— Bem, a carta do Roda da Fortuna para o seu futuro é bem interessante — Normani analisa as cartas de Tarot posicionadas no chão da minha sala. Enquanto estamos sentados de frente para as cartas, Ally e Taylor ocupam o sofá. Normani e eu ignoramos o olhar julgador da baixinha nas cartas. É terça-feira, um dia antes de me reunir com os garotos do time de futebol e fui obrigado a matar aula hoje para uma bateria de consultas médicas. Por isso, Ally sugeriu que nos encontrássemos na minha casa à noite para vermos um filme e comer muita pipoca para quebrarmos um pouco da nossa rotina. Mas é claro que eu não contei o verdadeiro motivo das minhas consultas.
E quando Normani apareceu com um saquinho cheio de cartas de Tarot, Ally quase teve uma síncope. Foi a coisa mais engraçada que eu já vi na minha vida.
— Não sei o que significa — respondo sincero — mas gostei do nome dessa carta.
De relance vejo Ally revirar os olhos e rir baixinho.
— É claro que gostou — ela mostra a língua pra mim como se tivesse cinco anos — sabia que avareza é pecado, Lawrence?
— Larga mão de ser chata — é Taylor quem fala por mim e eu mordo a língua para não rir — isso aqui é melhor que filme de suspense.
Taylor aponta para as cartas no chão em formato de cruz celta. Ally dá de ombros fazendo o sinal da cruz e eu não aguento mais conter a gargalhada. Enquanto conversamos, a TV está ligada num clipe de Justin Timberlake.
— Calem a boca — falo fingindo ressentimento — quero ouvir o que a carta significa.
— Certo — Normani arranha a garganta — A Roda da Fortuna representa Ciclos e mudanças. Sua sorte pode mudar de repente, e você vai precisar aceitar isso. Se preparar para novos desafios.
— Isso não diz muito mais do que já sabemos — faço a minha própria análise — a própria posição de Quarterback é um surto.
— Falando nisso — Ally pergunta curiosa — vocês já decidiram como vão arrecadar todo o dinheiro para a viagem das quartas de finais?
— Temos uma reunião com o time amanhã — dou de ombros, sem nenhuma vontade de encontrar os meninos depois do treino — já pensei em milhões de coisas para fazermos, mas nada muito significativo.
— Eu já te disse... — Taylor sorri de forma maníaca — Coloque cannabis em Cookies, venda no intervalo e fique rico.
— Não estou fazendo nada ilegal — reforço o que já falei antes para minha irmã.
— Não é ilegal se não descobrirem.
— Eu nem sei onde encontraria cannabis em primeiro lugar — retruco.
— Tá bom, gênio — Taylor revira os olhos — no que você pensou?
— Lavagem de carros? — pergunto, inseguro.
— Chato — Taylor ri e joga a almofada na minha cara.
— Hey! — quero devolver a almofada para atingir o rosto da minha irmã, mas acaba caindo em Ally que devolve pra mim atingindo Normani no meio do processo e quando vemos, estamos fazendo uma bagunça de guerra de travesseiros e almofadas. Estamos rindo e a esse ponto, as cartas de Tarot de Normani já bagunçaram no chão e com a voz de Justin Timberlake ecoando na minha casa, me dou conta que é a primeira vez que trago amigos para uma festinha do pijama. Audrey, minha psicóloga, ficará orgulhosa quando eu contar isso pra ela na sessão da semana que vem.
Contudo, entretanto e porém, quando no dia seguinte me encontro na frente do time de futebol, na casa de Niall em Fisher Island na parte da noite de quarta-feira, me sinto exposto e com vontade de fugir e me esconder debaixo da minha própria cama. Os meninos me olham com expectativa, como se eu tivesse um grande discurso para fazer e me pego pensando se eu não deveria ter pensado em alguma coisa. Por isso, trato de improvisar.
— Bem — começo com medo, então tento encarar algum ponto fixo do outro lado da sala, sem olhar para nenhum dos meninos em específico — eu pensei em tentar começar com uma lavagem de carros no estacionamento da escola.
— Isso não é clássico demais? — É Shawn quem retruca primeiro e me forço a olhar pra ele — só conseguimos pelo menos cinco dólares por carro, o que lavando uns trinta carros, dá cento e cinquenta dólares. Não vamos chegar a nenhum lugar assim.
— Muito menos Jacksonville — Liam murmura e alguns meninos concordam. Começo a ficar desesperado...
— E se a gente aumentar, dez dólares e um brinde? — eu forço a minha cabeça a funcionar para pensar alguma coisa. Estou nervoso, minhas mãos suam e as coloco dentro do bolso da calça jeans. Estamos todos sentados na sala, eu ocupando um espaço mínimo no sofá, tentando passar despercebido, mas é impossível quando se é o quarterback e todos estão esperando que você faça ou fale alguma coisa coerente.
— Trinta carros... 300 dólares — Harry murmura — conversei com o treinador e ele disse que o ônibus para Jacksonville está no valor de 1000$ para ida e volta. Com os 40% da escola, a lavagem de carros e faltaria 300 que poderíamos tentar de outro jeito.
— Já sei — um dos meninos começa a falar tímido e reconheço como Zayn— podemos rifar um encontro com o quarterback aqui. Todas as meninas, ainda mais as líderes de torcida, vão participar.
Ok. Será que se eu fugir correndo pra casa os meninos vão me odiar pra sempre? Para o meu desespero, todos começam a concordar com a ideia estúpida e quanto mais escuto a cacofonia das vozes conversando animadas, mais eu fico vermelho. Eu não estou rifando o meu primeiro beijo. Porque é CLARO que o menino Lawrence nunca beijou ninguém ainda. Mas, pelo o que estão falando, não preciso prometer beijo nenhum. É um encontro e um encontro nunca matou ninguém.
Lembro da carta de Normani, a Roda da Fortuna, sobre aceitar mudanças. Engulo em seco e olho de relance para cada jogador que está esperançoso para irmos a Jacksonville. Se este é o grau de dificuldade para entrarmos em um ônibus apenas por cinco horas para chegarmos ao destino, eu não quero nem pensar em como arrecadarmos dinheiro para comprar os voos de todo mundo para Atlanta e Salt Lake City.
— Tudo bem — falo alto o suficiente para todos me ouvirem — lavagem de carros e rifa de um encontro. Estamos de acordo?
Todos gritaram em uníssono, confirmando meu destino e riem em seguida.
Se isso servir para alguma coisa, espero que pelo menos o treinador fique orgulhoso.
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Lawrence
FanfictionLawrence Jauregui está começando uma nova vida. O último ano do ensino médio está prestes a começar e agora que ele finalmente deixou seu nome morto para trás e tem a aceitação completa de sua mãe e de seus irmãos, ele conhece Camila Cabello, a líde...
