mas eu vi a senhora MacNèill conversando com alguém no telefone. E parecia muito assustada!''
''Você conseguiu ler os lábios dela?'' Com as sobrancelhas arqueadas, Ophélia parecia genuinamente intrigada com aquela história.
''Não consegui ler muita coisa.'' Confessou e deu de ombros. Logo em seguida, imitando como a diretora costumava falar, com expressões dramaticamente enojadas. ''Ah, sim. Com certeza, senhora. Isso não irá se repetir.''
''Eu não ouvi ela falando ao telefone...'' Comentou, ligeiramente reflexiva. ''Na verdade, pensei que aquela coisa estivesse desligada.''
E ele deu de ombros novamente, um sorriso brincalhão em seus lábios. Antes que Ophélia pudesse puxar um novo assunto para eles discutirem, ouviu um certo burburinho vindo do andar de baixo. Lenin prontamente percebeu a movimentação vinda de Ophélia.
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Hermético
TerrorEm 1929, a crise na bolsa de valores não foi um agravante somente para os Estados Unidos. Ainda se recuperando dos estragos causados pela Grande Guerra, a Inglaterra se vê ainda mais afundada dentro de suas fábricas e empregos cansativos, em busca d...
