Cinco de Espadas

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Quando Normani me envia uma mensagem com uma foto de uma carta de Tarot assim que pisamos no hotel e perguntando se chegamos bem, quero revirar os olhos e rir baixinho. Mas o que ela fala depois é preocupante: Não gostei dessa carta, Law, vocês estão bem?

Já estou acostumado com Normani fazendo tiragens de Tarot e suas previsões malucas, mas ela consegue me preocupar mesmo assim. Há uma ilustração de uma pessoa segurando duas espadas na imagem e outras três espadas caídas no chão com duas pessoas de costas ao fundo. Abro uma nova guia de internet no meu celular e pesquiso Cinco de Espadas por não querer usar Normani de dicionário ambulante. Abro a primeira página que vejo e quando leio o resultado, me sinto ainda pior. A derrota é iminente, o site diz.

Depois que saímos do restaurante de beira de estrada, faço o possível para interagir com os meninos, pelo menos com Harry e Louis, para que o treinador não desconfie de mais nada e continue fazendo vista grossa. O hotel em Atlanta é parecido com o de Jacksonville e a divisão de quartos continua parecida, porque dessa vez fico no mesmo que Louis e Harry e Niall; São quatro camas imensas no dormitório grande e entro rápido no quarto para pegar a cama da ponta, em direção a sacada.

— Lawrence... — Harry entra na sacada devagarzinho quando vou observar a vista. Ele está com os ombros caídos e tem uma ruga na testa — eu queria te pedir desculpa.

— Desculpa? — pergunto, confuso — por quê?

Duvido muito que Harry tenha alguma culpa de alguma coisa. Olho para a vista e observo a noite caindo na Georgia. Me pergunto como seria as outras cidades do estado. Para alguém que nunca saiu de Miami, estou bem saindo bem esse ano.

— Pela maconha — Harry vem até mim, também observando a vista — mas quando Taylor ofereceu... Niall não pensou duas vezes.

— Tinha que ser — reviro os olhos, me lembrando de como Niall pediu para que usássemos o tabuleiro ouija mesmo depois de Ally ter achado ruim — ele não pensa no limite dos outros.

— Mas você entende por que concordamos com isso, não? — Harry pergunta com delicadeza — não estaríamos aqui se não fosse por isso, Lawrence. Conseguimos o dinheiro em tempo recorde.

— Vencemos a batalha, mas perderemos a guerra — murmuro, tentando fazer com que Harry me entendesse — conseguimos agora, mas como vamos pagar todas essas passagens de avião para Salt Lake City? É cruel a escola disponibilizar 40%. Uma escola particular, diga-se de passagem.

— É... — Harry coloca as mãos nos bolsos da calça jeans — eles têm dinheiro de sobra.

— Mas... — dou de ombros — fiquei sabendo de Troy Ogletree que o Clube de Decatlo Acadêmico não tem ajuda nenhuma, então ainda temos que ficar agradecidos por termos migalhas.

— Eu não entendo esse surto — Harry revira os olhos — os times de futebol de outras escolas particulares recebem fortunas, sério mesmo. Tipo... cadê o restante do dinheiro? Para onde vão os 60%? Não é possível, sabe. Se fossemos uma escola pública, eu entenderia. Mas você sabe quanto é uma mensalidade?

Sinto tanta angústia que chega a se transformar em dor física quando Harry me questiona isso. Não tenho ideia do quanto minha mãe vem desembolsando para que eu pudesse ter todas essas regalias. Pergunto-me se o diretor ou alguém do corpo docente possa ser corrupto. Nos dias de hoje, é bom desconfiar de todo mundo. No entanto, coloco essa teoria da conspiração no fundo do meu cérebro. Ficar pensando nisso é inútil. Temos que aproveitar que, pelo menos, estamos em Atlanta. Me vejo sem fome quando todos os outros meninos saem para jantar depois disso. Resolvo adormecer para acordar bem amanhã, quando sinto Louis cutucar meu ombro em algum momento da madrugada.

LawrenceOnde histórias criam vida. Descubra agora