Eu te amo, Camzzz

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— Tudo bem — meu professor de robótica começa a aula de quinta-feira com um sorriso no rosto e prestes a continuar a explicação do que faríamos pelo resto do semestre, até o feriado — o corpo de um robô pode ser feito de materiais diferentes, como plástico, madeira ou metal. Para essa semana quero que vocês escolham um destes e escrevam o planejamento completo de motores e sensores, e qual a finalidade dele.

As vezes eu gostaria de ser um robô. Sem sentimentos, sabe barulhos de eletricidade e engenhocas. Eu tenho estado confuso com a venda de cookies, que devo admitir, está sendo muito mais do que a lavagem de carros jamais foi. As pessoas estavam fazendo fila na mesa dos jogadores de futebol e quando Austin resolveu comprar um, me fez levantar suspeitas. — Parabéns, garotos! — o treinador Greyson diz assim que chegamos para o treino aquele dia. Ele tem dois cookies, um em cada mão, e os lábios sujos de chocolate. Faço uma careta. É por homens desse tipo que nossa espécie fica prejudicada.

— Não foi nada demais — Niall sorri — o segredo é nosso ingrediente secreto.

De relance, vejo Harry dando um chute em Niall que reclama logo depois. Tento não pensar nisso e quando chego em casa naquela tarde, mãe e Taylor estão discutindo.

— Porque ele pode e eu não posso? — minha irmã pergunta irritada — Lawrence sempre pode tudo!

— Eu o quê?! — falo irritado largando minha mochila no sofá — você está maluca?!

— Você pode chamar onze garotos fedidos para fazer cookies, você pode escapar com sua namorada para o telhado e ir dormir na casa dela. Porque eu não posso passar a noite na casa do meu namorado?

— Nós já discutimos isso, Taylor! — Minha mãe está enfurecida, brava como nunca a vi antes — eu só falei pra você que ia ensinar Lawrence a dirigir para que ele possa te levar para a escola quando eu não puder e estiver trabalhando. Você mesma disse que não quer mais ir a pé! E então você me perguntou sobre ir dormir na casa do seu namorado e quando eu digo um claro não, pelo menos, não sem conhecer o rapaz antes, você perde um parafuso?

— Agora a culpa é minha?!

Taylor estreita os olhos, respiração pesada e postura de quem se sente ameaçado. Minha mãe olha pra mim e pra ela sem saber o que fazer, eu muito menos, porque acabei de chegar no meio dessa briga. Me pergunto se vai ser muito feio se eu escapar de fininho para a casa de Camila, ou sei lá, voltar a pé para a escola e ficar lá até de manhã.

— Você quer saber de uma coisa? — o tom de voz de Taylor é magoado, como se ela estivesse escondendo uma dor por algum tempo — eu sei que Lawrence só ganha todas essas regalias porque ele é o coitadinho da mamãe e um garoto com depressão crônica, porque se ele fosse a porra de um adolescente normal, nós seríamos iguais!

Eu abro a boca, uma ou duas vezes, sem saber o que dizer. Meus olhos apertam, meus lábios ressecam e eu olho da mãe e Taylor sem saber o que fazer. Sinto lágrimas escorrendo dos meus olhos e quero fugir, mas ao mesmo tempo quero perguntar a Taylor o que está acontecendo, porque essa birra de repente. Ela não é assim. Taylor é idiota, com certeza, mas não a ponto de ferir os sentimentos de alguém. Ainda mais, os meus.

— Vá para o seu quarto, Taylor — minha mãe parece não estar de brincadeira porque ela está tão brava quanto minha irmã — eu não aceito transfobia nessa casa e mais uma fala sua, você estará passando dos limites.

— Ótimo, agora sou transfóbica! — ela ri irônica.

Mordo os lábios, com medo de falar algo que posso me arrepender mais tarde. Não é porque alguém te lança uma flecha no peito que você precisa lançar duas de volta. Ainda mais se esse alguém é sua irmã.

LawrenceOnde histórias criam vida. Descubra agora