Vou pra escola na segunda-feira temendo com o que vou encontrar. Eu e Camila somos levados pela a minha mãe porque Ally ainda não deu sinal de vida. Estou feliz por estar voltando, mesmo que um pouco receoso de ter que responder para as pessoas porque passei uma semana fora. No entanto, tento não me importar, porque as pessoas com quem preciso me preocupar me amam o suficiente para não me importunar e sou grato por isso.
Dinah me abraça assim que chegamos e Normani dá um beijo na minha bochecha. Não sei se Dinah contou para Mani o que aconteceu, mas pelo jeito que ela me cumprimenta com um olhar de entendimento, tenho certeza que Dinah o fez. E não me sinto traído por isso, aliás, sinto-me aliviado por ter me poupado do trabalho.
— Estou feliz que você está de volta — Normani diz sorrindo pra mim — eu tive o pressentimento que você não demoraria muito mais pra voltar.
Solto uma risada anasalada. O tanto que eu senti falta dessa garota, dos seus cristais, previsões malucas e suas falas fora de hora.
— Você e sua intuição — pego a mão da Camila enquanto entramos na escola — eu te amo, Mani.
Normani cora e Dinah intervém:
— Nada de ficar de amor com a minha namorada, Lawrence, você já tem a sua.
Ela dá um tapa no meu braço e eu finjo que doeu. Ela nunca bateria para machucar.
— Hey! — falo — o que aconteceu com o amor? Por que toda essa violência?
— Na próxima vez que você sumir por uma semana, o tapa vai ser maior — Dinah me ameaça. Vamos em direção aos nossos armários que estão perto um dos outros e sei que vou ter problema em pegar todas as lições atrasadas da semana anterior.
No horário do almoço estamos indo para nossa mesa usual na cafeteria quando algo me chama a atenção. Do outro lado do corredor, Ally olha pra mim com o olhar firme e decidido, mas olhos lacrimejantes.
Não tendo a mínima ideia de como ela apareceu aqui, aperto a mão de Camila com força com medo de que a garota baixinha fosse fazer qualquer coisa. E o medo é infundado. Porque quando Ally vem correndo em minha direção, o que ela faz é me puxar para um abraço que é muito semelhante ao da minha mãe. Solto a mão da Camila, apenas para pegar Ally pelas costas enquanto sinto sua cabeça pressionando contra a pele de meu pescoço seguido de um suspiro.
Allyson treme e treme mais um pouco, até começar a chorar em meus braços. Sinto todos nos encarando, mas não dou a mínima e aperto-a com mais força. Ela então tem um pouco mais de coragem que eu e olha pra mim com os lábios tremendo de tanto chorar:
— Me desculpe por ter surtado.
Rio um pouco:
— Se fosse ao contrário, eu também teria.
Ally resmunga.
— Não — ela nega — você não teria. Você é muito bom pra isso.
— Hey — faço um carinho reconfortante em seu cabelo — chega disso, estamos bem, não estamos?
— Eu ainda tenho algumas perguntas — Ally cora forte — mas estamos.
— Agora, será que dá pra gente levantar desse chão? — em algum momento nos ajoelhamos e não sei porquê — minhas pernas estão começando a doer.
— Claro — Dinah revira os olhos — elas estão atrofiadas de todo esse tempo que passou deitado.
— Me dê um tempo! — brinco com ela — você já provou seu ponto, não provou?
Ela me dá outro tapa, mas agora na minha testa.
— Eu ainda vou te denunciar! — Estamos de pé agora, mas Ally não larga do meu abraço e Camila olha pra gente com felicidade genuína. Apesar de fingir estar brava com Dinah pela audácia da garota loira, Mani tem um sorriso no canto dos lábios.
Ally ri divertida e passa a mão no rosto, limpando uma lágrima ou outra restantes.
— Agora será que dá pra gente ter a nossa carona de volta? — Dinah pergunta olhando pra Ally com esperança no olhar. Quem leva um tapa agora é ela, de Normani:
— Pare de abusar dos nossos amigos!
Dinah resmunga, mas não fala mais nada e todos nós rimos.
— Eu senti tanta a falta de vocês — Ally fala quando chegamos no refeitório e pegamos nossa mesa de costume — o que aconteceu nessa semana que estive fora?
