Nosso segredinho

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Pov Marilia

- Ainda não acredito que você brigou.- César falou rindo enquanto eu e a Maiara nos aproximavamos dele.- Doidera.- Ele começou a rir.

- Haha.- Falei revirando os olhos, meu maxilar doía pra caralho.

- Obrigada por esperar a gente.- Maiara falou e a gente entrou no carro dele.

- Não podia perder a chance de zuar minha cunhadinha.- Ele riu, depois de alguns minutos estávamos no hospital, hoje é o primeiro dia da quimio, César e eu viemos hoje porque a Almira ainda não esta preparada pra lidar com isso. Minha mãe disse que os primeiros dias podem ser difíceis, ela pode se sentir triste e chorar muito, por isso estou me preparando psicologicamente pra essa hora.

- Oi Maiara.- O Dr Smith falou sorridente ao ver a gente entrar

- Ei.- Ela falou sem graça.

- Vocês vão com ela?- Ele olhou pra mim e pro César.

- Sim.- Nós sorrimos e então ele nos encaminhou pro quinto andar do hospital, confesso que meu coração acelerou de uma forma enorme no momento que o elevador abriu, mais não era por causa da Maiara era pelo fato de que minha mãe sempre falou que o quinto andar não era lugar de brincar, era um lugar sombrio, cheio de crianças que foram castigadas e não podiam brincar, não que eu esteja com medo porque agora eu sei o porquê minha mãe falava isso mais sei lá né.

- Não precisa ter medo.- O Dr Smith falou.

- Eu não tô.- Maiara sorriu.

- Eu tô falando com a Marilia.- Ele riu e eu engoli seco.- Quando a Marilia era mais nova ela corria por esse hospital inteiro.- Ele falou enquanto caminhavamos até a sala da quimio.- Como aqui em cima é um lugar mais sério tivemos que inventar uma história pra ela não subir, parece que ela acreditava nisso até hoje.

- Nada haver.- Revirei os olhos e Maiara me olhou com vontade de rir, eu admiro muito ela mesmo com todas as coisas gritando pra ela ser uma garota pra baixo ela não permite esse sorriso lindo sair do rosto dela.

- Aqui é a nossa sala central.- Ele falou abrindo a porta, tinha vários assentos almofadados brancos espalhados pelo lugar havia algumas pessoas sentadas sozinhas, outras com acompanhantes, esse lugar me dá um frio na espinha.- Você vai ficar na cadeira três.- Ele falou procurando o assento.

- Relaxa.- Maiara sussurrou notando meu nervosismo.

- Aqui.- Ele nos mostrou onde ela deveria sentar.- Pode se sentar.- Ele falou e Maiara se acomodou.- Vocês dois podem pegar duas cadeiras ali.- Ele apontou pra frente e o César pegou as cadeiras pra gente.- Vamos começar?- Ele sorriu gentil pra Maiara, ela agora demonstrava um certo nervosismo me sentei do lado dela e segurei a mão dela com carinho oferecendo um sorriso.

- Vamos.- Ela respirou fundo.

- Ok.- Ele sorriu e colocou as luvas nas mãos.- Vou colocar isso em você mais relaxa é como se fosse um soro.- Ele falou ajustando a bolsa com líquido no suporte.- A diferença é que o seu vai ser no tórax.- Ele falou pensativo olhando um papel.- me passaram a informação errada.- Ele olhou mais um pouco.-  Você vai precisar fazer uma pequena cirurgia antes para implantarmos um cateter no seu tórax, vem comigo.- Ele falou e nós três levantamos.- Vocês dois esperem aqui.- Ele falou e a gente se sentou frustrados.

- Sério que tem medo daqui?- César falou debochando.

- Esse lugar é sinistro.- Falei olhando pra todos, todas as pessoas com um olhar triste e pra baixo fiquei pensando será que a minha garota vai chegar nesse estado? Será que vai ter dias que eu vou chegar aqui e ela vai estar pra baixo assim?

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