Ciúmes

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 Audrey, minha psicóloga, sorri. Pelo relógio da parede, faltam dez minutos para a consulta terminar e ainda consigo escutar sua voz dizendo que está feliz por mim. Essa semana, realocamos minha consulta para quinta-feira.

Ela acha mesmo que fiz alguns avanços porque 1) parei de contar os dias para o fim do ano, 2) comecei a me enturmar (por mais que eu tenha dito a ela que enturmar é uma palavra muito forte) com os garotos do time de futebol e 3) que decidir pelo esporte foi uma ótima escolha. Mas é claro, que deixei de fora a parte da qual eu e Chris invadimos uma propriedade privada.

— Eu quero que você faça um exercício na próxima semana — Audrey retorna a falar — quero que você tente começar uma amizade com alguém do time. Você disse que aquele garoto chamado Shawn não parece ser uma má pessoa, porque não começa com ele?

— Pode ser... — murmuro — não sei se vou conseguir, mas prometo que vou tentar.

Faço a mesma promessa que fiz de levar Camila para Salt Lake City. Entre tentar e conseguir, tem um penhasco de distância. Porque, não importa o quanto esforço eu coloque nisso, posso acabar falhando no final das contas.

— Ah... e antes de sair terminar a consulta — eu acho engraçado que Audrey tem um jeito de falar comigo que não me deixa ansioso ou nervoso. — eu quero saber como anda a suas novas disciplinas eletivas, não falamos muito das suas aulas de robótica desde que elas começaram.

— Eu estou gostando muito — sorri, animado — mas mal tenho conseguido prestar atenção nas aulas direito. Desde que comecei no time de futebol, estou ficando muito cansado, o tempo todo. Na primeira semana senti dor em todos os membros do corpo, como se tivesse carregado um peso de 10kg na academia.

E pra falar a verdade, se eu analisar bem, eu ainda sinto alguns membros do meu corpo doendo e graças a todos os deuses que o machucado que eu fiz no tornozelo semana passada, já passou.

— Ah... — fico com as bochechas vermelhas por me lembrar de um assunto de último minuto — esqueci de comentar que amanhã vou ter que ficar na biblioteca depois do treino com Camila fazendo uma lição de cálculo — reviro os olhos — nós estamos de dupla agora.

Audrey olha de relance para o relógio de ponteiro da sua sala e suspira.

— Eu sei que falar de Camila é importante pra você — Audrey sorri e eu mordo a parte interna das bochechas. Camila não é muito importante pra mim, ela não pode ser. Quer dizer, nós tivemos momentos. Compartilhamos dois microfones na casa de Niall, dividimos o banco traseiro do carro todos os dias quando voltamos para casa com Ally e de vez em quando, nos encontramos no telhado da casa dos avós dela para beber vinho de morango. Minha mãe não descobriu ainda minhas escapadas de madrugada, o que eu agradeço. — Mas nosso tempo acabou hoje.

Suspiro.

Eu me pego pensando que poderia falar sobre Camila por horas. Na noite passada em que subimos no telhado depois de eu ir tirar o lixo, nós conversamos, descobri mais sobre Alejandro ser o padastro de Camila e pai de Sofia. E eu juro, quase morri quando ela segurou sua mão na minha e só ficou lá, com seus dedos entrelaçados no meu. E por mais tentador que fosse me afastar, eu não conseguia me mover e fiquei parado ali.

Na sexta-feira, quando me encontro com Camila na biblioteca, ela está com um sorriso zombador no rosto e eu logo franzo o cenho, confuso com a sua mudança repentina de humor. Ela parecia estar bem na aula mais cedo.

— Que cara azeda é essa? — pergunto com medo da resposta e pego meu lugar ao seu lado na mesa da biblioteca, tratando de abrir meus cadernos e livros em seguida.

— Quer dizer então que o time de futebol está rifando um encontro com o quarterback?

E por falar nisso, a lavagem de carros vai começar amanhã e os meninos já começaram a espalhar a notícia da rifa. Hoje no treino, Harry veio feliz sobre como eles conseguiram vender vinte fichas por $5 cada uma. No entanto, Camila não parece nenhum pouco feliz.

LawrenceOnde histórias criam vida. Descubra agora