Rio, lembrando de mim mesmo ter feito a mesma pergunta:
— Essas duas patetas estão namorando — aponto para Dinah e Normani — Louis e Harry brigaram e ninguém sabe o porquê... Eu faltei uma semana porque estava miserável achando que você me odiaria para sempre e aquele imbecil — aponto para a mesa do time de futebol com Austin sentado nela — quase pegou meu lugar essa semana que faltei, mas hoje mesmo vou resolver isso.
Pelo menos, ele ainda está de cabelo rosa. Camila e Dinah acertaram na tinta.
Eu nem termino de comer quando sinto braços me puxando e estou prestes a surtar quando vejo que a pessoa que me segurou é Louis.
— Finalmente! — ele sorri — temos nosso quarterback de volta, eu já não aguentava mais ter a Pantera Cor de Rosa se achando como se fosse dono do mundo!
— Tenho que concordar — Harry aparece do completo nada e me puxa pra ele me dando um beijo na bochecha. Faço uma careta porque ele está suado como se tivesse corrido uma maratona.
— O que deu em vocês? — pergunto, confuso.— As meninas falaram que vocês brigaram.
— Nada que já não tenha sido resolvido — Harry pisca pra mim — Brigamos porque estávamos discutindo sobre invadir sua casa no meio da noite e te pegar pelos cabelos. Eu queria, mas Louis disse que era invasão de privacidade.
— Me desculpe, cara — Harry resmunga pegando uma cadeira — O time todo está desesperado para ter você de volta.
— Estou aqui agora, não estou? — pergunto tentando aliviar a tensão. — Vou para o treino depois das aulas de hoje.
Quando cheguei para o treino aquela tarde, a primeira coisa que aconteceu foi o treinador Greyson me puxando para seu pequeno escritório no campo.
— Eu não vou perguntar o que houve — ele me lembra da minha psicóloga — mas Harry e Louis me deram um panorama geral que alguma coisa aconteceu no Halloween.
Me pego querendo ser honesto com ele.
— Eu esqueci de fechar a porta do banheiro — minhas bochechas ardem — e uma das minhas amigas me pegou... sem roupa.
Greyson arregala os olhos por um momento e sorri depois.
— Você aprendeu a fechar portas agora?
Resmungo qualquer coisa:
— A lição está mais do que aprendida, senhor.
O treinador pisca pra mim.
— Ótimo — ele se levanta da cadeira — agora tire essa bunda daqui e vá se trocar. Se você faltar aos treinos por mais uma semana, você está suspenso e eu vou procurar outro quarterback.
A coisa que eu mais gosto sobre o treinador é que ele sabe a hora de brincar e a hora de falar sério. Talvez seja apenas isso o que os adultos fazem: eles sabem o tempo das coisas e por isso tentam não se desesperar. Se fosse eu no lugar da minha mãe nessa última semana, eu já teria tido um surto.
Muitas vezes, penso que eu recebo mais da minha mãe do que eu poderia sequer tentar dar de volta um dia. Isso me atormenta um pouco. Saber que ela me ama o suficiente para me deixar chafurdar por uma semana e depois voltar como se nada tivesse acontecido. Ela paga a terapia, meu tratamento e tudo o que precisar para não me ver sofrer. Ela me ama tanto que às vezes eu nem sou capaz de reconhecer isso. Não só ela, mas Taylor também, que continua frequentando uma escola pública para que eu possa estudar na particular. E não tem como eu não me lembrar de Chris, que me contou as novidades antes de todo mundo. Com tanto amor assim, não preciso nem sentir a falta do meu pai.
Estou para sair do escritório quando Greyson grita:
— Lawrence? — Viro minha cabeça pra ele.
— Sim? — pergunto, curioso com o que teria a dizer. Talvez um bom conselho para um adolescente em crise, mas tudo o que ele me diz é:
— Vê se não esquece de trancar a porta do banheiro dessa vez.
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Lawrence
Fiksi PenggemarLawrence Jauregui está começando uma nova vida. O último ano do ensino médio está prestes a começar e agora que ele finalmente deixou seu nome morto para trás e tem a aceitação completa de sua mãe e de seus irmãos, ele conhece Camila Cabello, a líde...
